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terça-feira, 24 de setembro de 2019

COMO AVALIAR O DISCURSO DE BOLSONARO HOJE NA ONU?

Jornalismo é busca da verdade e não há como encontrá-la ou chegar dela o mais perto possível, analisando apenas um lado do fato, sob um único ângulo. E o que vi hoje foi um festival de avaliações rasas e contaminadas, seja pela ideologia, pelo ódio ou por uma simples questão de perseguição a Bolsonaro.

Não concordo integralmente, por exemplo, com o item 1 dos pontos negativos (Criticar genericamente a mídia, nacional e internacional). Não sou a favor de generalizar, mas que certamente houve falta de isenção em muitas matérias publicadas em veículos nacionais e internacionais, ah, isso houve! Principalmente as publicadas minutos após as declarações de Macron e Merckel. Como "ouvir o outro lado" e escrever matéria confiável em cinco ou dez minutos?

Bem... deixo para vocês a missão de lerem e tirarem as suas próprias conclusões!

COMO AVALIAR O DISCURSO DE BOLSONARO HOJE NA ONU?

Por Itiberê de Mello

“Fujo do radicalismo ou das posições extremas. Na realidade, os radicais jamais seriam capazes de fazer qualquer autocrítica, pois não percebem seu fanatismo, sua visão estreita, unilateral, de esquerda ou de direita. Na verdade, eles não pensam de forma diferente dos cidadãos equilibrados. Na realidade, eles não pensam. Não raciocinam: apenas reagem emocionalmente diante de qualquer frase que não condiz com suas convicções.

Vamos à avaliação do discurso de hoje de Jair Bolsonaro. O mais comum que teremos depois do discurso é o confronto de dois extremos:
a) Foi um discurso memorável: tudo que Bolsonaro disse só merece aplauso.
b) Foi um discurso vergonhoso para o Brasil: Tudo que o presidente disse é bobagem ou idiotice.
Meu objetivo neste texto é escapar dessa dicotomia.

Tento me reeducar a cada e fazer o maior esforço em analisar com o maior equilíbrio possível o discurso de Jair Bolsonaro – com o risco que corro de que dois grupos de cavalheiros me acusem, de um lado, de defensor do JB e, de outro, de seu inimigo. Não sou nem uma coisa, nem outra. E não me preocupo com nenhuma avaliação desse tipo. E relembro: em 2018, não votei nem em Bolsonaro nem no candidato petista.

Pois bem. Começo pela expectativa que eu alimentava antes do discurso. Diante de tudo que tem dito nestes quase 9 meses de administração, Jair Bolsonaro, com tantas frases mal postas e expressões grosseiras, eu temia que seu discurso fosse algo bem diferente do que foi. Faço abaixo uma síntese do que vi e ouvi nesta manhã de 24-09-2019.

ALGUNS PONTOS POSITIVOS DO DISCURSO
1. Ofereceu novos elementos para avaliação internacional de seu governo, em especial da Amazônia e da questão indígena, inclusive com a presença no local de uma indígena kalapalo (Izany Kalapalo). Que 14% do território brasileiro está demarcado como “terra indígena”. Foram muito interessantes as informações objetivas sobre o que é a Amazônia brasileira hoje (uma área maior do que a Europa Ocidental). Referir-se à interferência de algumas ONGs que parecem ter mais interesse nas riquezas minerais e nos produtos das áreas indígenas do que em proteger aquelas civilizações. 
2. Reiterou o compromisso com a abertura da economia, com os dois exemplos dos “dois maiores acordos comerciais da história do País” – entre Mercosul e União Europeia e outro entre o Mercosul e área europeia do EFTA (European Free Trade Association); e desejo de integrar a OCDE, com os compromisso de adesão às exigências de “regulação financeira” e da “práticas ambientais”. 
3. Relembrou a questão que a soberania brasileira sobre a Amazônia é um ponto que não pode estar em discussão no mundo hoje. 
4. Mostrar o que foi a “ajuda” cubana ao Brasil com o programa “Mais Médicos” – em que esses profissionais eram tratados como verdadeiros escravos do governo cubano.
5. Criticar a ditadura da Venezuela (que ele, equivocadamente, confunde com “socialismo”. Mas é essencial lembrar o papel que os milhares de agentes cubanos ainda desempenham no país. 
6. Criticar o Foro de São Paulo, o movimento criado por Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo (a revolução castrista) na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido”. 
7. Bolsonaro faz uma denúncia verdadeira: “A ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas. A ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família. Tentam ainda destruir a inocência de nossas crianças, pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica.”
(O problema é tirar conclusões falsas ou distorcidas baseadas nesses conceitos. Eis um exemplo gritante: “A ideologia invadiu a própria alma humana para dela expulsar Deus e a dignidade com que Ele nos revestiu. E, com esses métodos, essa ideologia sempre deixou um rastro de morte, ignorância e miséria por onde passou. Sou prova viva disso. Fui covardemente esfaqueado por um militante de esquerda e só sobrevivi por um milagre de Deus.”)

ALGUNS PONTOS NEGATIVOS DO DISCURSO
1. Criticar genericamente a mídia, nacional e internacional. 
2. Destacar de forma exagerada sua fé e suas crenças religiosas. 
3. Dar sua versão do que teria sido o período militar (1964-1985), caracterizando-o como defesa da democracia e que, na verdade, durou 21 anos de autoritarismo. 
4. Como disse: “Civis e militares brasileiros foram mortos e outros tantos tiveram suas reputações destruídas, mas vencemos aquela guerra e resguardamos nossa liberdade.” E comemorar: “... mas vencemos aquela guerra”. 
5. Em lugar de explicar claramente o que são as queimadas — em especial as de hoje no Brasil — o presidente volta a acusar a mídia (nacional e internacional): Ela (a Amazônia) não está sendo devastada nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia.” 
6. Como a maioria dos políticos, o presidente omite aspectos que não lhe interessa naquilo que condena. Vejam este exemplo, depois de uma bela declaração sobre o valor da vida: “A vida é o mais básico dos direitos humanos. Nossos policiais militares eram o alvo preferencial do crime. Só em 2017, cerca de 400 policiais militares foram cruelmente assassinados. Isso está mudando.”

Cabe aqui a pergunta: “E as mortes muito mais numerosas de civis e, em especial, de jovens e crianças?”

domingo, 19 de maio de 2019

ELES ESTÃO RINDO DE NÓS, COMO SEMPRE RIRAM

Um presidente no Brasil sempre foi Rainha da Inglaterra e sempre será enquanto este nosso sistema político durar. O problema atual é que os "preços" do apoio ganharam a estratosfera, inflacionaram o mercado do toma-lá-dá-ca. Além das vantagens financeiras, cargos no governo e em empresas públicas, a partir do Mensalão e Petrolão o salvo conduto para a bandidagem começou a fazer parte das barganhas políticas.

É óbvio que a Constituição e as leis criminais impedem que um crime seja perdoado ou esquecido, mas existem mil mecanismos que podem ser criados pelo legislativo para abrandar penas de crimes políticos e ações de boicote a projetos que endureçam o combate à corrupção. Para agravar a situação, a última instância da justiça tem indisfarçável maioria a favor da impunidade sob o disfarce de seu incompreensível "jurisdiquês".

O momento atual de balbúrdia está propício para ações desses criminosos. Independentemente dessa confusão ter sido criada pela inépcia do presidente e de sua coordenação política, ela está sendo agravada propositadamente pelos que se beneficiarão do caos político para tentarem se safar dos crimes que cometeram. Encurralados, eles até aceitam - e até torcem - para que o Brasil se transforme numa outra Venezuela para saírem ilesos.

Com a justificativa de que "o que é certo é certo e o que é errado é errado" e deve ser criticado, as críticas ao governo Bolsonaro estão fugindo de controle e virando ataques sistemáticos e generalizados diante de qualquer sinal de insatisfação, por menor que seja ele. Com isso estamos perdendo completamente a noção de ponderação e nos unindo a esse lado podre da política, mandando pro espaço nossa ordem de valores construída ao longo dos escândalos de corrupção. Inconsciente e paradoxalmente, as pessoas de bem estão se unindo aos que sempre combateram e que, num total desespero, estão aceitando qualquer tipo de ajuda, inclusive daqueles que são e sempre foram ideologicamente contrários a eles.

E não será tirando ou elegendo uma nova rainha que resolveremos este NOSSO problema.

O primeiro ministro, quem verdadeiramente manda no país, os que o elegem são ELLES.


A matéria da imagem está em: https://tinyurl.com/y2b492pk

quinta-feira, 16 de maio de 2019

SERÁ QUE OS GARANTISTAS E LEGALISTAS SE AGUENTARÃO?

Prevejo muita diversão a partir de hoje com os garantistas e legalistas das redes sociais, aqueles que diziam não ser correto comentar sobre Temer no caso dos portos, sobre FHC no caso dos US$ 100 milhões da delação de Cerveró ou de qualquer outro acusado ou investigado enquanto ele não fosse condenado, ao menos em segunda instância por colegiado. Alguns foram mais além dizendo ser prudente esperar o trânsito em julgado. Fora os que crucificaram Deltan e o Ministério Público.

O caso Flávio Bolsonaro está aí, fresquinho, à espera do silêncio deles. Das duas, uma ou as duas: ficarão roendo as unhas de vontade ou serão coerentes com seus discursos legalistas e garantistas. Eu, por exemplo, acredito piamente que existam ratos roendo atrás dessa moita. Dezenove imóveis e eu deixarei de comentar e esperar o trânsito em julgado? Nunquinha!

Permanecerei na minha, como sempre, comentando sobre investigados e acusados; sobre delações vazadas e matérias da imprensa investigativa e dando as minhas opiniões sem o menor constrangimento. Sem necessariamente mandar prender ou guilhotinar sem provas como um jacobino.

Não acredito em tudo o que a grande imprensa diz, mas também não acredito que um veículo de comunicação se exponha arriscando ser processado ou fechado sem estar de posse de provas que sustentem suas matérias investigativas. A Revista Crusoé está aí para provar isto.

Aguardemos, mas comentemos. É a liberdade de expressão exercida com certos cuidados, comentando sem degolar ninguém, mas também sem ignorar o que está acontecendo.

Estando sempre atento e aberto a novos fatos.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

MAL NECESSÁRIO

Sinto-me às vezes como numa vitrine política, cheio de etiquetas e rótulos. Conservador, reacionário, direita, esquerda, humanista e até de comunista já me chamaram (rs). Acontece que tenho o costume de comentar FATOS PONTUAIS e procuro não comentá-los baseando-me apenas em minhas preferências pessoais, já que há muito tempo abandonei as ideológicas. Tento diversificar e não ficar batendo ou alisando determinado partido ou político. O certo e o errado são definições absolutamente pessoais, fundamentadas em razões que envolvem caráter, experiências observadas e nunca definitivas para que não se transformem em horrorosas e teimosas convicções.

A culpa de Bolsonaro estar aí é da própria esquerda que não acompanhou as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, principalmente na consciência política dos cidadãos e nos seus anseios. O comunismo foi perdendo credibilidade à medida que sua verdadeira história vinha à tona com o acesso à informação. Lenin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara e outros mitos intocáveis foram desmascarados deixando seus seguidores completamente desamparados. Numa tentativa de sobrevivência, o comunismo migrou para o socialismo, uma espécie de marxismo moderado não revolucionário.

No Brasil foram criadas inúmeras nuances de esquerda e a direita praticamente desapareceu das disputas políticas. Com o desencanto do povo nesses 14 anos de PT/MDB, com a desmoralização do PSDB - único representante da esquerda moderada (centro-esquerda) - e sem nenhum partido de direita, a escolha recaiu sobre a pessoa de um político praticamente sem partido que preencheu esse "buraco" com um discurso anti-corrupção, mas também reacionário e ultra-conservador. Foi uma espécie de "não tem tu, vai tu mesmo". Por pior que Bolsonaro seja, é ele que está forçando a esquerda se reposicionar e rever esse seu esquerdismo deteriorado, ultrapassado e corrupto.

Os eleitores ficam apontando seus dedos uns para os outros como se não fossem responsáveis por nada disso que aconteceu e está acontecendo. Vamos experimentar um remédio amargo, mas necessário. O povo será forçado a se desideologizar, acabar com esse binarismo de direita e esquerda idiota, entendendo que o pragmatismo é a melhor forma de selecionar e eleger seus representantes.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ESTADÃO "FOLHEANDO"?

Pelo visto o Estadão também adotou o estilo Folha de interpretação. Não sou nenhum defensor de Bolsonaro e pela última vez (daqui pra frente só se me perguntarem) vou dizer que não votei nele, mas torço para que o governo dê certo porque moro no Brasil e não pretendo sair daqui. Sobre o Estadão, é ainda um dos poucos veículos sérios do Brasil.

Embora eu tenha algumas discordâncias em relação à forma ÚNICA de comunicação de Bolsonaro pelo Twitter dispensando um bom porta-voz (ao menos por enquanto), o texto do Estadão corrobora com a crítica de Bolsonaro. Vejamos:

"Em entrevista ao portal do Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, disse que é preciso "divulgar tudo o máximo que puder" e "estar aberto para a imprensa". O discurso contraria o que tem sido dito pelo presidente Jair Bolsonaro, que constantemente acusa setores da mídia de inventarem mentiras." (Política - Estadão)

O discurso de Santos Cruz, não contraria o que foi dito por Bolsonaro pelo simples fato dele nunca ter dito que estaria sonegando informações para a imprensa ou controlando conteúdo de ninguém. Na verdade o Estadão UNIU por sua conta e risco três coisas distintas, mas que não se coadunam: 1) Não privilegiar veículos com verbas de publicidade; 2) Invenção de mentiras na mídia; 3) Opção de ele próprio comunicar-se com os eleitores.

Já dei a minha opinião sobre a necessidade de Bolsonaro estruturar sua área de comunicação, mas o Estadão dar a entender de que ele sonegará informações para a imprensa ou que não é a favor de "divulgar o máximo que puder" é inferência ou desonestidade intelectual.

Não vou me estender aqui sobre razões e nem citar matérias incompletas e não comprovadas de jornalistas como Patrícia Campos Mello e outros militantes da imprensa, mas a maioria dos problemas está em seus editores pouco cuidadosos (pra não dizer outra coisa), normalmente loucos para um furo jornalístico arrebatador.

Passar pessoalmente informações, não privilegiar veículos com verbas e comunicar-se diretamente no Twitter são PRERROGATIVAS do presidente. Todos os ministros têm falado sobre assuntos de suas áreas de responsabilidade com autonomia. A imprensa sempre terá informações.

O que está difícil é "alguns setores da mídia" não terem entendido até agora que o QUARTO PODER está se pulverizando, e que a qualidade editorial será cada vez mais exigida por seus consumidores.

E por seus anunciantes também.

Matéria:https://goo.gl/wGXRdX

domingo, 25 de novembro de 2018

HITLER SERIA BEM SUCEDIDO NO SÉCULO XXI?

Em primeiro lugar é importante dizer que quando escrevo um texto não tenho objetivo de ofender as pessoas. Alguém pode não concordar, mas sentir-se ofendido é coisa de fundamentalista. Meu objetivo é apenas e tão somente o de fazer refletir.

O nazismo foi implantado após um período de democracia na Alemanha. Um dos riscos da liberdade democrática é o de algum louco chegar ao poder e depois usá-lo para transformar essa democracia numa tirania ou em outro sistema injusto qualquer, principalmente quando o mal intencionado tem uma inteligência acima da média. Cerca-se de fanáticos, compra apoios do parlamento, neutraliza os mecanismos de resistência do sistema e impõe leis que facilitam suas ações anti-democráticas. É claro que o processo não é tão simples e óbvio como resumi, mas vale como introdução para o que vem em seguida.

Todas as estratégias e artimanhas que são usadas por alguém mal intencionado que ascendeu ao poder, só funcionam quando o povo não tem acesso à informação de foma democrática, quando ela está limitada aos meios de comunicação oficiais e aos que o governo corrompeu. Se unir todas essas condições a um projeto de comunicação muito bem estruturado, as chances de fazer uma lavagem cerebral é enorme. E no caso do nazismo de Hitler, o "gênio do mal" da comunicação foi Joseph Goebbels.

Apenas para dar um exemplo, uma das estratégias que Goebbels usava era a de identificar as cidades alemãs onde a população não aceitava ou não conhecia bem Hitler e programava várias ações. Uma delas era a de agendar a visita do Führer para 15 ou 30 dias, e antes do dia marcado instalar auto-falantes nas praças reproduzindo músicas clássicas suaves. Aos poucos iam mudando o repertório para músicas de graduação mais intensa e quando Hitler chegava já estavam reproduzindo marchas militares, encontrando a população desses locais num clima propício para aplaudirem seus discursos ultra-nacionalistas.

Mas a pergunta é: isto seria possível acontecer nos dias de hoje?

Na minha opinião, isto dificilmente voltaria a acontecer neste século XXI. Primeiro porque hoje é praticamente impossível que um governo consiga preparar terreno para realizar seu projeto de poder absoluto sem que a população perceba e reaja. Não há como cercear o direito à informação em países livres, naqueles que hoje a população experimenta a liberdade e o acesso irrestrito aos meios de comunicação. A não ser que o domínio seja precedido de um golpe militar ou de uma violenta revolução. Alguns poderão dizer que aconteceu na Venezuela, em Cuba, na Coréia do Norte, parcialmente na China e em alguns países ditadores africanos, mas basta observar quando esses regimes foram implantados. Todos, sem exceção, no século passado ou anteriores a ele.

Quando alguns da esquerda ficam dizendo que Bolsonaro adotará um estilo ditatorial, estão fazendo terrorismo virtual, uma militância de oposição derrotada agindo para assustar desinformados e incautos, jogando-os contra um governo que nem começou. Quem acompanhou a história brasileira recente sabe que por mais imperfeita que seja a Constituição de 1988 e suas 106 emendas, as instituições continuam fortes o suficiente para evitar que a democracia brasileira se desmorone e assuma alguém com pretensões ditatoriais. Embora nosso sistema político seja imperfeito e fortemente contaminado por leis corporativistas que favorecem ao protecionismo e à impunidade política, existem cláusulas pétreas constitucionais que asseguram nossa opção democrática. Mesmo com parte do STF entregue aos interesses das militâncias, já tivemos inúmeras demonstrações de que os julgamentos em plenário têm derrubado iniciativas parciais de alguns de seus membros já conhecidos por suas decisões comprometidas com políticos, partidos e interesses pessoais.

Isto sem contar o nível de acesso à informação que a tecnologia da Internet e das redes sociais oferece á população, esta última que, devagarinho, vai aprendendo a identificar as Fake News e a conhecer as fontes confiáveis - ou pelo menos mais imparciais - de notícias.

Por essas e outras é que não acredito nesse terrorismo barato, no superlativismo dos erros e imperfeições do futuro presidente e de sua equipe. Se aprendermos a isolar o desespero da militância socialista tupiniquim, saberemos identificar os perigos reais muito tempo antes deles acontecerem.

Termino dizendo o que tenho dito em quase todos os meus textos. Não votei em Bolsonaro, mas ele foi eleito presidente dentro dos requisitos democráticos que nossas leis impõem. E como não pretendo sair do país para voltar daqui a 4 anos, tenho que torcer para que seu governo dê certo, assim como torci para o de Lula em seu primeiro mandato, mesmo não tendo votado nele. Mas isto não significa que desistirei da vigília contra a corrupção ou medidas injustas. Apenas não me verão sendo profeta do caos.

Acho que a maioria já aprendeu com os erros. Nossos e dos outros.

Se agirmos racionalmente nem precisaremos orar, mas de apenas vigiar e agir.

sábado, 17 de novembro de 2018

A IMPORTÂNCIA DE UMA OPOSIÇÃO TEMÍVEL

Que me perdoem os fãs do cantor, mas há uma frase popular engraçada que diz: "Tudo tem seu lado bom, menos o vinil do Amado Batista" :)

Um dos motivos pelo qual o governo FHC não fez maiores besteiras, mesmo com maioria no Congresso, foi a atuação do PT na oposição, partido com maior peso e representatividade a partir do final do governo Itamar Franco. Considerando as últimas declarações e atitudes de Fernando Henrique, não é difícil concluir que se a oposição não estivesse no seu pé o tempo todo, o governo dele poderia ter sido um desastre, como foi o do próprio PT em seus 15 anos de poder. Mesmo assim, não podemos nos esquecer de que a reeleição foi aprovada de forma interesseira e duvidosa (caso de grampos com pressões do ministro Sérgio Motta) e com benefícios concedidos a parlamentares.

O governo FHC teve o apoio de praticamente toda a imprensa (exceto da Folha) que só balançou um pouco com a crise cambial de 1999. Teve também o beneplácito do Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro (apelidado de engavetador geral), seu primo, nomeado em 1995 por indicação do próprio FHC. Negligenciou na crise energética, privatizou a Vale do Rio Doce de forma açodada, enfim, não foi assim um mar de rosas, exceto na economia que ainda tinha a hiperinflação de Sarney e Collor como referência. Sua intelectualidade, a imprensa e seu reconhecimento internacional pouparam sua imagem pessoal, isolando-a dos problemas ocorridos em seu governo. De não ter prevaricado tanto ou de não ter comprovadamente prevaricado.

No caso do PT - não me estenderei muito por ser recente -, embora Lula tenha feito algumas coisas boas em seu primeiro governo aproveitando-se da maré da estabilidade econômica e do apoio internacional aliados à sua habilidade nos discursos para as classes menos favorecidas, o partido foi traído pela ganância e pela absoluta ineficácia ou omissão de seu principal opositor, o PSDB. O PT navegou com maioria absoluta no Congresso e editou mais de 1.000 medidas provisórias, sendo mais de 900 "compradas", segundo Palloci em sua delação. Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES... o PT lambuzou-se no mel sem nenhuma pressão eficaz da oposição. Mas por outro lado, quebrou por falta dela.

Portanto, acho saudável e importante que Bolsonaro, mesmo antes de começar seu governo, já esteja sofrendo forte oposição interna e internacional. Ele e sua equipe têm falado algumas besteiras e por isso sofrendo fortes bombardeios até dos que o elegeram. O fato positivo é que ele, ao contrário do PT e PSDB, não se incomoda em voltar atrás e reparar o "mal dito" e o "mal feito". É óbvio que ninguém pode manter um governo dizendo e se desdizendo a todo instante, pois, isso gera incerteza e desconfiança na população e no mercado.

O que se espera é que essas besteiras estejam apenas fazendo parte do aprendizado de uma equipe inexperiente no trato político das coisas. Se tiver que baixar a crista, que seja agora. Torcer contra é bobagem, a não ser que você seja muito rico, queira sair do país e voltar só daqui a quatro anos para votar de novo.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

EQUÍVOCOS, CORPORATIVISMO E DESONESTIDADE INTELECTUAL

EQUÍVOCOS, CORPORATIVISMO E DESONESTIDADE INTELECTUAL

Ontem Bolsonaro atacou a Folha no Jornal Nacional e Bonner imediatamente contra-argumentou:

"Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal Folha de S.Paulo tenha feito ao Jornal Nacional tenham sido injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas, para ser justo, o jornal sempre nos abriu a possibilidade de nos apresentar, a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos. A Folha é um jornal sério, importantíssimo na democracia brasileira. É um papel que a imprensa nacional desempenha e a Folha faz parte desse grupo"

Eu condeno a forma como o assunto foi abordado por Bolsonaro, inclusive ameaçando: "(...) mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, a imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente não terá apoio do governo federal"

Vamos dividir o problema em duas partes. O primeiro é a ameaça de Bolsonaro dizendo o que não deveria. Os critérios de utilização de verba pública para a veiculação de propaganda governamental deve ser puramente técnico para atingir seu público alvo, ou seja, audiência, custo por mil e outros já conhecidos no meio publicitário e dos anunciantes. Dinheiro público não pode ser utilizado como instrumento de vingança política. Ponto.

A segunda parte é sobre a fala do Bonner que mostrou uma verdade parcial e corporativista. Parcial e corporativista porque "imprensa não critica imprensa". Não me refiro às opiniões das editorias ou de colunistas dos veículos, mas sim à desonestidade intelectual em matérias informativas feitas com o propósito de proteger ou atacar pessoas com interesses escusos. Explico.

É comum e lícito em países democráticos veículos declararem apoio a determinados políticos em campanhas. Cito o exemplo do Estadão que em 2010 fez um editorial com o título "O Mal a Evitar" no qual apoiava José Serra na disputa presidencial com Dilma. O risco de assumir tal posição é único e exclusivo dos veículos e serão os leitores que os julgarão. Isto se chama "honestidade intelectual".

No caso da Folha a história é outra. O jornal publicou matéria afirmando que a equipe de Bolsonaro havia pago 12 milhões para que empresas fizessem SPAMs mentirosos e depreciativos ao PT pelo whatsapp. A autora da matéria, jornalista Patrícia Campos Mello, não conseguiu comprovar tal compra, apresentando apenas algumas propostas dessas empresas feitas inclusive para a equipe de Alckmin que não aceitou.

Mais tarde descobriram que a jornalista é filha de Hélio Campos Mello, proprietário da revista Brasileiros que aparece na delação da Odebrecht como beneficiário de 1,6 milhão proveniente de propinas a pedido de Mantega.

Portanto, não estamos falando sobre o direito de um veículo ter linha editorial a favor ou contra determinado candidato, mas sim de mentira ou desonestidade intelectual em matéria informativa ou reportagem, coisas bem diferentes.

Então, Bonner... este é o "papel que a imprensa nacional desempenha e a Folha faz parte desse grupo"?

De qual grupo estamos falando?