terça-feira, 20 de agosto de 2019

A PF E O MP TÊM AUTONOMIA CONSTITUCIONAL

Começamos a notar mais fortemente a partir do governo Dilma, que trocar o ministro da justiça, o procurador geral, o diretor da Polícia Federal e alguns do segundo ou terceiro escalões de órgãos que têm autonomia na tentativa de intimidar ou abafar investigações são práticas inócuas.

Tanto o ministro da justiça quanto o Procurador Geral e o diretor da PF podem entrar e sair, mas as estruturas regionais e estaduais de cada instituição permanecem, assim como sua autonomia garantida pela Constituição Federal de 1988. Parcerias como as do Congresso com Toffoli e Bolsonaro, não darão em nada. Nem alguns ministros partidários do STF como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Leandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, por mais que libertem bandidos em suas decisões monocráticas, conseguirão impedir a continuidade da Lava Jato e muito menos cassar os direitos constitucionais dos procuradores e dos policiais federais.

Podem haver correntes favoráveis e contrárias à Lava Jato e outras operações de investigação até na própria PF e no MP, mas a autonomia individual dos procuradores e policiais federais torna quase impossível impedir que atuem cumprindo suas obrigações, pois, caso contrário correrão o risco de serem enquadrados no crime de prevaricação. São agentes carreiristas, aprovados em concursos públicos que gozam de estabilidade e proteção funcional, mas sujeitos ao crime de prevaricação

O termo prevaricação vem do latim "praevaricare" e significa faltar com os deveres do cargo, torcer, impedir ou retardar ações da justiça. É crime funcional, praticado por funcionário público contra a Administração Pública. Consiste em retardar, deixar de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. (Art. 319 do Código Penal - pena de detenção, art. 33)

Como não estou escrevendo para analfabetos funcionais, qualquer explicação ou complementação do texto acima seria dispensável, mas como o país passa por um momento delicadíssimo em que há tentativas - não só do Congresso como também de alguns da alta cúpula das instituições - de salvar seus amigos criminosos políticos, vale a pena lembrar de que tais tentativas poderão causar estragos irreversíveis, não na democracia, mas em suas próprias imagens e pretensas carreiras. Por isso, vale a pena repetir: procuradores e policiais federais "são agentes carreiristas, aprovados em concursos públicos que gozam de estabilidade e proteção funcional, mas sujeitos ao crime de prevaricação". As operações continuarão, talvez muito mais determinadas e com força exponencialmente superior às forças contrárias.

Nossa Constituição não é a mesma da Itália que permitiu que a "Operação Mãos Limpas" naufragasse. A decisão mais inteligente seria a de procurar ótimos e caros advogados para seus protegidos.

Além de fazer boas e sentidas orações


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

MICHELLE BOLSONARO E O CHORO DE CROCODILO DA IMPRENSA

Um drama ao qual qualquer um de nós está sujeito morando num país desigual, além de primeiro maior consumidor de crack e segundo de cocaína do mundo. Quantos casos iguais ao da primeira dama Michelle Bolsonaro não devem existir, de filhos e netos que se afastaram se suas famílias por serem diferentes, desejarem ter uma vida digna e apagar as histórias tristes de seu passado? Em determinados casos é quase impossível tentar ajudar sem afundar na mesma lama. Casos como este são de difícil empatia para os que não passaram por problemas semelhantes.

Ninguém pode recriminar a revista pela reportagem, pois, o papel da imprensa é esse mesmo. O problema da Veja, assim como de todos os veículos da imprensa ativista e sórdida, está nos sutis requintes de sarcasmo e crueldade com que aborda temas delicados como esse, sutilezas que só os leitores mais atentos e imparciais percebem. Por mais que tenha tentado amenizar e colocar Michelle como vítima, ao analisarmos o passado recente da Veja, é impossível acreditar que, repentinamente, de uma hora para outra, os proprietários, editores e jornalistas da revista tiveram um surto de HUMANISMO SINCERO. 

Estranho e patético é esse raciocínio HUMANISTA nunca ter alcançado os milhões de idosos, mulheres e crianças que morreram e morrem nas filas de exames, no chão e nos corredores dos hospitais do SUS, vítimas dos bandidos e assassinos que eles defendem diária e sistematicamente por questões menos ideológicas e mais financeiras, saudosos desse dinheiro manchado de sangue disputado a tapas por essa imprensa interesseira e inescrupulosa.

O Brasil mudou e vocês aí, pagando pra ver. Façam o que quiserem. Desta vez o dinheiro não é meu.


terça-feira, 13 de agosto de 2019

O SUPREMO TRIBUNAL DE EXCEÇÃO



A aceitação por parte da justiça das supostas conversas dos procuradores, juízes - que incluem citações de ministros do Supremo - e até diálogos com familiares dos agentes públicos obtidos de maneira claramente ilícita (além de não periciáveis e terem sido editados), criaram um precedente perigoso que poderá tornar-se prática comum entre criminosos. Se para uma parte da justiça esse meio utilizado for lícito, para toda ela também o será. Hackear celulares ou computadores, roubar mensagens, adulterá-las e publicá-las em jornais ou sites jornalístico deverá ser aceita pelo Supremo Tribunal Federal, já que alguns ministros manifestaram-se a favor dessa prática, condenando os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro.

Os Artigos 5º Inciso X e 220 § 1º da Constituição Federal são bem claros:




Considerando então que a Constituição foi rasgada pelos que deveriam protegê-la e fazê-la ser respeitada, podemos então entender que acabou de vez a inviolabilidade da intimidade alheia e todos os brasileiros passarão a ter o direito transgredi-la. Portanto, se algum bandido não estiver satisfeito com a sua condenação, que pague um bom hacker, arrume um veículo de comunicação que publique (pode ser um blog, desde que tenha um jornalista para chamar esse hacker de "fonte") e tudo será considerado pela justiça, mesmo que sejam fofocas e conversas familiares. A possibilidade do julgamento ser anulado ou da pena ser reduzida e de juízes e promotores serem punidos ou destituídos de seus cargos será enorme.

Que tal ein Marcola e Fernandinho Beira-mar?

Os poderes extraordinários da nossa Corte Suprema foram muito bem definidos pelo ministro Toffoli em sua última palestra para empresários. Ele disse: "STF tem que agir como poder moderador". Então está explicado! O Supremo ressuscitou e trouxe para si o "Poder Moderador" implantado por D. Pedro I em 1824:

O Art. 99 da Constituição de 1824 declarava que a "pessoa do Imperador é inviolável e sagrada; ele não está sujeito à responsabilidade alguma". Tal dispositivo não era uma característica única do regime constitucional brasileiro do século XIX e ainda existe em diversas monarquias parlamentaristas atuais. As atribuições reservadas ao Poder Moderador deveriam ser exercidas somente após o Conselho de Estado ter sido consultado. Tais prerrogativas (Art.101) eram idênticas, em sua maioria, as atribuições reservadas aos monarcas atuais, tais como:
  • Convocar a Assembleia Geral (Parlamento) extraordinariamente nos intervalos das sessões;

  • Sancionar os decretos e resoluções da Assembleia Geral, para que tenham força de lei;

  • Prorrogar ou adiar a Assembleia Geral e dissolver a Câmara de Deputados, convocando outra imediatamente para substituir a anterior;

  • Nomear e demitir livremente os ministros de Estado;

  • Perdoar e moderar penas impostas aos réus condenados por sentença e conceder anistia.

Não contentando-se em ser o "Poder Moderador" do novo império, o presidente da corte criou um tal de "inquérito" que pode investigar qualquer pessoa que eles considerarem perigosa ou danosa para a imagem do STF, designando (ao invés de sortear) o ministro policial Alexandre de Moraes para eventualmente criar, segundo seus próprios critérios, algumas necessárias e veladas investigações sem a necessidade de publicá-las e submetê-las ao colegiado do Supremo.

Toffoli e Alexandre de Moraes (que galhardamente aceitou essa dura missão), transformaram-se nos mais novos inquisidores da República e certamente contarão com a ajuda desprendida e voluntária de Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello (os grilos falantes da corte), além de Lewandowski (silencioso, porém muito ativo nos bastidores) que tem o mesmo perfil.



Sarcasmos à parte, o STF passa por um terrível momento de total descrédito. Não adianta dizermos que os absurdos ditos e feitos por alguns de seus ministros não afetam a imagem da instituição. Não vivemos o nosso dia a dia tentando sobreviver lendo livros de filosofia e sociologia, mas sim  entregues ao pragmatismo do trabalho e de seus resultados, pois, não compramos roupas, alimentos e nem cuidamos da nossa saúde e da nossa família com dinheiro público. Somos os contribuintes que pagam os salários, os convênios médicos, as aposentadorias, as lagostas e vinhos desses marajás, assim como de vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e do presidente da república, enfim, de todo funcionarismo público.

Se ladrões roubam o dinheiro dos contribuintes que seria revertido em saúde, segurança, educação e investimentos, esses marajás continuarão recebendo seus salários e em nenhum momento abrirão mão de suas regalias para nos socorrer. Mas se ao menos fizessem justiça estariam fazendo com que os bandidos fossem presos e o dinheiro roubado retornasse aos cofres públicos.

Mas não... neste país em que espertos, corruptos, bandidos e ladrões são protegidos e premiados com o véu da impunidade, revidar saindo às ruas e cercar a Praça dos Três Poderes, sem violência, é mais do que um simples ato de repúdio. É legítima defesa!





domingo, 11 de agosto de 2019

QUE VALOR TEM A CARTA DESSES JURISTAS ESTRANGEIROS?

Há uma euforia dos esquerdistas com algumas coisas que não resistiriam a algumas poucas perguntas de reles leigos mortais. Um exemplo é essa carta que está circulando com assinaturas de 17 juristas e ministros de 6 (e poderiam ser 20) nacionalidades dizendo que a condenação de Lula foi ilegal.

Em primeiro lugar, quantos ícones da esquerda brasileira já não fizeram discursos acalorados em defesa de nossa soberania quando a direita internacional criticou nosso país, dizendo que só aceitam essas críticas os que têm complexo de vira-latas? Ah... mas isto só vale para a direita dos países ditos "opressores" e "colonizadores", pois, quando os da esquerda "lúcida" desses países falam, mesmo que poucos, os vira-latas latem eufóricos e falam com toda a pompa: "Viram? São juristas e ex-ministros importantes de outros países!".

Compõem a lista: 1 belga, 1 espanhol, 2 mexicanos, 2 americanos, 3 franceses e 4 colombianos. Qual o motivo de tanta euforia? Imaginem quantos juristas importantes e de grande credibilidade devem existir nesses países. Vamos conferir a lista:

  • Bruce Ackerman, professor Sterling de direito e ciência política, Universidade Yale, EUA
  • John Ackerman, professor de direito e ciência política, Universidade Nacional Autônoma do México
  • Susan Rose-Ackerman, professora emérita Henry R. Luce de jurisprudência, Escola de direito da Universidade Yale, EUA
  • Alfredo Beltrán, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia
  • William Bourdon, advogado inscrito na ordem de Paris, França
  • Pablo Cáceres, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça da Colômbia
  • Alberto Costa, Advogado, ex-ministro da Justiça de Portugal
  • Herta Daubler-Gmelin, advogada, ex-ministra da Justiça da Alemanha
  • Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito, Universidade Roma Três, Itália
  • Baltasar Garzón, advogado inscrito na ordem de Madri, Espanha
  • António Marinho e Pinto, advogado, antigo bastonário (presidente) da ordem dos advogados portugueses, Portugal
  • Christophe Marchand, advogado inscrito na ordem de Bruxelas, Bélgica
  • Jean-Pierre Mignard, advogado inscrito na ordem de Paris, França
  • Eduardo Montealegre, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia
  • Philippe Texier, ex-juiz, Conselheiro honorário da Corte de Cassassão da França, ex-presidente do Conselho econômico e social das Nações Unidas, França
  • Diego Valadés, ex-juiz da Corte Suprema de Justiça do México, ex-procurador-Geral da República, México
  • Gustavo Zafra, ex-juiz ad hoc da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Colômbia

Vamos então às simples perguntas que mencionei no início:
  1. Como uma pessoa que se diz jurista pode afirmar que alguém de um outro país foi julgado e preso injustamente sem ter lido sequer uma página dos processos que o condenaram em todas as instâncias?

  2. Sem sequer ter lido a Constituição Federal e o Código de Processo penal daquele país? 

  3. Como juristas podem considerar material roubado, editado e não periciado como provas? 

  4. Leram o Art. 5, Inciso X e o Art. 220, §1º da nossa Constituição Federal sobre direito à privacidade e liberdade de imprensa?
Certamente não, o que me faz dizer, parafraseando Saulo Ramos em seu diálogo com o ministro Celso de Mello reproduzido em seu livro "Código da Vida"...

... os que assinaram essa carta são juízes de merda!


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

UM JORNALISMO QUE CUSTA A APRENDER

Visitando a página da ANJ (Associação Nacional de Jornais) vi uma nota à imprensa sobre a MP 892 dizendo que tirar a obrigatoriedade da publicação dos balanços das empresas nos jornais vai "...na contramão da transparência de informações exigida pela sociedade", além de outra matéria sobre o Conselho de Comunicação Social do Congresso destacando que "a MP é contrária à lei sancionada pelo próprio mandatário brasileiro, em abril, que autorizava as empresas a publicarem suas demonstrações financeiras de forma resumida em jornais de grande circulação a partir de 1º de janeiro de 2022, dentro de uma lógica de transição do meio papel para o digital."

Paradoxalmente, nesta mesma página há outra matéria com o título "A moeda real no mercado de notícias é a credibilidade, cada vez mais exigida pelos leitores" em que François Nel, diretor do Journalism Leaders Programme, da University of Central Lancashire, diz:
“A lei da oferta e da procura (demanda) ainda se aplica”, diz Nel em entrevista ao site da World Association of News Publishers (WAN-IFRA). “Os consumidores de notícias estão cada vez mais reconhecendo que, embora a informação seja abundante em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, informações independentes baseadas em fatos que podem ser confiáveis são escassas”.
Não são apenas os leitores que estão percebendo o crescente valor do jornalismo de qualidade, segundo Nel. As perspectivas também estão mudando entre os publishers, que têm demonstrando um crescente comprometimento em fornecer conteúdo exclusivo e de qualidade pelo qual vale a pena pagar. "Estamos vendo isso mesmo no país mais caro do mundo para dados móveis, o Zimbábue, onde as assinaturas via celular do Daily News e do Financial Gazette estão em curva crescente"
Já prevendo essa tendência mundial de migração do impresso para o digital, em 1996 o Grupo Folha fundou o UOL oferecendo novos produtos como chats, vídeos, jogos e outros além do produto "informação". A partir de 2005 a tendência tornou-se mais acentuada e outros veículos de comunicação começaram a investir mais pesadamente em tecnologia e pessoal técnico visando acompanhar essas mudanças.

Mas a pergunta é: em termos jornalísticos, os comportamentos empresarial, de marketing e editorial desses veículos acompanharam a velocidade das mudanças do perfil do leitor?

A resposta é NÃO! Em termos jornalísticos eles mantiveram a antiga pretensão de (de)formar opiniões, esquecendo-se de que a informação não estava mais restrita aos grandes veículos e seus exemplares impressos vendidos em bancas ou recebidos em casa por assinatura, hábito que fidelizava o leitor por comodidade e até por questões financeiras. Em resumo, o leitor não era mais obrigado a enfrentar a cara feia do dono da banca quando começava a folhear jornais e revistas. Com a leitura gratuita online (estratégia utilizada pelo veículo para que o leitor criasse dependência e mais tarde assinasse a versão paga), o leque de opções aumentou e os parâmetros comparativos da notícia também aumentaram. As "verdades" publicadas por um veículo passaram a ser questionadas e confrontadas umas com as outras pelo leitor. Em termos de marketing, tentaram (e ainda tentam) erradamente impor a a esse mesmo leitor "aquilo que ele deveria querer" em detrimento do que ele realmente queria. Os jornais esqueceram-se daquela velha máxima da propaganda de que demanda não se cria, a não ser que seja um produto verdadeiramente inédito, coisa impossível quando o assunto é credibilidade da informação.

A despeito da clareza da tendência, a empresa jornalística agiu e ainda age como um filho de pai rico que dá uma empresa para seu filho e cobre seus constantes prejuízos. No caso do jornalismo, esse pai rico é o governo com suas propagandas e leis obrigatórias como publicações de licitações, balanços e outras. O anunciante mesmo - aquele que valoriza o retorno de investimento -, se afasta cada vez mais das revistas e jornais impressos devido às imensas opções e variedades de estilos de propaganda que ele encontra nos atuais meios de comunicação, incluindo em suas versões digitais. Além do custo-benefício, a empresa privada passou a considerar em seus cálculos a imponderável rejeição de seus clientes por determinados veículos tendenciosos para evitar aliar sua imagem à deles.

Bem, eu apenas tentei resumir esta minha visão porque o assunto é complexo demais para ser debatido em apenas um post que pretende abordar assuntos ligados à QUALIDADE e CREDIBILIDADE da informação jornalística. Hoje em dia, o tamanho da empresa e a tradição do veículo não mais garantem a qualidade e a credibilidade da informação para o leitor politicamente consciente, chegando ao ponto de fazê-lo ignorar ou aceitar a partidarização e a ideologização editorial. E essa consciência política do leitor cresce de forma exponencial, rejeitando cada vez mais esse "nós contra eles" implantado pelo PT e que também contaminou a imprensa.

Só existem duas alternativas para essas empresas de comunicação não quebrarem: ou mudam, ou mudam.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

A LIBERDADE DE IMPRENSA QUE PROTEGE BANDIDOS

(English version below)


Como estou habituado com os que só leem títulos, sei que muitos já me ofenderão só ao fazer a postagem no Twitter e no Facebook, mas quem escreve para pessoas "normais" que têm o hábito de ler não se preocupa com isso.

Todos têm o direito à informação e a imprensa, toda liberdade para publicá-la e divulgá-la. Assim diz o Art. 220 da nossa Constituição Federal, observados os incisos IV, V, X, XIII e XIV.



No entanto há um certo conflito com o Art. 5 inciso X da mesma Constituição que não especifica se uma publicação - independentemente do sagrado direito de sigilo da fonte - que viola a intimidade, a honra e a imagem das pessoas é crime. Mas esta é uma tarefa para os notáveis ministros da nossa querida Suprema Corte que têm a função "apartidária" e "impessoal" de interpretar a Carta Magna quando provocada.

Mas este não é o objetivo principal do meu texto. A questão não é simples e envolve os desdobramentos do caso hacker e Intercept.

Existe uma massa de dados quer foi roubada (esta sim, claramente transgrite o inciso X), violando a intimidade da vida privada de procuradores, juízes e talvez até de ministros do STF (fala-se em mais de mil celulares hackeados), mas que ninguém tem conhecimento de seu completo conteúdo por estar em poder do Intercept, do grupo de hackers, de alguns fiéis depositários e recentemente da Polícia Federal em processo de investigação que corre sob sigilo de justiça.

Acontece que as mensagens publicadas pelo Intercept foram rigorosamente "pinçadas", ou seja, escolhidas segundo seus objetivos claramente políticos, sendo que essa massa de dados certamente inclui milhares de diálogos não publicados, muito provavelmente envolvendo jornalistas, políticos e outras autoridades em situações não menos embaraçosas e aparentemente suspeitas que as já publicadas.

O material além de confessadamente editado, não foi completamente revelado e muito menos periciado, cerceando o sagrado e constitucional direito de defesa dos acusados que continuam sofrendo ataques, seja em novas publicações ou nos constantes ataques da imprensa ativista que repete  sistemática e estrategicamente as primeiras revelações. Que raio de jornalismo investigativo é esse que retém parte das informações obtidas e, paradoxalmente, julga estar cumprindo o seu sagrado dever de bem informar a população?

Em resumo, a liberdade de imprensa está sendo utilizada como pano de fundo para a realização de um grande golpe nas instituições democráticas brasileiras com o objetivo libertar bandidos e livrar indiciados e investigados por seus crimes fartamente documentados.

E enquanto tudo isso acontece, a "justiça" assiste de braços cruzados. Pior... alguns de seus integrantes torcem para que a Lava Jato se desintegre e seus amigos e comparsas livrem-se da cadeia.


PRESS FREEDOM PROTECTS CRIMES IN BRAZIL

Per our Constitution, every person has the right to information and media have the right to publish and divulge it. This is what the Constitution’s article 220-IV, V, X, XIII and XIV guarantees.
Article 220. The manifestation of thought, the creation, the expression and the information, in any form, process or medium shall not be subject to any restriction, with due regard to the provisions of this Constitution.
Paragraph 1. No law shall contain any provision which may represent a hindrance to full freedom of press in any medium of social communication, with due regard to the provisions of article 5, IV, V, X, XIII and XI
Article 5. All persons are equal before the law, without any distinction whatsoever, Brazilians and foreigners residing in the country being ensured of inviolability of the right to life, to liberty, to equality, to security and to property, on the following terms:
X – the privacy, private life, honour and image of persons are inviolable, and the right to compensation for property or moral damages resulting from their violation is ensured;
However, this is not what my article is all about, since we all know that the current issue involving hackers’ invasion of the Minister of Justice’s cell phone is not an easy and straightforward issue. But it is clear that there was an invasion of privacy when personal conversation over the cell phone was stolen in flagrant breach of the Constitution. The invasion affected public prosecutors, a judge and very likely Justices of the Supreme Court (word of mouth is that more than 1000 cell phones were hacked into). However, nobody can ascertain this for sure since the “Intercept” and hackers who created this mess are still being investigated by the Federal Police and such investigation is being kept under strict confidentiality, as determined by the laws in force.

The material hacked into seems to have been “edited” and has not been completed revealed nor has it been analyzed, thus, curtailing the sacred constitutional right of the victims - the Justice Minister and Public Prosecutors - who continue to be attacked by new articles published by the activist media, which keep repeating the original revelations already published.

I sincerely do not understand this type of journalism which seems to conceal part of the information stolen by the hackers and, at the same time, paradoxically, keeps pounding on “its sacred duty to keep the population informed”.

In short, it seems that the constitutional right for a free media is being utilized by the same media as a justification to further their coup against the Brazilian democratic institutions with the vile purpose of freeing the condemned criminals and bringing the current investigations against other potential criminals to a halt; by the way, those crimes have been fully documented.

Meanwhile, “justice” has been kept in the backburner; worse, the hacking criminals, Intercept and its associates bet that the “Lava Jato” (Car Wash Operation) will be blown into pieces so that their friends and cronies be kept out of jail.

domingo, 7 de julho de 2019

Se tem uma coisa sobre o Vaticano, é que ele é rico

São Jerônimo - US$ 100 milhões
Revista Superinteressante

É difícil dizer, com precisão, o tamanho do patrimônio acumulado após séculos de catolicismo. A cidade-estado localizada em Roma goza de várias isenções fiscais e não precisa tornar sua contabilidade pública, como uma empresa comum. Além disso, o Vaticano abriga dezenas de obras de arte de valor imensurável. Mas há indícios concretos (desde terrenos e investimentos até objetos pessoais) que permitem estimar ao menos parte da riqueza papal.

Papa-tudo
Patrimônio inclui imóveis, ações e obras de arte

Um apê de responsa
Com piso de mármore do século 16 e cerca de dez salas grandes, o luxuoso apartamento que serve de moradia ao papa tem aproximadamente 230 m2, segundo estimativas. Não se sabe o valor do metro quadrado no Vaticano, mas, em Roma (onde a cidade-estado está localizada), ele pode chegar a até R$ 17 mil. Ou seja: o cafofo do pontífice valeria cerca de R$ 4 milhões

Banco imobiliário
A Igreja tem milhares de terrenos no mundo – muitos deles para uso de paróquias, escolas e hospitais. Estima-se que cerca de 700 são alugados para fins comerciais. A maioria fica na Itália, no Reino Unido, na França e na Suíça. Um desses imóveis serve de instalação para a joalheria Bvlgari, na New Bond Street – rua chique de Londres cujo aluguel gira em torno de US$ 9 mil por m2!

Cofrinho? Cofrão!
O Banco do Vaticano foi criado em 1942 para administrar os gastos da cidade-estado e as doações vindas do mundo todo. Chamado oficialmente de Instituto per le Opere di Religione, ele é um banco de investimentos. Quem aplica nele ajuda a manter, por exemplo, mais de 100 mil hospitais católicos ao redor do mundo. Estima-se que o banco guarde cerca de US$ 3,2 bilhões

Ilustra de peso
Além de obras de arte, a cidade-estado também abriga um arquivo com mais de 150 mil documentos históricos, situado em dois bunkers 6 m abaixo do solo. Lá, há uma rara edição da Divina Comédia, clássico escrito por Dante Alighieri no século 14, ilustrada por Sandro Botticelli. Só para ter uma ideia, obras desse pintor renascentista já foram avaliadas em até 20 milhões de euros

Ações em alta
O Vaticano também é dono de uma carteira de investimentos na casa dos US$ 4 bilhões. Ela inclui ações de várias empresas italianas, como Fiat e Alfa Romeo. Foram doadas à instituição na época do Tratado de Latrão, um acordo de 1929 que formalizou a cidade do Vaticano como um Estado soberano, independente da Itália

Tesouros da humanidade
O Vaticano detém obras cujo valor é inestimável, porque sequer é cogitado vendê-las. É o caso do quadro São Jerônimo, de Leonardo da Vinci, na Basílica de São Pedro. Sabe-se que a Mona Lisa, também de Da Vinci, foi avaliada em cerca de US$ 100 milhões. Não é exagero imaginar que o afresco de Michelangelo no teto da Capela Sistina, por exemplo, também chegaria a esse valor (ou passar)

Que luxo de acessório!
Alguns objetos pessoais do papa, como o anel e o cajado, são produzidos com metais e pedras preciosas. Também já houve tiaras papais (um tipo de coroa, não mais usada hoje em dia). Muitas foram presentes de chefes de Estado. Três feitas de ouro são exibidas em museus do Vaticano. A maior leva 9 kg do material, o que a faria custar R$ 900 mil. E sem contar as pedras preciosas!

OUTRAS CURIOSIDADES
  • Por volta do século 7, a Igreja Católica já era a maior proprietária de terras do mundo
  • A Igreja recebe dízimos, laudêmios, pedágios e outros impostos sobre terras consideradas suas por todo o planeta
  • Há ainda outras 20 tiaras papais guardadas, a maioria feita de prata
  • O trono papal é um mistério. Alguns historiadores alegam que é de madeira coberta com bronze dourado; outros, que é de ouro puro


Link: Matéria

Consultoria Virgílio Caixeta Arraes, professor de história da Universidade de Brasília, e Ivan Manoel, professor de história da Unesp-Franca

Fontes Levantamento de 2012 do Global Property Guide, ranking global da consultoria Cushman & Wakefield, The Guardian, BBC e Folha de S.Paulo

quinta-feira, 4 de julho de 2019

SE VOCÊ FOSSE JORNALISTA INVESTIGATIVO, ACEITARIA SER HACKEADO?


Se você fosse um jornalista investigativo, aceitaria que seu celular fosse "hackeado" sob o pretexto de ter feito matéria investigativa "injusta" contra alguém? Revelando suas fontes e seus diálogos? Rasgando a privacidade nos meios de comunicação garantida pela Constituição e rasgando o Art 157 do Código de Processo Penal?

Por favor. Responda à enquete no Twitter e compartilhe. Obrigado.

terça-feira, 25 de junho de 2019

POR QUE GILMAR E REINALDO AZEVEDO QUEREM LULA LIVRE?

Desde o indiciamento de Aécio, sua irmã e Aloysio Nunes, tanto Gilmar Mendes quanto Reinaldo Azevedo mudaram completamente suas opiniões em relação à Lava Jato. Há diversas entrevistas de Gilmar e textos do Reinaldo anteriores às implicações dos tucanos que é muito fácil encontrá-los, tanto no Youtube quanto na própria revista Veja.

Fico indignado ao ver pessoas inteligentes que acompanham política chamarem Gilmar e Reinaldo de esquerdistas apenas porque querem Lula solto. Pura dissimulação! O verdadeiro motivo é livrar seus amigos tucanos das garras da justiça, já que estão absolutamente enrolados e na fila para serem condenados e presos.

Criando um precedente para Lula, abrem caminho para um festival de habeas corpus a todos os envolvidos na Lava Jato, retardando processos que certamente levariam a muitas condenações, criando um imbróglio jurídico sem precedentes na justiça brasileira. Em resumo, soltem meus amigos bandidos, prendam juízes e procuradores. Dane-se o Brasil e viva a imoralidade!

Dois fatos recentes comprovam tal estratégia.

O primeiro foi a repentina mudança de opinião do sempre "garantista e legalista" Reinaldo Azevedo ao aceitar PROVAS ILICITAMENTE OBTIDAS (garantista/legalista?), chegando ao cúmulo de abraçar seus desafetos Snowden e Greenwald e tornar-se, junto com a Folha de S. Paulo, apoiador e divulgador desse site de jornalismo apócrifo chamado Intercept. Explico. Há 4 anos Reinaldo Azevedo escreveu na Veja:
"NAS MÃOS DE SNOWDEN E GREENWALD: As relações do Brasil com os EUA estão hoje nas mãos de um vagabundo chamado Edward Snowden e de Glenn Greenwald, seu porta-voz, que escolheu o Brasil para morar. O primeiro é um ex-agente da CIA que roubou — o verbo é esse — documentos secretos do governo americano e escolheu como refúgio a Rússia de Vladimir Putin, um iluminista que era, santo Deus!, agente da KGB. O outro, Greenwald, é um advogado convertido em jornalista, que, segundo a versão oficial, decidiu morar no Brasil em razão das tramas do coração. Encontrou aqui o seu Orfeu — o que leva parte da nossa imprensa a evocações as mais líricas."
O que aconteceu? O puro e casto legalista Reinaldo Azevedo uniu-se a vagabundos que invadem a privacidade de servidores públicos, apoiando a obtenção e o uso de provas ilícitas?

O segundo fato é um CAUSÍDICO ministro do supremo defender o uso dessas provas ilegais IMEDIATAMENTE, mesmo sabendo que o art. 157 do Código de processo Penal diz, textualmente:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. 
1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. 
2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. 
3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.
Pergunto:

É necessário dizer mais alguma coisa?

Gilmar "Causídico" Mendes e Reinaldo Azevedo "Neves" são "de esquerda"?


quarta-feira, 12 de junho de 2019

MORO: O BOM EXEMPLO VEM DE CIMA

Podemos recriminar Moro e os procuradores se fizermos uma análise isenta no aspecto legalista ou garantista, mas há um ponto que no Brasil não pode ser ignorado, embora um erro não justifique o outro.

Como não sou do ramo, procuro ler opiniões e conversar com amigos. Um deles me disse que se isto acontecesse nos EUA, por exemplo, seria um escândalo maior, mesmo sabendo que o sistema americano é diferente, com os estados tendo mais autonomia, propiciando maior celeridade aos processos e a corte de apelação (o supremo de lá) quase sempre confirmando as decisões dos tribunais de segunda instância.

No Brasil há três instâncias e o nosso STF praticamente revisa todos os processos em termos de constitucionalidade, principalmente quando os réus têm dinheiro e bons advogados. Isto provoca um imenso congestionamento, dando ao réu o direito de recorrer quase que eternamente e ao Supremo um poder quase que absoluto.

Disse tudo isso para justificar o que mencionei no início, ou seja, um ponto que não pode ser ignorado no Brasil, independentemente da análise textual das leis.

Eu me refiro aos maus exemplos que a nossa Corte Máxima dá às instâncias inferiores com os ministros que hoje temos lá. Insistindo no que eu disse sobre um erro não justificar o outro, advogados circulam livremente nos gabinetes dos ministros e têm conversas pessoais com eles. Indiciados importantes telefonam aos ministros e muitas são recebidos, tendo inúmeros exemplos dessa prática, como 43 telefonemas de Aécio a Gilmar sendo um deles no dia que o ministro tomou decisão favorável a ele, Aloysio Nunes o chamando de "nosso causídico" o advogado Kakay andando de bermudas no STF, Fachin recebendo Gilberto Carvalho com Lula sendo julgado, os R$ 100 mil mensais de Toffoli da empresa da esposa, e por aí vai. Essas práticas foram inclusive mencionadas pelo ministro Barroso em sua entrevista para a Folha há duas semanas.

Dizendo mais uma vez que um erro não justifica o outro, como isolar o fato envolvendo Moro e os procuradores dos maus hábitos dos que deveriam dar exemplo? Por que a OAB não se manifesta nesses casos do STF?

Como enfrentar essa desigualdade sem uma análise conjuntural da justiça brasileira?


terça-feira, 28 de maio de 2019

E O COAFI? CHEGARÁ A VEZ DOS BANCOS BRASILEIROS?



Aí dirão que a instituição Bradesco não tem nada com isso. Sim, pode não ter mesmo. Maus elementos existem até em instituições religiosas que "trabalham com deus".

O problema é saber o porquê de um banco não ter uma espécie de "COAFI INTERNO" que investigue transações atípicas sem o devido lastro e verificação de procedência.

Não estou crucificando a gerente que está apenas sendo investigada, mas intrigado com o fato de tantos milhões ou bilhões sendo desviados há pelo menos 20 anos, sendo que só bancos suíços e de outros paraísos fiscais estão envolvidos em transações ilícitas. Todo esse dinheiro é guardado em malas e armários?

E a eficiência do COAFI na Fazenda? Realmente funciona bem como os deputados do $entrão e outros alegam? É efetivo ou seletivo? Nas mãos do Ministério da Justiça funcionaria melhor?

Perguntas que ficam no ar.

Matéria na: Isto É

quarta-feira, 22 de maio de 2019

COAF - DEPUTADOS QUE VOTARAM CONTRA MORO

Saiba qual deputado de seu estado votou para tirar o COAF de Sérgio Moro. Lembrem-se deles nesses 4 anos e não vote neles nas próximas eleições:




NOME UF PARTIDO
Abílio Santana BA PL
Adriano do Baldy GO PP
Aécio Neves MG PSDB
Afonso Florence BA PT
Afonso Motta RS PDT
Aguinaldo Ribeiro PB PP
Airton Faleiro PA PT
Aj Albuquerque CE PP
Alcides Rodrigues GO PRP
Alencar Santana Braga SP PT
Alessandro Molon RJ PSB
Alexandre Leite SP DEM
Alexandre Padilha SP PT
Alexandre Serfiotis RJ PSD
Alice Portugal BA PCdoB
Altineu Côrtes RJ PL
Amaro Neto ES PRB
André Abdon AP PP
André Ferreira PE PSC
André Figueiredo CE PDT
André Fufuca MA PP
Arlindo Chinaglia SP PT
Arthur Lira AL PP
Arthur Oliveira Maia BA DEM
Átila Lins AM PP
Átila Lira PI PSB
Augusto Coutinho PE Solidariedade
Áurea Carolina MG PSOL
Aureo Ribeiro RJ Solidariedade
Baleia Rossi SP MDB
Benedita da Silva RJ PT
Beto Faro PA PT
Beto Pereira MS PSDB
Beto Rosado RN PP
Bia Cavassa MS PSDB
Bira do Pindaré MA PSB
Bohn Gass RS PT
Bosco Costa SE PL
Bosco Saraiva AM Solidariedade
Cacá Leão BA PP
Camilo Capiberibe AP PSB
Carlos Henrique Gaguim TO DEM
Carlos Veras PE PT
Carlos Zarattini SP PT
Celina Leão DF PP
Célio Moura TO PT
Chico D`Angelo RJ PDT
Chiquinho Brazão RJ Avante
Christino Aureo RJ PP
Cleber Verde MA PRB
Cristiano Vale PA PL
Damião Feliciano PB PDT
Daniel Almeida BA PCdoB
Daniela do Waguinho RJ MDB
Danilo Cabral PE PSB
David Soares SP DEM
Denis Bezerra CE PSB
Dimas Fabiano MG PP
Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. RJ PP
Dra. Vanda Milani AC Solidariedade
Dulce Miranda TO MDB
Edio Lopes RR PL
Edmilson Rodrigues PA PSOL
Eduardo Bismarck CE PDT
Eduardo Costa PA PTB
Eduardo da Fonte PE PP
Elmar Nascimento BA DEM
Enio Verri PR PT
Erika Kokay DF PT
Fábio Ramalho MG MDB
Fabio Reis SE MDB
Fausto Pinato SP PP
Félix Mendonça Júnior BA PDT
Fernando Coelho Filho PE DEM
Fernando Monteiro PE PP
Fernando Rodolfo PE PL
Flávia Arruda DF PL
Flaviano Melo AC MDB
Flávio Nogueira PI PDT
Frei Anastacio Ribeiro PB PT
Gastão Vieira MA PROS
Genecias Noronha CE Solidariedade
Geninho Zuliani SP DEM
Gervásio Maia PB PSB
Gil Cutrim MA PDT
Gilberto Abramo MG PRB
Giovani Cherini RS PL
Glauber Braga RJ PSOL
Glaustin Fokus GO PSC
Gleisi Hoffmann PR PT
Greyce Elias MG Avante
Guilherme Mussi SP PP
Gustinho Ribeiro SE Solidariedade
Gutemberg Reis RJ MDB
Heitor Schuch RS PSB
Helder Salomão ES PT
Henrique Fontana RS PT
Herculano Passos SP MDB
Hermes Parcianello PR MDB
Hildo Rocha MA MDB
Hugo Motta PB PRB
Idilvan Alencar CE PDT
Iracema Portella PI PP
Isnaldo Bulhões Jr. AL MDB
Ivan Valente SP PSOL
Jandira Feghali RJ PCdoB
Jéssica Sales AC MDB
Jesus Sérgio AC PDT
Jhonatan de Jesus RR PRB
João Carlos Bacelar BA PL
João Daniel SE PT
João H. Campos PE PSB
Joenia Wapichana RR REDE
Jorge Braz RJ PRB
Jorge Solla BA PT
José Airton Cirilo CE PT
José Guimarães CE PT
José Ricardo AM PT
Joseildo Ramos BA PT
Josimar Maranhãozinho MA PL
Julio Cesar Ribeiro DF PRB
Juninho do Pneu RJ DEM
Junior Lourenço MA PL
Laercio Oliveira SE PP
Lafayette de Andrada MG PRB
Leonardo Monteiro MG PT
Leônidas Cristino CE PDT
Lídice da Mata BA PSB
Lucas Vergilio GO Solidariedade
Luis Tibé MG Avante
Luiz Antônio Corrêa RJ Sem Partido
Luiz Carlos Motta SP PL
Luiza Erundina SP PSOL
Luizianne Lins CE PT
Magda Mofatto GO PL
Manuel Marcos AC PRB
Marcelo Freixo RJ PSOL
Marcelo Nilo BA PSB
Marcelo Ramos AM PL
Márcio Jerry MA PCdoB
Márcio Marinho BA PRB
Marcon RS PT
Marcos Aurélio Sampaio PI MDB
Margarete Coelho PI PP
Margarida Salomão MG PT
Maria do Rosário RS PT
Maria Rosas SP PRB
Marília Arraes PE PT
Marina Santos PI Solidariedade
Mário Heringer MG PDT
Mário Negromonte Jr. BA PP
Marlon Santos RS PDT
Marreca Filho MA Patriota
Mauro Benevides Filho CE PDT
Mauro Lopes MG MDB
Merlong Solano PI PT
Milton Vieira SP PRB
Moses Rodrigues CE MDB
Natália Bonavides RN PT
Nelson Pellegrino BA PT
Neri Geller MT PP
Nilto Tatto SP PT
Nivaldo Albuquerque AL PTB
Odair Cunha MG PT
Olival Marques PA DEM
Orlando Silva SP PCdoB
Osires Damaso TO PSC
Ossesio Silva PE PRB
Otaci Nascimento RR Solidariedade
Otoni de Paula RJ PSC
Padre João MG PT
Pastor Sargento Isidório BA Avante
Patrus Ananias MG PT
Paulão AL PT
Paulo Abi-Ackel MG PSDB
Paulo Azi BA DEM
Paulo Guedes MG PT
Paulo Pereira da Silva SP Solidariedade
Paulo Pimenta RS PT
Paulo Ramos RJ PDT
Paulo Teixeira SP PT
Pedro Augusto Bezerra CE PTB
Pedro Lucas Fernandes MA PTB
Pedro Uczai SC PT
Pedro Westphalen RS PP
Perpétua Almeida AC PCdoB
Pinheirinho MG PP
Policial Katia Sastre SP PL
Pompeo de Mattos RS PDT
Professor Alcides GO PP
Professora Dorinha Seabra Rezende TO DEM
Professora Marcivania AP PCdoB
Professora Rosa Neide MT PT
Raimundo Costa BA PL
Reginaldo Lopes MG PT
Rejane Dias PI PT
Renildo Calheiros PE PCdoB
Ricardo Barros PR PP
Robério Monteiro CE PDT
Roberto Alves SP PRB
Rodrigo de Castro MG PSDB
Rogério Correia MG PT
Ronaldo Carletto BA PP
Rosangela Gomes RJ PRB
Rubens Otoni GO PT
Rui Falcão SP PT
Sergio Souza PR MDB
Sergio Toledo AL PL
Severino Pessoa AL PRB
Silvia Cristina RO PDT
Silvio Costa Filho PE PRB
Tadeu Alencar PE PSB
Tiago Dimas TO Solidariedade
Tito BA Avante
Valmir Assunção BA PT
Valtenir Pereira MT MDB
Vander Loubet MS PT
Vavá Martins PA PRB
Vicentinho Júnior TO PL
Vilson da Fetaemg MG PSB
Vinicius Carvalho SP PRB
Vinicius Farah RJ MDB
Vinicius Gurgel AP PL
Waldenor Pereira BA PT
Wolney Queiroz PE PDT
Zé Carlos MA PT
Zé Neto BA PT
Zeca Dirceu PR PT

domingo, 19 de maio de 2019

ELES ESTÃO RINDO DE NÓS, COMO SEMPRE RIRAM

Um presidente no Brasil sempre foi Rainha da Inglaterra e sempre será enquanto este nosso sistema político durar. O problema atual é que os "preços" do apoio ganharam a estratosfera, inflacionaram o mercado do toma-lá-dá-ca. Além das vantagens financeiras, cargos no governo e em empresas públicas, a partir do Mensalão e Petrolão o salvo conduto para a bandidagem começou a fazer parte das barganhas políticas.

É óbvio que a Constituição e as leis criminais impedem que um crime seja perdoado ou esquecido, mas existem mil mecanismos que podem ser criados pelo legislativo para abrandar penas de crimes políticos e ações de boicote a projetos que endureçam o combate à corrupção. Para agravar a situação, a última instância da justiça tem indisfarçável maioria a favor da impunidade sob o disfarce de seu incompreensível "jurisdiquês".

O momento atual de balbúrdia está propício para ações desses criminosos. Independentemente dessa confusão ter sido criada pela inépcia do presidente e de sua coordenação política, ela está sendo agravada propositadamente pelos que se beneficiarão do caos político para tentarem se safar dos crimes que cometeram. Encurralados, eles até aceitam - e até torcem - para que o Brasil se transforme numa outra Venezuela para saírem ilesos.

Com a justificativa de que "o que é certo é certo e o que é errado é errado" e deve ser criticado, as críticas ao governo Bolsonaro estão fugindo de controle e virando ataques sistemáticos e generalizados diante de qualquer sinal de insatisfação, por menor que seja ele. Com isso estamos perdendo completamente a noção de ponderação e nos unindo a esse lado podre da política, mandando pro espaço nossa ordem de valores construída ao longo dos escândalos de corrupção. Inconsciente e paradoxalmente, as pessoas de bem estão se unindo aos que sempre combateram e que, num total desespero, estão aceitando qualquer tipo de ajuda, inclusive daqueles que são e sempre foram ideologicamente contrários a eles.

E não será tirando ou elegendo uma nova rainha que resolveremos este NOSSO problema.

O primeiro ministro, quem verdadeiramente manda no país, os que o elegem são ELLES.


A matéria da imagem está em: https://tinyurl.com/y2b492pk

sexta-feira, 17 de maio de 2019

FALANDO (MAIS) UM POUCO SOBRE "EDUCASSÃO"

Não é necessário ter mestrado ou doutorado para dizer que a educação brasileira vem de mal a pior há décadas, e que não serão os tamanhos das verbas destinadas no Orçamento da União ou nos estados e municípios que definirão a virada dessa vergonha mundial.

Vamos aos números. Temos 8 milhões de estudantes matriculados em 33 mil cursos de graduação de 2.364 instituições públicas e particulares, de acordo com o Censo da Educação Superior. No ensino fundamental são 50 milhões matriculados.

O Brasil está em 59º na classificação do PISA em 70 países, dez últimos do ranking. Em ciências 63º, 65º em matemática e em leitura 59º. Foram avaliadas 841 escolas brasileiras e 23.141 alunos. Estamos anos luz dos modelos da China, Finlândia e Cingapura. Tudo bem... não precisávamos estar no mesmo nível desses países para mudarmos os destinos da nação, mas não também nessa humilhante posição.

Nosso ensino superior tem boas verbas e professores bem pagos (não confundir com o que merecem receber). Per capita (por alunos), essas verbas seriam mais do que suficientes para as melhores universidades do mundo, mas aqui todas querem mais e mais para poderem melhorar a qualidade em termos de ensino e pesquisa. E a produtividade ou custo/benefício? (ver quadro abaixo que "roubartilhei" do amigo Lucas Echimenco)

Li hoje, por exemplo, que USP, Unicamp e Unesp, a pedido do Ministério Público, têm 10 dias para explicar alguns super-salários, ou seja, acima do teto de R$ 23 mil, causando prejuízos ao erário. As três universidades tiveram juntas prejuízo de R$ 62 milhões com o pagamento de salários acima do teto.

As perguntas são simples e diretas: a) Por que vemos estudantes e professores pedindo mais dinheiro e não mais qualidade no ensino? b) Por que não cobram as coisas com mais profundidade e menos superficialidade? Com menos palavras de ordem e com cartazes mais inteligentes? Analfabetismo racional ou funcional?

Estou falando sobre DÉCADAS de dinheiro mal empregado e não de contingenciamentos ou cortes. As classificações do PISA são resultado de gerações inteiras mal educadas e de dinheiro público mal empregado.

Por fim, não se trata de uma simples opinião, mas de conclusões objetivas e racionais, fundamentadas em números claros e alarmantes. Podem discordar, pois, estou sempre aberto ao contraditório.

Mas que seja de forma objetiva e também com números. Estou cansado de gente gritando chavões e palavras de ordem nos meus ouvidos.



quinta-feira, 16 de maio de 2019

SERÁ QUE OS GARANTISTAS E LEGALISTAS SE AGUENTARÃO?

Prevejo muita diversão a partir de hoje com os garantistas e legalistas das redes sociais, aqueles que diziam não ser correto comentar sobre Temer no caso dos portos, sobre FHC no caso dos US$ 100 milhões da delação de Cerveró ou de qualquer outro acusado ou investigado enquanto ele não fosse condenado, ao menos em segunda instância por colegiado. Alguns foram mais além dizendo ser prudente esperar o trânsito em julgado. Fora os que crucificaram Deltan e o Ministério Público.

O caso Flávio Bolsonaro está aí, fresquinho, à espera do silêncio deles. Das duas, uma ou as duas: ficarão roendo as unhas de vontade ou serão coerentes com seus discursos legalistas e garantistas. Eu, por exemplo, acredito piamente que existam ratos roendo atrás dessa moita. Dezenove imóveis e eu deixarei de comentar e esperar o trânsito em julgado? Nunquinha!

Permanecerei na minha, como sempre, comentando sobre investigados e acusados; sobre delações vazadas e matérias da imprensa investigativa e dando as minhas opiniões sem o menor constrangimento. Sem necessariamente mandar prender ou guilhotinar sem provas como um jacobino.

Não acredito em tudo o que a grande imprensa diz, mas também não acredito que um veículo de comunicação se exponha arriscando ser processado ou fechado sem estar de posse de provas que sustentem suas matérias investigativas. A Revista Crusoé está aí para provar isto.

Aguardemos, mas comentemos. É a liberdade de expressão exercida com certos cuidados, comentando sem degolar ninguém, mas também sem ignorar o que está acontecendo.

Estando sempre atento e aberto a novos fatos.

domingo, 12 de maio de 2019

ELES DIZEM QUE NÃO TÊM MEDO DAS REDES SOCIAIS

Essa foi a última que ouvi de um interlocutor do legislativo quando perguntado se as redes sociais os assustam. E é verdade... esse Centrão, tão mal cheiroso como aquele outro centro do corpo humano que a gente conhece, pensa exatamente assim. Eles não têm medo porque as críticas e ameaças das redes sociais não são físicas, só (por enquanto) por meio de palavras.

Se dividirmos esse Centrão asqueroso como num gráfico de pizza - aliás, o gráfico mais adequado para representá-los - teremos três partes distintas com percentuais indefinidos, já que agem sorrateiramente e de forma dissimulada: corruptos, amigos ou parentes de corruptos e interesseiros. Nas questões que envolvem moral e bons costumes, para eles tanto faz.

Esses covardes aproveitadores se escondem sob o manto do foro especial, protegidos por seguranças, carros blindados e estimulados por seus salários e benefícios de R$ 180 mil por mês que saem do NOSSO SUADO DINHEIRO dos impostos. Vivem num outro Brasil que não depende de crescimento econômico, de vendas no varejo e muito menos da oferta de empregos.

Agem como se ainda vivessem naquela época em que bastavam quatro anos - ou menos - para que os eleitores se esquecessem de todas as suas mazelas e seus conluios. É o que chamamos de velha política, aquela que poetas como Alckmin e outros dizem não existir, pois, pra eles só existe a má e boa política. Pura semântica linguística! Bullshit como dizem os gringos.

Guardadas as devidas proporções, o mesmo pensam os ministros do Supremo com um agravante: o martelo da justiça que a Constituição colocou em suas mãos. Deitam e rolam com ele. Batem nas nossas cabeças e esmagam o bom senso em suas decisões.

Continuem assim, sem medo. Chegará o momento em que todos vocês ouvirão um basta uníssono do povo cansado de tanta desfaçatez e a Praça dos Três Poderes será tomada pela população. Aí já será tarde demais.

Como escreveu Victor Hugo, "Em tempo de revolução, cuidado com a primeira cabeça que rola. Ela abre o apetite ao povo."

segunda-feira, 6 de maio de 2019

MAL NECESSÁRIO

Sinto-me às vezes como numa vitrine política, cheio de etiquetas e rótulos. Conservador, reacionário, direita, esquerda, humanista e até de comunista já me chamaram (rs). Acontece que tenho o costume de comentar FATOS PONTUAIS e procuro não comentá-los baseando-me apenas em minhas preferências pessoais, já que há muito tempo abandonei as ideológicas. Tento diversificar e não ficar batendo ou alisando determinado partido ou político. O certo e o errado são definições absolutamente pessoais, fundamentadas em razões que envolvem caráter, experiências observadas e nunca definitivas para que não se transformem em horrorosas e teimosas convicções.

A culpa de Bolsonaro estar aí é da própria esquerda que não acompanhou as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, principalmente na consciência política dos cidadãos e nos seus anseios. O comunismo foi perdendo credibilidade à medida que sua verdadeira história vinha à tona com o acesso à informação. Lenin, Mao Tsé-Tung, Che Guevara e outros mitos intocáveis foram desmascarados deixando seus seguidores completamente desamparados. Numa tentativa de sobrevivência, o comunismo migrou para o socialismo, uma espécie de marxismo moderado não revolucionário.

No Brasil foram criadas inúmeras nuances de esquerda e a direita praticamente desapareceu das disputas políticas. Com o desencanto do povo nesses 14 anos de PT/MDB, com a desmoralização do PSDB - único representante da esquerda moderada (centro-esquerda) - e sem nenhum partido de direita, a escolha recaiu sobre a pessoa de um político praticamente sem partido que preencheu esse "buraco" com um discurso anti-corrupção, mas também reacionário e ultra-conservador. Foi uma espécie de "não tem tu, vai tu mesmo". Por pior que Bolsonaro seja, é ele que está forçando a esquerda se reposicionar e rever esse seu esquerdismo deteriorado, ultrapassado e corrupto.

Os eleitores ficam apontando seus dedos uns para os outros como se não fossem responsáveis por nada disso que aconteceu e está acontecendo. Vamos experimentar um remédio amargo, mas necessário. O povo será forçado a se desideologizar, acabar com esse binarismo de direita e esquerda idiota, entendendo que o pragmatismo é a melhor forma de selecionar e eleger seus representantes.

domingo, 5 de maio de 2019

A VELHICE ASSUMIDA

Nada daquela história de que o importante é ter a cabeça jovem. Minha cabeça é de velho mesmo, com muito orgulho. E não existe coisa mais ridícula no mundo do que um velho que não assume a sua velhice e se desdobra para acompanhar com o corpo o que com a cabeça já lhe bastaria.

Tem também os velhos não assumidos e nostálgicos que ficam dizendo: "já pensaram se a gente fosse jovem com a cabeça de hoje?". Posso garantir que só daria merda. Não arriscaríamos em nada e não aprenderíamos nada porque obedeceríamos cegamente nossos pais. Não teríamos amigos - quem aceitaria um porre desses na turma? - e nossos programas seriam planejados, organizados e... entediantes!

Nós, velhos assumidos, temos a vantagem de entender crianças, jovens e maduros melhor do que ninguém porque já fomos todos eles enquanto eles nunca foram velhos. E essa história de que estamos por fora é coisa de velhos do passado. Hoje a realidade se escancara e nada mais nos surpreende ou nos assusta.

Outra coisa boa é o "foda-se" dos velhos assumidos. Ele é sincero e sereno, não aquele "foda-se" irritado dos mais jovens que o usam como último recurso. O "foda-se" dos velhos assumidos está na ponta da língua, pois, conforme a situação, o papo ou o assunto eles já sabem no que vai dar.

Nós, velhos assumidos, perdemos a dureza e ganhamos humor, suavidade e sensibilidade. Como escreveu Pedro Chagas Freitas, em seu livro "Prometo Falhar", "A grande vantagem da vida é ensinar-nos outra vez a chorar."

domingo, 21 de abril de 2019

É POSSÍVEL DEBATER COM CIVILIDADE

Quem gosta de debater política de forma séria e civilizada não se incomoda com o contraditório quando ele vem recheado de bons argumentos. O bom debate exercita o cérebro e dinamiza opiniões. Quantas vezes já mudei de ideia sobre determinado assunto e quantas vezes ainda mudarei diante de um fato que desconhecia, de uma nova realidade. Como diz José Simão, quem fica parado é poste.

Debater é uma prática saudável, mas o duro é ter que aguentar os convictos, aqueles que surtam quando o assunto os tiram da caixinha e exige um raciocínio mais abrangente, com mais variáveis. Muitos desistem e já partem para a desconstrução pessoal, recurso preferidos dos preguiçosos e impensantes.

Pra facilitar meu trabalho, costumo dividir essa turma em quatro principais classes: os binários, os ternários, os dissimulados e os fanáticos. Explico.

BINÁRIOS são aqueles do zero e do um, do nós contra eles. Que no infinito degradê que vai do branco ao preto enxergam apenas os dois extremos. Na política ou é petralha ou bolsominion; esquerda ou direita; socialista ou capitalista; progressista ou reacionário; nazista ou humanista; democrata ou ditador, e por aí vai.

TERNÁRIOS são aqueles que já admitem uma terceira hipótese, uma a mais que o binário. A terceira é que você é um "isentão" ou politicamente correto se não se encaixar em nenhuma das duas primeiras. Raciocinar com mais de três hipóteses pode causar danos irreversíveis em seus cérebros.

DISSIMULADOS são os que se escondem atrás de uma pretensão não revelada. Estão a serviço de alguém ou querendo vantagens para si próprios. Criticam quem está no poder porque desejam candidatar-se nas próximas eleições, mamaram nas tetas de um governo opositor anterior, mamam na oposição atual ou querem mamar no próximo governo.

FANÁTICOS dispensam muitos comentários e podem ser definidos na frase de Oliver Holmes: “A mente de um fanático é como a pupila do olho: quanto mais luz incide sobre ela, mais ela se irá contrair.” São indivíduos cheios de convicções e todo argumento contrário os irrita profundamente. Se não conseguirem destruir seus argumentos, vão tentar destruir você.

As linhas divisórias entre essas classes são quase imperceptíveis, mas com um pouco de paciência, experiência e consciência política você poderá identificar facilmente essas espécies de debatedores logo após suas primeiras palavras. E ao identificá-los, melhor a fazer é ficar em silêncio e sair de mansinho.

Insistir será a mais pura perda de tempo.

domingo, 14 de abril de 2019

SENADOR KAJURU - QUANTO CUSTA O STF PARA O BRASIL

O senador Kajuru se revolta com as contas do Supremo Tribunal. Gastos com funcionários efetivos e terceirizados, aulas de yoga e respiração, até caminhões entre os veículos da corte, auxílio natalidade, auxílio funeral, despesas médicas e odontológicas entre outras mordomias além dos altos salários dos ministros.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

QUANTO CUSTAM NOSSOS DEPUTADOS ESTADUAIS?

Sei que muitas pessoas não são chegadas em números, mas o eleitor tem que se esforçar um pouco e tentar entender para onde vai o dinheiro dos suados impostos que pagamos. Tentar entender e questionar ao menos os gastos, contingenciamentos e cortes do orçamento.

Vamos como exemplo pegar uma parte do orçamento do Estado de São Paulo para 2019 (total de R$ 231 bilhões) destinada à Assembléia Legislativa, onde trabalham (ou deveriam trabalhar) os deputados estaduais que elegemos. O Estado gastará perto de R$ 1,3 bilhão com o legislativo estadual, ou seja, aproximadamente 6% do orçamento. Se incluirmos o Tribunal de Contas, esse percentual chegará perto de 10% do orçamento, mas vamos nos ater apenas à ALESP.

Desses R$ 1,3 bilhão, R$ 1 bilhão é gasto com Pessoal e Encargos Sociais, ou seja, 60% desse orçamento considerando o Tribunal de Contas (total de R$ 2,2 bilhões).

Deputados eleitos do Partido Novo estão cortando de 50 a 70% das verbas de gabinete destinadas a despesas com assessores. Para que tenham ideia do que isso representa, se todos os 94 deputados aderissem ao mínimo de corte prometido pelo Novo, estaríamos falando de uma economia de R$ 500 milhões por ano, ou o equivalente a quase 6 Projetos Guris que a Secretaria de Cultura pensou em cortar, ou 9 hospitais de 200 leitos com UTI, ou 10 mil casas populares, e por aí vai.

Cada deputado estadual tem direito a 32 assessores (isso mesmo, TRINTA E DOIS) com salário médio de R$ 9 mil mensais, sendo que alguns recebem valores acima de R$ 20 mil. É só multiplicar 94x32x12meses e poderão entender o que isto significa para os cofres públicos.

Vamos então ao resumo do que os Deputados fazem por nosso estado e quanto custam. Transcrevo matéria da Gazeta de São Paulo:

"A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) custará aos cofres públicos R$ 1,18 bilhão em 2018. Esse número representa 4,5% a mais que do ano passado com R$ 1,13 bilhão. Só para constar, cada lei aprovada pelo Poder Legislativo nos últimos dois anos custou R$ 4 milhões. Dos projetos elaborados e apreciados pelos deputados, aproximadamente 80% são para denominação de ruas. Além disso, outros temas de pouca importância foram sancionados, como por exemplo a Lei Estadual nº 16.550, do “Dia da Memória Pet”. Contabilizando, cada um dos 94 deputados dispõe de uma elevada estrutura composta por salários de R$ 25.322,25, mais auxílio gabinete mensal de R$ 31.337,50 para gastos diversos, equipe de 16 a 32 cargos com dedicação exclusiva ao deputado além de gratificação especial de desempenho para si e sua equipe, que varia de R$ 520 a R$ 5.200 mensais.Se isso não bastasse, os deputados contam ainda com a cessão de servidores comissionados de outros órgãos, reembolso integral de despesas com saúde, um ou mais escritórios na Alesp, um veículo de uso exclusivo e impressão pela gráfica da Alesp e direito ao uso de sua estrutura para realização de eventos. No total, a Alesp conta com 3,8 mil funcionários na ativa, sendo 3,3 mil comissionados nomeados por indicação e mais 500 funcionários efetivos, estes últimos concursados. Juntos com os servidores inativos, o estado paga R$ 1 bilhão em despesas de pessoal e auxílios por ano. Só para se ter uma ideia, toda a estrutura do governo federal dos Estados Unidos conta com 4 mil cargos comissionados. A Assembleia Estadual de Nova Iorque custa por ano o equivalente a R$ 715 milhões, cerca de 60% do custo da Alesp. Durante quatro anos, a Alesp gasta o equivalente a construção de 225 creches, a manutenção anual de 10 hospitais ou a todo o orçamento da Secretaria Municipal de Assistência Social de São Paulo anualmente. Segundo Leonardo Sales, mestre em economia do setor público pela Universidade de Brasília (UnB), a Alesp é apenas o 8º legislativo estadual mais eficiente do Brasil. De acordo com os números, cada deputado cria, em média, 2,8 leis por ano, custando cerca de 24,25 por habitante paulista."

Aos que se interessarem em começar a estudar sobre o Orçamento do Estado, no endereço http://www.orcamento.planejamento.sp.gov.br/orcamentaria-anual poderão baixar os arquivos. Sempre lebrando que as contas não estão detalhadas e, para isto, você como cidadão poderá solicitar o detalhamento pela Lei da Transparência.

Se você tivesse uma empresa, deixaria seus funcionários gastando à vontade sem questioná-los, repreendê-los, demiti-los ou substituí-los se necessário?

Pois é... o dinheiro do orçamento é "dinheiro de ninguém", parece que cai do céu. Parlamentares, meus amigos,  são nossos funcionários e não "excelências" e "autoridades" inatingíveis. Devem ser cobrados, questionados, repreendidos e demitidos nas urnas se necessário.





domingo, 31 de março de 2019

OS MEUS MORTOS; OS SEUS MORTOS

Discutir 64 é reduzir as guerras ideológicas a apenas um evento, como se as atrocidades das ideologias na história do mundo pudessem ser resumidas num exemplo, seja ele em que a esquerda ou a direita radical, o nazismo ou o fascismo venceram ou perderam.

Todos discutem e reagem a favor de "seus mortos", mas ninguém discute sobre "seres humanos mortos". É o inverso intrínseco ao pensamento de Fernando Pessoa:

Tudo vale a pena se a alma [não] é pequena?

"Nenhum homem é uma ilha isolada; cada um é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti." (John Donne)

Evoluímos? Mortes e torturas valeram alguma coisa? Valeram para os que ganharam. Valeram para que os que perderam pudessem ganhar depois.

"Agradeço não ser uma das rodas do poder, mas sim uma das criaturas que são esmagadas por elas." (Rabindranath Tagore)

A Roda do Samsara.

sexta-feira, 22 de março de 2019

ROUBO DO ERÁRIO É CRIME CONTRA A HUMANIDADE

Os chamados "operadores do direito" não vão gostar muito do que vou escrever, mas há uma frase de Nietzsche que define muito bem essa atividade, seja de juízes, ministros, procuradores, advogados e os demais: "Os leitores extraem dos livros, consoante o seu caráter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores, uma retira o mel e a outra o veneno." Direito não é ciência exata. Se assim fosse todas as decisões nos tribunais seriam unânimes. Portanto, a decisão de um magistrado está ligada ao seu caráter. Consequentemente, quando um juiz tem na cabeça uma ideia fixa como Gilmar Mendes e outros já conhecidos, rebuscam, interpretam e sofismam em "juridiquês".

A decisão de Bretas poderá ser aceita ou contestada, mas no sentimento daqueles que desejam um país melhor, não só Temer como outros já deveriam estar presos e respondendo pelos seus crimes. O direito nasceu do sentimento de justiça do homem, portanto, veio depois dele numa tentativa de realizá-la por meio de leis. Quando esse sentimento humano está isento de ódio e vingança (justiçamento) ou de interesses (partidários, ideológicos ou pessoais), acredito muito mais nele, mesmo de um leigo em direito, do que em mil argumentos forjados a partir de convicções.

O que poucos entendem é que não estamos falando apenas de roubos e desvios como aqueles dos bancos que o seguro cobre, mas de assassinatos de idosos, crianças e inocentes nas filas do SUS, nos corredores dos hospitais e nas ruas por falta de investimentos em saúde e segurança. Como essas mortes são silenciosas e estão distantes da mídia cotidiana, são banalizadas e tidas como obras do destino. Para mim, quem rouba dinheiro público é o pior dos bandidos, autor e praticante de crimes contra a humanidade.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ESTADÃO "FOLHEANDO"?

Pelo visto o Estadão também adotou o estilo Folha de interpretação. Não sou nenhum defensor de Bolsonaro e pela última vez (daqui pra frente só se me perguntarem) vou dizer que não votei nele, mas torço para que o governo dê certo porque moro no Brasil e não pretendo sair daqui. Sobre o Estadão, é ainda um dos poucos veículos sérios do Brasil.

Embora eu tenha algumas discordâncias em relação à forma ÚNICA de comunicação de Bolsonaro pelo Twitter dispensando um bom porta-voz (ao menos por enquanto), o texto do Estadão corrobora com a crítica de Bolsonaro. Vejamos:

"Em entrevista ao portal do Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, disse que é preciso "divulgar tudo o máximo que puder" e "estar aberto para a imprensa". O discurso contraria o que tem sido dito pelo presidente Jair Bolsonaro, que constantemente acusa setores da mídia de inventarem mentiras." (Política - Estadão)

O discurso de Santos Cruz, não contraria o que foi dito por Bolsonaro pelo simples fato dele nunca ter dito que estaria sonegando informações para a imprensa ou controlando conteúdo de ninguém. Na verdade o Estadão UNIU por sua conta e risco três coisas distintas, mas que não se coadunam: 1) Não privilegiar veículos com verbas de publicidade; 2) Invenção de mentiras na mídia; 3) Opção de ele próprio comunicar-se com os eleitores.

Já dei a minha opinião sobre a necessidade de Bolsonaro estruturar sua área de comunicação, mas o Estadão dar a entender de que ele sonegará informações para a imprensa ou que não é a favor de "divulgar o máximo que puder" é inferência ou desonestidade intelectual.

Não vou me estender aqui sobre razões e nem citar matérias incompletas e não comprovadas de jornalistas como Patrícia Campos Mello e outros militantes da imprensa, mas a maioria dos problemas está em seus editores pouco cuidadosos (pra não dizer outra coisa), normalmente loucos para um furo jornalístico arrebatador.

Passar pessoalmente informações, não privilegiar veículos com verbas e comunicar-se diretamente no Twitter são PRERROGATIVAS do presidente. Todos os ministros têm falado sobre assuntos de suas áreas de responsabilidade com autonomia. A imprensa sempre terá informações.

O que está difícil é "alguns setores da mídia" não terem entendido até agora que o QUARTO PODER está se pulverizando, e que a qualidade editorial será cada vez mais exigida por seus consumidores.

E por seus anunciantes também.

Matéria:https://goo.gl/wGXRdX

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