segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ESTADÃO "FOLHEANDO"?

Pelo visto o Estadão também adotou o estilo Folha de interpretação. Não sou nenhum defensor de Bolsonaro e pela última vez (daqui pra frente só se me perguntarem) vou dizer que não votei nele, mas torço para que o governo dê certo porque moro no Brasil e não pretendo sair daqui. Sobre o Estadão, é ainda um dos poucos veículos sérios do Brasil.

Embora eu tenha algumas discordâncias em relação à forma ÚNICA de comunicação de Bolsonaro pelo Twitter dispensando um bom porta-voz (ao menos por enquanto), o texto do Estadão corrobora com a crítica de Bolsonaro. Vejamos:

"Em entrevista ao portal do Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, disse que é preciso "divulgar tudo o máximo que puder" e "estar aberto para a imprensa". O discurso contraria o que tem sido dito pelo presidente Jair Bolsonaro, que constantemente acusa setores da mídia de inventarem mentiras." (Política - Estadão)

O discurso de Santos Cruz, não contraria o que foi dito por Bolsonaro pelo simples fato dele nunca ter dito que estaria sonegando informações para a imprensa ou controlando conteúdo de ninguém. Na verdade o Estadão UNIU por sua conta e risco três coisas distintas, mas que não se coadunam: 1) Não privilegiar veículos com verbas de publicidade; 2) Invenção de mentiras na mídia; 3) Opção de ele próprio comunicar-se com os eleitores.

Já dei a minha opinião sobre a necessidade de Bolsonaro estruturar sua área de comunicação, mas o Estadão dar a entender de que ele sonegará informações para a imprensa ou que não é a favor de "divulgar o máximo que puder" é inferência ou desonestidade intelectual.

Não vou me estender aqui sobre razões e nem citar matérias incompletas e não comprovadas de jornalistas como Patrícia Campos Mello e outros militantes da imprensa, mas a maioria dos problemas está em seus editores pouco cuidadosos (pra não dizer outra coisa), normalmente loucos para um furo jornalístico arrebatador.

Passar pessoalmente informações, não privilegiar veículos com verbas e comunicar-se diretamente no Twitter são PRERROGATIVAS do presidente. Todos os ministros têm falado sobre assuntos de suas áreas de responsabilidade com autonomia. A imprensa sempre terá informações.

O que está difícil é "alguns setores da mídia" não terem entendido até agora que o QUARTO PODER está se pulverizando, e que a qualidade editorial será cada vez mais exigida por seus consumidores.

E por seus anunciantes também.

Matéria:https://goo.gl/wGXRdX

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

VOCÊ TEME A DEUS?

Com os últimos acontecimentos no caso de João de Deus assistimos a um bombardeio de críticas sobre o caso e só temos a lamentar todas as histórias relatadas pelas mulheres que foram assediadas ou abusadas.

Confesso que esse é um assunto muito delicado como todos que envolvem religião e fé, mas sinto necessidade de escrever sobre o assunto e o faço sem o menor constrangimento.

Sou filho e neto de kardecistas, tendo praticamente nascido assistindo a reuniões em "mesas brancas" e convivendo com médiuns. Aos 17 anos senti forte impulso para ler e estudar esoterismo, chegando a devorar de 3 a 5 livros por semana sobre vários assuntos ligados ao tema. Numerologia, piramidologia, cromoterapia, radiestesia, entre outros. Li resumos comentados e debatidos do Velho e Novo testamentos, do Evangelho de Kardec, Baghava Gita, enfim, nem tenho como fazer um cálculo preciso do tanto que li.

Embora tivesse tendência à espiritualidade universal e esoterismo, casei-me numa igreja católica, meus filhos foram batizados, fizeram primeira comunhão e frequentei missas. Fui padrinho de casamento em templo evangélico e participei durante muitos anos de reuniões espíritas.

Aos 27 anos interessei-me pela Meditação Transcendental, fiz vários cursos residenciais, inclusive o de Sidhis. Interessei-me pela Projeciologia e Conscienciologia de Waldo Vieira, fiz todos os módulos, inclusive o avançado. Fiz dois módulos do Pró-Vida, Reiki I e II, participei da Ordem dos Filhos da Luz e aprendi um pouquinho sobre Ayurveda.

Por que estou contando tudo isto? Para poder dizer que conheci seres humanos maravilhosos em todos esses lugares por onde passei, mas que tive também experiências não muito gratificantes. É a vida como ela é, seja ela materialista ou espiritualista. Guardamos o que foi bom, revemos nossos erros (inclusive os de avaliação) e aprendemos a trabalhar frustrações, muitas vezes originadas de nossas próprias expectativas. E comigo não foi diferente. Embora eu hoje seja agnóstico, não desprezo nenhuma das experiências que tive, os fatos ainda inexplicáveis pela ciência os quais presenciei e os queridos amigos que conheci.

Aprendi a diferenciar Espiritismo de espíritas, Catolicismo de católicos, Meditação de meditantes, Evangelicalismo de evangélicos, Budismo de budistas, Conscienciologia de conscienciólogos e assim por diante. Religiões, doutrinas e filosofias não podem ser confundidas com seus humanos praticantes e aprendizes.

Eu não tenho religião, considero-me espiritualista, mas afirmo que nenhuma delas pode se aproveitar de casos como esse de João de Deus para jogar pedras umas nas outras. Basta ler jornais para encontrarmos casos semelhantes em todas elas. O que deve ser avaliada é a necessidade de existir uma religião para que o ser humano apenas ame e respeite o seu próximo por medo de ser punido pelo "Alto", por uma indecifrável força do desconhecido. As condutas de seus líderes e adeptos devem ser avaliadas, entendendo que eles devem responder por seus atos impensados como qualquer outro cidadão do mundo, independentemente do que representaram ou representam para suas religiões.

"Temer a Deus" é um termo muito utilizado por religiosos. Seja esse deus um velho barbudo sentado num trono ou uma energia criadora amorfa que permeia o Todo e o Tudo, certamente ele(a) tem coisas mais importantes pra fazer neste mundo que Ele criou do que ficar vigiando e punindo marmanjos aos quais concedeu o livre arbítrio.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

UM DIA, QUEM SABE, ISSO DEIXARÁ DE SER "NORMAL"

Para os que acham "normal" um senador, deputado ou vereador ficar com parte do salário de seus contratados, prática quase institucionalizada no país, vamos fazer uma continha rápida, só no Congresso.

O Congresso tem 594 parlamentares (81 senadores e 513 deputados). Cada um tem direito a R$ 78 mil por mês para despesas com salários de assessores, ou seja, R$ 550 milhões por ano. Notem que estou me referindo apenas a salários, já que a verba total de gabinete de cada parlamentar é de cerca de R$ 180 mil por mês.

Vamos supor que apenas 50% dos contratados (cálculo otimista) devolva 40% de seu salário para o parlamentar contratante (R$ 225 milhões x 40%), estamos falando de R$ 90 milhões por ano (quase dois hospitais novos de 200 leitos), seja em benefício dos partidos ou dos próprios parlamentares.

Agora estenda algo semelhante em termos proporcionais para 27 assembleias legislativas estaduais e mais de 5 mil câmaras municipais do Brasil. E veja que estou excluindo o executivo e nem considerando as verbas totais de gabinetes, muito menos falando de corrupção por meio de favorecimentos com projetos de lei que são "comprados" pelos interessados. Falo de verba CONSTITUCIONAL.

Você que considera essa prática um "pequeno delito" quando envolve seus heróis políticos; que considera dinheiro público algo trazido de algum outro planeta por um ET, pode achar isso "normal".

Eu não acho.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

OS ESQUERDOPATAS, OS BOLSOMINIONS E DEUTERONÔMIO

O Brasil está doente, muito doente e só não enxerga quem não quer. A podridão é generalizada, a proteção aos maus costumes e a impunidade foram institucionalizadas. Não adianta arrumar desculpas para suavizar nossas frustrações e mantermos a ilusão de que o país sairá da lama num passe de mágica, que se reerguerá sem grandes traumas e sem deixar cicatrizes. Não se trata de pessimismo, mas sim da mais pura realidade. O otimismo a gente reserva para a esperança de sair desse caos da forma menos traumática possível.

Hábitos perniciosos do legislativo como contratar assessores com a condição de devolverem parte de seus salários e de favorecerem grupos criando leis específicas mediante contrapartidas; do executivo nomeando para devolver favores em detrimento da competência técnica; da imprensa militante e interesseira que esconde fatos e denuncia com meias verdades; de um Supremo que judicializa a política e que protege alguns sofismando em jurisdiquês; de órgãos controladores como o COAF que sofrem de miopia para enxergar certos casos e de hipermetropia para outros; dos bancos que sempre ganham e nunca perdem... enfim, o Brasil é uma democracia em que a única liberdade que o povo tem é a de escolher seus próprios carrascos.

E o fanatismo das militâncias complica ainda mais essa situação de penúria. Para os fanáticos, o salvador é mais importante que a salvação e a ideologia mais importante que os estragos que ela provoca em sua implantação. A esquerda que perguntava "e o Aécio?" foi substituída pela direita que grita "e o Lulinha?". Nenhum deles pergunta "e a corrupção?". O meu bandido é bem intencionado e menos bandido que o bandido deles. Seu método de tortura é "mais humano".

Vejo alguns amigos divididos entre a vaidade de não voltar atrás e a coerência dos argumentos que justificaram suas escolhas. A força dessa vaidade é tão grande que subestimam a inteligência daqueles que concordavam com eles e que hoje não concordam mais.

E quando me perguntam se este país tem JEITO, embora eu seja agnóstico respondo citando a Bíblia porque está na moda: sim, o país tem JEITO... um jeito todo especial para medir e pesar usando dois pesos e duas medidas, contrariando Deuteronômio em 25:13-16:

"Não carregueis convosco dois pesos, um pesado e o outro leve, nem tenhais à mão duas medidas, uma longa e uma curta. Usai apenas um peso, um peso honesto e franco, e uma medida, uma medida honesta e franca, para que vivais longamente na terra que Deus vosso Senhor vos deu. Pesos desonestos e medidas desonestas são uma abominação para Deus vosso Senhor".

sábado, 8 de dezembro de 2018

DE ONDE VEM O DINHEIRO?

Há muito tempo perguntamos sobre a origem do dinheiro dos pagamentos feitos a advogados de muitos criminosos, inclusive os que defendem indiciados, acusados e condenados pela Lava Jato. O advogado do autor do atentado contra Bolsonaro se explica sobre a origem do dinheiro que recebeu para defendê-lo:

"Em depoimento, Zanone contou que se reuniu com o desconhecido em seu escritório em Belo Horizonte, Minas Gerais, na manhã seguinte ao atentado, em 7 de setembro. Naquele encontro, o advogado disse que cobrava, em média, 150 000 reais em honorários. Mas o contratante achou o valor alto. O criminalista, então, topou dar um desconto de 83% — e receber 25 000 reais até a conclusão da investigação da Polícia Federal. 'Aquela pessoa aceitou a proposta e pagou inicialmente o valor de 5 000 reais em dinheiro', disse Zanone. O restante seria pago em outras parcelas mensais. No entanto, o interessado em ajudar Adélio 'desapareceu'."

"À Polícia Federal, o advogado contou um episódio curioso: um de seus parceiros na causa, o criminalista Pedro Possa, chegou a dizer para Adélio que a mãe do esfaqueador estava pagando os honorários da defesa, mas quando soube que 'ELA ERA FALECIDA disse apenas que era alguém do seu relacionamento da igreja'. Questionado sobre a identidade do 'patrocinador', o advogado disse que não a revelaria para preservar o sigilo profissional e a integridade física do contratante, 'que corre risco de morte'." (Veja)

Adianto que o fato de termos dúvidas não significa que esses pagamentos provém de fontes ilícitas, mas sim que nunca vimos um relatório do COAF sobre movimentações financeiras atípicas desses advogados ou a OAB se preocupando com a ética desses recebimentos.

As entidades que representam aqueles que atuam no judiciário (OAB, AJUFE entre outras) também só se manifestam quando seus representados têm interesses em causas salariais ou são agredidos pelo cidadão comum, mas quando o imbróglio envolve altos cargos do sistema, como no recente caso do desabafo do advogado no avião ao ministro Lewandowski, o corporativismo e puxassaquismo os fazem optar por defender a hierarquia em detrimento do livre direito de manifestação de seus associados. A ética dessas entidades é seletiva e está longe da própria justiça que um dia juraram defender. Enfim, a justiça como um todo precisa de uma Lava Jato exclusiva.

E ninguém melhor que Eliana Calmon, ex-ministra do STJ e ex-corregedora nacional de Justiça para falar sobre o assunto: "A Lava Jato foi um divisor de águas para o país. A partir dela vieram à tona as entranhas do poder brasileiro, e sua relação com a corrupção em todos os níveis de Governo. Mas para que tudo isso fique muito claro, seja passado a limpo de fato, precisa se estender para todos os poderes. Muitos fatos envolvendo o Executivo e o Legislativo vieram à tona, mas o Judiciário ficou na sombra, é o único poder que se safou até agora."

Realmente, o advogado do avião estava errado. Ele deveria ter falado não só do STF, mas que temos vergonha desse sistema podre que envolve toda a justiça brasileira.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A PREVISIBILIDADE DA SUPREMA CORTE BRASILEIRA

O ministro Alexandre de Moraes iniciou seu voto sobre o indulto de Natal de Temer, dizendo que a credibilidade do STF não pode ser afetada quando a população não gosta de suas decisões, pois, elas são técnicas e arrazoadas, baseadas nas interpretações de seus ministros sobre a constitucionalidade das ações que são julgadas.

Os ministros adoram citar os EUA como exemplo de democracia e justiça, mas lá a Suprema Corte não é tecnocrata e muitas vezes juízes decidem fundamentados na essência da Constituição. Aqui, o casto "jurisdiquês" serve como "embromation" para justificar votos suspeitos. Embora não tenha força de lei, o preâmbulo da nossa Constituição - que é seu espírito - é simplesmente ignorado nos casos em que os ministros estão divididos em suas interpretações literais e tecnocráticas.

Em tese Alexandre de Moraes tem razão, mas será que a população considerada leiga pelos ministros não teria motivos para desconfiar da imparcialidade dessas decisões? Eu diria que sim, que pelo histórico recente do STF o povo não só tem motivos como também o direito constitucional de desconfiar. A população mais esclarecida pode ser leiga em Direito, mas sabe observar e raciocinar sobre aquilo que observa.

A questão é bem simples: em qual Suprema Corte do mundo um observador, dependendo do réu e da causa, pode prever qual será o voto de um ministro antes que ele o profira? Na Banânia, lógico! Aqui a jabuticaba nasce, cresce, floresce e dá frutos em qualquer terreno dos três poderes.

No Brasil as jabuticabas são os brioches do povo.

domingo, 25 de novembro de 2018

HITLER SERIA BEM SUCEDIDO NO SÉCULO XXI?

Em primeiro lugar é importante dizer que quando escrevo um texto não tenho objetivo de ofender as pessoas. Alguém pode não concordar, mas sentir-se ofendido é coisa de fundamentalista. Meu objetivo é apenas e tão somente o de fazer refletir.

O nazismo foi implantado após um período de democracia na Alemanha. Um dos riscos da liberdade democrática é o de algum louco chegar ao poder e depois usá-lo para transformar essa democracia numa tirania ou em outro sistema injusto qualquer, principalmente quando o mal intencionado tem uma inteligência acima da média. Cerca-se de fanáticos, compra apoios do parlamento, neutraliza os mecanismos de resistência do sistema e impõe leis que facilitam suas ações anti-democráticas. É claro que o processo não é tão simples e óbvio como resumi, mas vale como introdução para o que vem em seguida.

Todas as estratégias e artimanhas que são usadas por alguém mal intencionado que ascendeu ao poder, só funcionam quando o povo não tem acesso à informação de foma democrática, quando ela está limitada aos meios de comunicação oficiais e aos que o governo corrompeu. Se unir todas essas condições a um projeto de comunicação muito bem estruturado, as chances de fazer uma lavagem cerebral é enorme. E no caso do nazismo de Hitler, o "gênio do mal" da comunicação foi Joseph Goebbels.

Apenas para dar um exemplo, uma das estratégias que Goebbels usava era a de identificar as cidades alemãs onde a população não aceitava ou não conhecia bem Hitler e programava várias ações. Uma delas era a de agendar a visita do Führer para 15 ou 30 dias, e antes do dia marcado instalar auto-falantes nas praças reproduzindo músicas clássicas suaves. Aos poucos iam mudando o repertório para músicas de graduação mais intensa e quando Hitler chegava já estavam reproduzindo marchas militares, encontrando a população desses locais num clima propício para aplaudirem seus discursos ultra-nacionalistas.

Mas a pergunta é: isto seria possível acontecer nos dias de hoje?

Na minha opinião, isto dificilmente voltaria a acontecer neste século XXI. Primeiro porque hoje é praticamente impossível que um governo consiga preparar terreno para realizar seu projeto de poder absoluto sem que a população perceba e reaja. Não há como cercear o direito à informação em países livres, naqueles que hoje a população experimenta a liberdade e o acesso irrestrito aos meios de comunicação. A não ser que o domínio seja precedido de um golpe militar ou de uma violenta revolução. Alguns poderão dizer que aconteceu na Venezuela, em Cuba, na Coréia do Norte, parcialmente na China e em alguns países ditadores africanos, mas basta observar quando esses regimes foram implantados. Todos, sem exceção, no século passado ou anteriores a ele.

Quando alguns da esquerda ficam dizendo que Bolsonaro adotará um estilo ditatorial, estão fazendo terrorismo virtual, uma militância de oposição derrotada agindo para assustar desinformados e incautos, jogando-os contra um governo que nem começou. Quem acompanhou a história brasileira recente sabe que por mais imperfeita que seja a Constituição de 1988 e suas 106 emendas, as instituições continuam fortes o suficiente para evitar que a democracia brasileira se desmorone e assuma alguém com pretensões ditatoriais. Embora nosso sistema político seja imperfeito e fortemente contaminado por leis corporativistas que favorecem ao protecionismo e à impunidade política, existem cláusulas pétreas constitucionais que asseguram nossa opção democrática. Mesmo com parte do STF entregue aos interesses das militâncias, já tivemos inúmeras demonstrações de que os julgamentos em plenário têm derrubado iniciativas parciais de alguns de seus membros já conhecidos por suas decisões comprometidas com políticos, partidos e interesses pessoais.

Isto sem contar o nível de acesso à informação que a tecnologia da Internet e das redes sociais oferece á população, esta última que, devagarinho, vai aprendendo a identificar as Fake News e a conhecer as fontes confiáveis - ou pelo menos mais imparciais - de notícias.

Por essas e outras é que não acredito nesse terrorismo barato, no superlativismo dos erros e imperfeições do futuro presidente e de sua equipe. Se aprendermos a isolar o desespero da militância socialista tupiniquim, saberemos identificar os perigos reais muito tempo antes deles acontecerem.

Termino dizendo o que tenho dito em quase todos os meus textos. Não votei em Bolsonaro, mas ele foi eleito presidente dentro dos requisitos democráticos que nossas leis impõem. E como não pretendo sair do país para voltar daqui a 4 anos, tenho que torcer para que seu governo dê certo, assim como torci para o de Lula em seu primeiro mandato, mesmo não tendo votado nele. Mas isto não significa que desistirei da vigília contra a corrupção ou medidas injustas. Apenas não me verão sendo profeta do caos.

Acho que a maioria já aprendeu com os erros. Nossos e dos outros.

Se agirmos racionalmente nem precisaremos orar, mas de apenas vigiar e agir.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

MAIS MÉDICOS HUMANOS


Já escrevi muito à respeito do papel da ditadura cubana e sobre a exploração dos médicos que enviaram. Falei sobre o projeto interesseiro e populista petista que enviou perto de R$ 8 bilhões do nosso dinheiro pra Cuba nesses 5 anos do programa Mais Médicos e mantenho cada vírgula de tudo o que escrevi.

Quero apenas tentar reparar a provável injustiça que eu talvez tenha cometido em não reconhecer o valor de muitos médicos cubanos nos quais pude notar sinceridade nos olhos em seus depoimentos sobre a alegria de poder estar no Brasil e de atender seres humanos nessas regiões mais carentes. Não podemos jogar esses cidadãos que recebemos no mesmo saco do governo cubano e de seus leões de chácara que vieram com a missão de vigiá-los.

Nada justifica um trabalho praticamente escravo em que um profissional "doa" 70% de seus vencimentos para um governo ditador, mas precisamos separar o joio do trigo. Esses médicos são vítimas da ditadura e talvez a vinda para o Brasil tenha sido a ÚNICA oportunidade de escolha que tiveram na vida, um prêmio que muitos daquele povo sofrido nunca tiveram.

Guardadas as devidas proporções com o problema brasileiro, o depoimento dessa médica brasileira do vídeo sobre sua experiência em solo africano é de emocionar qualquer um que tenha um mínimo de sensibilidade e amor pelas pessoas. 

Que os novos médicos do programa não sejam apenas "Mais Médicos", mas sim, seres humanos de corações sensíveis que escolheram o caminho da medicina, uma das mais nobres de todas as profissões.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

CONSCIÊNCIA DE TODAS AS CORES

Costumo abordar muitos assuntos, mas sempre evitei escrever sobre lutas de minorias e os motivos são vários. Ser mal interpretado e atrair comentários raivosos é o principal deles. O pior de tudo é que na maioria das vezes não há interpretação nenhuma. Logo ao ler o título, quem carrega o ódio no coldre faz como naqueles filmes de bang-bang: mão próxima da arma e dedos mexendo no ar. Mas vou arriscar sem dar chances para o argumento de legítima defesa.

Não vou entrar no mérito, mas sim na forma e por um simples motivo. Quem poderia questionar a tese humanista de que todos somos ou deveríamos ser iguais em termos de oportunidades e respeito? Os que não concordam com isto, o problema já não é mais humanístico ou filosófico, mas sim patológico. Como não sou psicólogo ou psiquiatra e nem tenho a mínima vocação pra ser, esses doentes podem parar de ler por aqui.

Uma vez eu disse que Gandhi, Mandela e Luther King foram exemplos de grandes conquistas por meio da NÃO VIOLÊNCIA. Veio uma feminista dizendo que Gandhi transava com menores de idade, um extrema direita argumentando que Mandela era comunista e um ateu alegando que Luther King era pastor religioso. Pronto... era a não violência sendo derrotada por questões morais, ideológicas e religiosas do nosso ocidente "mais evoluído".

Muito provavelmente seu tataravô casou e teve relações com menor de 15 anos e nem por isso foi um pedófilo. Ah, mas ele casou! Espere aí... se uma criança de 12 anos não tinha (e não tem) maturidade emocional e biológica para fazer sexo no namoro, passaria a tê-las só porque casou em papel passado? Por mais absurdo e indecente que esse costume possa parecer nos dias de hoje, isso fazia parte da cultura e porque não dizer, da ignorância daquele período patriarcal e machista da sociedade. Esse mesmo costume predominava na Índia de Gandhi e predomina até hoje, mas aos poucos está sendo mudado com a introdução de leis mais rígidas de proteção à mulher.

Na Roma Antiga, por exemplo, homens mais velhos iniciavam os mais jovens por meio da prática homossexual. A orgia, a gula, a bebedeira e a promiscuidade faziam parte da cultura da sociedade romana. As mulheres jogavam recém nascidos na lata de lixo quando não queriam filhos. Hábitos relativamente semelhantes também existiam na Grécia Antiga de Sócrates.

Gente... eu não estou me referindo a estupro, assédio e sexo sem consentimento, coisas absolutamente diferentes. Por mais proteção e impunidade que houvesse naquela época (e haja até hoje), tanto pedofilia quanto assédio, sexo sem consentimento, aborto ilegal e estupro são crimes. E ponto!

E o que isso tudo tem a ver com as minorias e, mais especificamente, com a forma de conseguir mudar esse quadro atual de preconceito e desigualdade que ainda aflige não só essas minorias, mas também os mais conscientes que reconhecem haver essas injustiças?

É que não podemos ignorar, desqualificar ou deixar de lado as boas práticas e os bons exemplos do passado pelas diferenças culturais entre a sociedade moderna e a daquela época, por mais absurdas e excêntricas que nos possam parecer. Vamos desprezar as maravilhosas contribuições que gregos, romanos e outras civilizações deixaram para os estudos de filosofia, organização política e democracia contemporâneas?

Sobre os três pacifistas, não importa se Gandhi se debatia entre a espiritualidade e os apelos da paixão e da carnalidade; se Mandela ao se tornar estadista, insistiu nos mesmos erros do apartheid ou se Luther King tinha um “fraco por mulheres” e relacionamentos extraconjugais. Nada disso muda a importância e eficácia dos dois principais ingredientes da receita que usaram para conquistar seus objetivos humanitários:

INTELIGÊNCIA E NÃO VIOLÊNCIA.

A meu ver, o principal problema nas lutas de algumas minorias está na passionalidade excessiva e na agressividade com que promovem suas causas. Não estou me referindo aos desequilibrados que agridem crianças e idosos, urinando e defecando em público ou aos destroem bens públicos e privados em seus acessos de loucura e irresponsabilidade, pois, isso já é problema de sanidade mental. Refiro-me ao estilo de alguns grupos organizados com suas reações desproporcionais e generalizadas de ódio que acabam atingindo até os apoiadores de suas causas, provocando neles antipatia e desprezo por elas. Afinal, o objetivo desses grupos é o de conscientizar as pessoas e conquistar seus apoios ou o de apenas demarcar seus territórios? De integrar seus modos de vida aos da sociedade e usufruir igualmente de seus benefícios - inclusive dos produtos oferecidos por esse capitalismo que tanto criticam - ou manter essa sociedade bem longe de suas castas e de seus costumes?

O ódio e a violência nunca resolveram essas lutas entre povos e religiões no mundo, e exemplos não faltam. Cristãos x muçulmanos, judeus x árabes, católicos x protestantes e por aí vai. Algumas dessas desavenças são seculares, mas notem que nunca ninguém desses grupos (talvez pouquíssimos) abriu mão de suas convicções ou tentou dialogar e agir sem violência. Para eles, "A vitória não basta... tem que ser completa, arrasadora e gloriosa", como dizia Napoleão Bonaparte.

E alguns líderes dessas minorias me dirão: "mas nossa causa não tem nada ver com religião!" e eu lhes direi que como dogma talvez não, mas como religião deveria ter. No latim, religião não tem nada a ver com Deus. "Religio" significa "respeito", "reverência", derivando de "relegere", onde re- (de novo), está associado ao verbo "legere" que significa "ler", "tomar com atenção". Uma pessoa vive a religião quando cuida escrupulosamente de algo muito importante. E se a sua causa é importante, deve usar sua atenção para entendê-la e cuidar escrupulosamente dela. E o ódio, por sua vez, só existe e resiste em ambientes onde não há escrúpulos.

Meu objetivo com este ensaio não é o de convencer ninguém, mas unicamente o de compartilhar reflexões e gerar outras. Esses três pacifistas históricos que mencionei libertaram nações e iniciaram movimentos nobres que provocaram desdobramentos que beneficiaram e beneficiam até hoje milhões de oprimidos e excluídos por meio da INTELIGÊNCIA e da NÃO VIOLÊNCIA.

Aos que os chamam de hipócritas por questionarem suas vidas pessoais às vezes controversas, eu diria que prefiro a hipocrisia da NÃO VIOLÊNCIA praticada à da professada e não cumprida ou à do ódio.

domingo, 18 de novembro de 2018

PATRULHA IDEOLÓGICA: A QUE PONTO CHEGAMOS

É muito triste ler uma notícia como esta. Pesquisadores de várias universidades criam revista anônima para fugir de pressões da direita e da esquerda, ou seja, a ideologia está sufocando a ciência e, de quebra, privando a humanidade do progresso científico. Resumindo, os irresponsáveis de alguns segmentos que sempre atuaram contra a ciência por interesses econômicos, agora podem também contar com a imbecilidade dos patrulheiros ideológicos.

Não estamos falando apenas de pesquisas sobre aquecimento global, efeito estufa, destruição de florestas, extinção de animais e coisas do gênero. Os segmentos da ciência se interagem, e uma pesquisa que começa visando um objetivo pode resultar em algo surpreendentemente diferente, como na cura de uma doença ou na descoberta de uma nova tecnologia.

Sem mais delongas, o fanatismo e o patrulhamento ideológico são as coisas mais estúpidas que a humanidade vem experimentando neste século.

Azar da humanidade, né?


Leia a matéria da BBC

sábado, 17 de novembro de 2018

A IMPORTÂNCIA DE UMA OPOSIÇÃO TEMÍVEL

Que me perdoem os fãs do cantor, mas há uma frase popular engraçada que diz: "Tudo tem seu lado bom, menos o vinil do Amado Batista" :)

Um dos motivos pelo qual o governo FHC não fez maiores besteiras, mesmo com maioria no Congresso, foi a atuação do PT na oposição, partido com maior peso e representatividade a partir do final do governo Itamar Franco. Considerando as últimas declarações e atitudes de Fernando Henrique, não é difícil concluir que se a oposição não estivesse no seu pé o tempo todo, o governo dele poderia ter sido um desastre, como foi o do próprio PT em seus 15 anos de poder. Mesmo assim, não podemos nos esquecer de que a reeleição foi aprovada de forma interesseira e duvidosa (caso de grampos com pressões do ministro Sérgio Motta) e com benefícios concedidos a parlamentares.

O governo FHC teve o apoio de praticamente toda a imprensa (exceto da Folha) que só balançou um pouco com a crise cambial de 1999. Teve também o beneplácito do Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro (apelidado de engavetador geral), seu primo, nomeado em 1995 por indicação do próprio FHC. Negligenciou na crise energética, privatizou a Vale do Rio Doce de forma açodada, enfim, não foi assim um mar de rosas, exceto na economia que ainda tinha a hiperinflação de Sarney e Collor como referência. Sua intelectualidade, a imprensa e seu reconhecimento internacional pouparam sua imagem pessoal, isolando-a dos problemas ocorridos em seu governo. De não ter prevaricado tanto ou de não ter comprovadamente prevaricado.

No caso do PT - não me estenderei muito por ser recente -, embora Lula tenha feito algumas coisas boas em seu primeiro governo aproveitando-se da maré da estabilidade econômica e do apoio internacional aliados à sua habilidade nos discursos para as classes menos favorecidas, o partido foi traído pela ganância e pela absoluta ineficácia ou omissão de seu principal opositor, o PSDB. O PT navegou com maioria absoluta no Congresso e editou mais de 1.000 medidas provisórias, sendo mais de 900 "compradas", segundo Palloci em sua delação. Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES... o PT lambuzou-se no mel sem nenhuma pressão eficaz da oposição. Mas por outro lado, quebrou por falta dela.

Portanto, acho saudável e importante que Bolsonaro, mesmo antes de começar seu governo, já esteja sofrendo forte oposição interna e internacional. Ele e sua equipe têm falado algumas besteiras e por isso sofrendo fortes bombardeios até dos que o elegeram. O fato positivo é que ele, ao contrário do PT e PSDB, não se incomoda em voltar atrás e reparar o "mal dito" e o "mal feito". É óbvio que ninguém pode manter um governo dizendo e se desdizendo a todo instante, pois, isso gera incerteza e desconfiança na população e no mercado.

O que se espera é que essas besteiras estejam apenas fazendo parte do aprendizado de uma equipe inexperiente no trato político das coisas. Se tiver que baixar a crista, que seja agora. Torcer contra é bobagem, a não ser que você seja muito rico, queira sair do país e voltar só daqui a quatro anos para votar de novo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

LULA LEVA UMA ENQUADRADA DA JUÍZA GABRIELA HARDT

Lula e seus advogados, levam uma enquadrada logo de cara da juíza Gabriela Hardt. Parece que a estratégia da defesa de intimidá-la por ser mulher não deu muito certo. Deve estar sentindo saudades de Moro.



terça-feira, 30 de outubro de 2018

EQUÍVOCOS, CORPORATIVISMO E DESONESTIDADE INTELECTUAL

EQUÍVOCOS, CORPORATIVISMO E DESONESTIDADE INTELECTUAL

Ontem Bolsonaro atacou a Folha no Jornal Nacional e Bonner imediatamente contra-argumentou:

"Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal Folha de S.Paulo tenha feito ao Jornal Nacional tenham sido injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas, para ser justo, o jornal sempre nos abriu a possibilidade de nos apresentar, a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos. A Folha é um jornal sério, importantíssimo na democracia brasileira. É um papel que a imprensa nacional desempenha e a Folha faz parte desse grupo"

Eu condeno a forma como o assunto foi abordado por Bolsonaro, inclusive ameaçando: "(...) mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, a imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente não terá apoio do governo federal"

Vamos dividir o problema em duas partes. O primeiro é a ameaça de Bolsonaro dizendo o que não deveria. Os critérios de utilização de verba pública para a veiculação de propaganda governamental deve ser puramente técnico para atingir seu público alvo, ou seja, audiência, custo por mil e outros já conhecidos no meio publicitário e dos anunciantes. Dinheiro público não pode ser utilizado como instrumento de vingança política. Ponto.

A segunda parte é sobre a fala do Bonner que mostrou uma verdade parcial e corporativista. Parcial e corporativista porque "imprensa não critica imprensa". Não me refiro às opiniões das editorias ou de colunistas dos veículos, mas sim à desonestidade intelectual em matérias informativas feitas com o propósito de proteger ou atacar pessoas com interesses escusos. Explico.

É comum e lícito em países democráticos veículos declararem apoio a determinados políticos em campanhas. Cito o exemplo do Estadão que em 2010 fez um editorial com o título "O Mal a Evitar" no qual apoiava José Serra na disputa presidencial com Dilma. O risco de assumir tal posição é único e exclusivo dos veículos e serão os leitores que os julgarão. Isto se chama "honestidade intelectual".

No caso da Folha a história é outra. O jornal publicou matéria afirmando que a equipe de Bolsonaro havia pago 12 milhões para que empresas fizessem SPAMs mentirosos e depreciativos ao PT pelo whatsapp. A autora da matéria, jornalista Patrícia Campos Mello, não conseguiu comprovar tal compra, apresentando apenas algumas propostas dessas empresas feitas inclusive para a equipe de Alckmin que não aceitou.

Mais tarde descobriram que a jornalista é filha de Hélio Campos Mello, proprietário da revista Brasileiros que aparece na delação da Odebrecht como beneficiário de 1,6 milhão proveniente de propinas a pedido de Mantega.

Portanto, não estamos falando sobre o direito de um veículo ter linha editorial a favor ou contra determinado candidato, mas sim de mentira ou desonestidade intelectual em matéria informativa ou reportagem, coisas bem diferentes.

Então, Bonner... este é o "papel que a imprensa nacional desempenha e a Folha faz parte desse grupo"?

De qual grupo estamos falando?

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Joseval Peixoto e Elio Gaspari pensam com o fígado e com as suas paixões




Joseval Peixoto: "Mais uma vez a liberdade de informação é violada no Brasil " (https://www.youtube.com/watch?v=CVQFCuD17Vk)

Joseval... direito não é ciência exata, para pensar com o cérebro e não julgar numa planilha do Excel. Vamos dizer que algum partido com vínculo ao tráfico de drogas resolva pedir autorização para o Fernandinho Beira-Mar dar uma entrevista a um jornal de uma comunidade dominada pelo tráfico. E que esse condenado peça voto para alguém que defenderá interesses dessa comunidade (e dos traficantes também, lógico). Nesse seu raciocínio de liberdade de imprensa, Fernandinho poderia pedir votos para um candidato (desde que não incite pessoas ao crime) e fazer críticas a outros candidatos. Você autorizaria? Espelhe-se na Constituição americana e nas decisões de seus juízes, Joseval. Lá os magistrados definem muitas coisas pelo espírito ou preâmbulo da Constituição. Foi o que o ministro Fux fez. Pense mais e seja menos jurisdiquês. Justiça não é ciência exata. Também exige bom senso, coisa que você parece não ter.

Elio Gaspari: "A publicidade de um pedaço da confissão seletiva de Antonio Palocci ofendeu a neutralidade do Poder Judiciário ( https://oglobo.globo.com/opiniao/a-bala-de-prata-feriu-moro-23120931)

Tem que explicar pro já famoso Lulista Gaspari, que direito não é ciência exata e deve-se pensar com o cérebro e não julgar um caso numa planilha do Excel. Vamos dizer que algum partido com vínculo ao tráfico de drogas resolva pedir autorização para o Fernandinho Beira-Mar dar uma entrevista a um jornal (legal, com jornalista responsável e tudo) de uma comunidade dominada pelo tráfico. E que esse condenado peça voto para alguém que defenderá interesses dessa comunidade (e dos traficantes também, lógico). Nesse seu raciocínio de liberdade de imprensa, Fernandinho poderia pedir votos para um candidato (desde que não incitasse pessoas ao crime) e fazer críticas a outros candidatos. Você autorizaria? Espelhe-se na Constituição americana e nas decisões de seus juízes, Gaspari. Lá os magistrados definem muitas coisas pelo espírito ou preâmbulo da Constituição. Foi o que o ministro Fux fez. Pense mais com a cabeça e menos com as suas paixões. Justiça não é ciência exata. Também exige bom senso, coisa que você parece não ter.

sábado, 11 de agosto de 2018

DE PAI PRA FILHO E DE FILHO PRA PAI

Como pai e sendo hoje o dia que nos deram, sinto-me com liberdade para dizer abertamente o que eu sinto, numa difícil e delicada tentativa de equilibrar a emoção de ser pai e avô com o pragmatismo do ato da concepção, instinto que perpetua a espécie humana.

Emocionalmente como pai e sem jamais ter deixado de pensar como filho, posso hoje mais do que nunca dizer que é uma emoção única, assim como é única, diferente e incomparável a emoção de ser avô. Meus filhos sabem que eu os amo e meu pai também sabia, cada um do seu jeito. Meu netinho talvez ainda não compreenda amor num significado que os adultos há muito tentam - sem sucesso - racionalizar, mas certamente sente do jeito dele que eu o amo, ou gosto dele, não importa... isso é coisa que não se mede e crianças não perdem muito tempo com essas bobagens de significados.

Pragmaticamente como gerador auxiliar de existências humanas, o sentimento de posse dos pais vai gradativamente diminuindo com o tempo. Geramos filhos para o mundo e do mundo eles são. É por meio desse desejo ou sentimento de posse que a natureza impõe aos pais as noções de responsabilidade para com os seus filhos, pois, o ser humano é egoísta e cuida melhor daquilo que cosidera seu. No entanto, assim como é anormal a infantilidade da criança não reduzir à medida que ela cresce, também é anormal não reduzir o sentimento de posse dos pais que envelhecem.

Antes de tentar educar seus filhos, ame-os primeiro!

Três frases que deixo neste dia para que nós, pais e filhos, pensemos juntos:

- "A nascente desaprova quase sempre o itinerário do rio." (Jean Cocteau)

- "Se não se tem um bom pai, é preciso arranjar um." (Nietzsche)

- "Eduque-o como quiser; de qualquer maneira há-de educá-lo mal" (Sigmund Freud)

sábado, 4 de agosto de 2018

CONVICÇÕES

Bolsonaro definitivamente não é e nunca foi meu candidato e só não explico detalhadamente aqui para não atrair mensagens de ódio e em respeito a alguns amigos partidários, mas postarei uma reflexão.

Tortura nunca mais, certíssimo! Foi uma fase triste e infeliz do passado recente, assim como todas agressões praticadas no período do governo militar. Independentemente dos números de um lado e de outro, pois, afinal não se mede violência num razonete de débito e crédito, são fatos que pertencem ao passado, e hoje, mesmo sabendo que ainda há abusos em delegacias, nas ruas e nos redutos do crime organizado, temos uma Constituição que, mesmo imperfeita e muitas vezes capciosamente mal interpretada, prevê punição severa para esses tipos de crimes.

Na idade moderna, reis torturaram e mataram em nome da monarquia, a igreja e as religiões em nome de deus. Na contemporânea o nazismo dizimou milhões, o comunismo outros tantos. Aos poucos, nações e religiões (com algumas exceções) vêm se retratando e pedindo desculpas por esse passado tenebroso e falam sobre ele com vergonha e um certo desconforto.

No entanto, após 600 anos de massacres, em pleno século XXI, ainda vemos pessoas abraçadas em suas convicções apontando seus dedos uns para os outros, ignorando de forma seletiva as crueldades promovidas por suas ideologias e religiões.

Enquanto a ideia de violência justificada existir, enquanto as ideologias e religiões por meio de seus adeptos não reconhecerem publicamente os erros do passado e não se desvencilharem de suas convicções, continuaremos a ser o que sempre fomos: cegos, hipócritas e desumanos.

terça-feira, 19 de junho de 2018

CPI DA DELAÇÃO PREMIADA, OU OPERAÇÃO MÃOS SUJAS

Deputados criaram uma CPI que pretende atacar a Operação Lava Jato. Pretende questionar o que suas excelências estão chamando de "esquemas de venda de proteção em delações premiadas por parte de advogados e delatores no âmbito da Operação Lava Jato e em investigações anteriores", mas que na verdade tem a intenção de desqualificar as delações premiadas, pois, elas têm originado investigações contra parlamentares.

O requerimento de abertura já conta com  191 assinaturas de apoio e depende do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que comece a funcionar. O número mínimo de assinaturas para requerer comissões de investigação é de 171, ou um terço da Casa.

Não poderia ser 170 nem 172. Tinha que ser mesmo 171.

Anotem os nomes dos parlamentares que assinaram. Serão úteis nas eleições deste ano para sabermos em quem não deveremos votar.


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segunda-feira, 18 de junho de 2018

O PRESIDENTE E O MINEIRINHO

Os eleitores dão um peso astronômico para o Presidente da República e um microscópico para o Congresso, instituição que verdadeiramente manda no país dentro deste nosso atual sistema político. Candidatos parlapatões são os que mais passam vergonha quando são eleitos. Deputados e senadores ficam apenas aguardando o candidato terminar a fase de palanque porque sabem que o machão ou a machona descerá do pedestal e cairá de joelhos, um dia após aposse.

Isso me faz lembrar aquela piada do livro "Anedotas do Pasquim" sobre o Mineirinho, o famoso e invencível "comedô" de gente.

Um vendedor se vê obrigado a permanecer numa pequena cidade do interior de Minas porque o cliente só poderia atendê-lo na manhã seguinte. Contrariado, o vendedor vai para a única pensão da cidade hospedar-se por uma noite.

Chegando na pensão, o vendedor pede um quarto pra tomar um banho e poder dormir, mas o recepcionista diz que a pensão está lotada.
– Mas pôxa, como vou fazer? Não tem nenhum lugarzinho só por uma noite?
E o recepcionista:
– Olha, na verdade tem uma cama num quarto duplo, mas acho que o senhor não vai querer porque na outra está dormindo o Mineirinho, e o senhor sabe como é né?
– O que? - disse o vendedor. Tá pensando que sou frouxo? Sou muito macho, meu amigo! Comigo não tem conversa mole não. Ele que venha dar uma de besta com papinho estranho que enquadro o malandro na hora!
– Então está bem, disse o recepcionista. Mas não diga que não avisei. Aqui está a chave do 18. É no primeiro andar.
Enquanto o vendedor subia as escadas ia pensando... "logo de cara já vou mostrar quem eu sou pro engraçadinho não vir com conversa fiada pro meu lado e saber com quem está lidando."

A porta estava entreaberta e o vendedor já entrou metendo o pé para abrir. Viu que o Mineirinho estava sentado de cócoras na cama limpando as unhas com um palito de dentes. Nem olhou e continuou limpando.

O vendedor entrou no banheiro, mijou na pia, deu um arroto, saiu, e o Mineirinho continuava impassível, limpando suas unhas como se nada estivesse acontecendo.

O vendedor jogou a mala no chão, perto da cama, foi pra janela que estava fechada, bateu tão forte com as mãos para abri-la que fez um estrondo na parede do lado de fora. Deu uma cusparada e disse: "Eita cidadezinha de merda!"

Virou-se e olhou pro Mineirinho. O cara que tava lá, do mesmo jeito, sem falar nada, resolve olhar por cima dos olhos pro vendedor, sem mexer a cabeça, sem parar de limpar as unhas.

O vendedor, nervoso, não aguentou e gritou:
– Tá olhando o que, seu babaca?
O Mineirinho quebrou seu silêncio e disse com uma voz tranquila:
–  Nada não, moço. Só tô esperando ocê pará cuessa frescura toda pra nóis óóóó - junto com aquele gesto com os dois braços muito conhecido.

Essa será a atitude do Congresso com o presidente, um dia após a sua posse.

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sábado, 16 de junho de 2018

O TÚMULO DA VÍTIMA DESCONHECIDA


Túmulo do soldado desconhecido é o nome que recebem os monumentos erigidos para honrar os soldados que morreram sem que os seus corpos tenham sido identificados.

Já escrevi algumas vezes sobre o assunto, mas dada a sua importância, continuarei insistindo. Quem sabe um dia essas pessoas que defendem corruptos ou mesmo aquelas que não defendem, mas que consideram a corrupção um crime de roubo simples conseguirão entender que ela mata centenas de milhares de brasileiros e brasileiras todos os anos.

Ficamos consternados com a morte de parentes e amigos, seja ela por doença, acidente ou crime, mas normalmente essa consternação se restringe ao momento da perda. É raro o exercício de um raciocínio que extrapole aquele instante de comoção.

Alheio às sutis ligações deste evento que acabou de presenciar com os milhares de outros que estão acontecendo no país, você chega em casa, liga a TV e o computador.

A corrupção ocupa todas as manchetes dos jornais e das redes sociais. São bilhões e bilhões desviados dos impostos que você paga com o suor do seu trabalho. Vê políticos que não fazem nada, governantes e ministros sendo investigados ou respondendo a processos; juízes da Suprema Corte protegendo e soltando bandidos, e todos todos eles com vários pontos em comum: altos salários, motoristas, assessores, aposentadorias integrais, convênios médicos sem limite de gastos, combustível, auxílio moradia, passagens aéreas, correio, verbas de representação e mais... sem o compromisso de estarem presentes no trabalho de segunda à sexta como fazem os idiotas que os sustentam.

Se você for um otário útil, militante de políticos, partidos ou ideologias, dirá que: se a favor do governo, que os roubos são para permitir a permanência do partido no poder; se for oposição, dirá que será usado para tirá-los do poder. Ambos certamente têm os mesmos objetivos nobres e altruístas que visam justiça para todos e redução da desigualdade social.

Se for daqueles omissos passionais, xingará, praguejará, dirá que que não adianta fazer nada porque o país é assim desde o descobrimento e assim continuará. Dirá que todos políticos não prestam, que você está cheio de ver notícias ruins, vai desligar tudo e dormir porque amanhã terá que acordar cedo pra trabalhar.

Enquanto isso no Brasil real, cerca de 1 milhão de pessoas estarão morrendo neste ano. Novecentos mil por doenças, 45 mil por acidentes de trânsito e 60 mil por crimes violentos.
  • DOENÇAS: Centenas de milhares morrem por falta de atendimento no sistema público de saúde, sejam mas filas aguardando consultas e cirurgias ou pela falta de remédios.
  • ACIDENTES DE TRÂNSITO: Dezenas de milhares morrem por falta de infraestrutura nas estradas.
  • CRIMES VIOLENTOS: Dezenas de milhares morrem por falta de segurança pública, incluindo contrabando de armas e drogas.
Como são mortes que não vemos, não as relacionamos diretamente com a corrupção. Por causa dela, centenas de milhares de seres humanos inocentes entre jovens, mulheres, idosos e crianças perdem suas vidas anualmente. Assassinadas, pois, o dinheiro dos nossos impostos é utilizado para enriquecer pessoas, empresários e partidos políticos inescrupulosos.

É triste constatar que infelizmente não há causas comuns entre nós eleitores. Para a maioria o importante é o presidente-herói que comandará a solução de todos problemas do país a partir de 2019, não importando os métodos que ele e sua equipe de apaniguados utilizarão. Aliás, os políticos adoram esse tipo de comportamento de seus militontos. Quanto mais fanáticos impensantes os defendendo e brigando por eles, tanto melhor. Riem deles nos bastidores dos palácios e do Congresso enquanto enchem cuecas e malas com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

E os que os elegeram, alheios a tudo e a todos, indiferentes às vítimas desconhecidas assassinadas pelo sistema corrupto ainda reinante, como torcedores de uma Copa do Mundo vencida por seu herói, viverão alegres e felizes por mais 4 anos, até a próxima copa.

Na verdade o brasileiro vive mesmo é de quatro...

... e de quatro em quatro anos.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O INIMIGO NÚMERO UM DOS BANDIDOS, DOS AMIGOS DOS BANDIDOS, DOS CIUMENTOS, DOS INVEJOSOS E DOS VAIDOSOS

Não bastasse a legião de bandidos políticos, de beneficiários da corrupção e de militantes alucinados, no Brasil quem defende as leis é obrigado a lutar também contra ciumentos, invejosos e vaidosos. Esse último grupo é bem heterogêneo, composto de alguns magistrados, jornalistas, artistas e outras figuras públicas que têm o hábito de cultuar o próprio ego.

Em qualquer país civilizado do mundo, um juiz probo é reverenciado por pessoas honestas, mas aqui na Banânia sua luz incomoda e irrita alguns que o criticam sob o pretexto de não deixá-lo convencido. Este é um caso típico de projeção psicológica, ou seja, quando nossa mente projeta certas características negativas que temos num sujeito externo, negando a sua posse e tentando afastá-las de nós.

Está claro de que estou falando do juiz Sérgio Moro. Se ele recebe um prêmio, esse grupo egóico o critica. Se é convidado para falar sobre o combate à corrupção num evento no Brasil ou no exterior, ele é criticado. Em resumo, se ele não fosse receber o prêmio e mandasse um representante dar a palestra em seu lugar, ele seria criticado da mesma forma. Moro sempre será criticado por essas pessoas, seja por fazer ou por deixar de fazer.

Quando eu o defendo ouço sempre os mesmos argumentos. Dizem que estou cultuando heróis e que Moro não faz mais do que a sua obrigação.

Eu não tenho heróis funcionários públicos, sejam eles políticos ou juízes. No entanto, nada me impede de elogiá-los pontualmente e faço uma simples comparação. Funcionários públicos são nossos empregados e eu sempre elogiei meus funcionários quando mereciam ser elogiados, não só como reconhecimento pelo excelente trabalho como também para que outros se espelhassem neles. Fazendo isso eu os transformava em em heróis ou simplesmente estava sendo justo com eles? Um bom histórico não concede imunidade a nenhum profissional, mas nos faz ponderar pequenos e eventuais erros que ele eventualmente cometa.

Até outubro do ano passado, Moro havia julgado 35 processos em (três anos e meio) e tinha 44 ações em aberto. Suas sentenças foram confirmadas e algumas vezes agravadas pela segunda instância (TRF4). Uma performance nada desprezível.

Na minha opinião, Moro, Ministério Público e Polícia Federal deveriam ter apoio quase que irrestrito da população trabalhadora e decente deste país. Caso contrário estaremos perdendo uma oportunidade única de colocar os corruptos em seus devidos lugares (nos tribunais e na cadeia, por exemplo) e o Brasil nos trilhos. Não se preocupem, pois, pessoas honestas sabem muito bem usar o seu bom senso para estabelecer limites de apoio e competência.

Não acreditem nesses sofistas do Estado de Direito que costumam cooptar mentes incautas, estilo Reinaldo Azevedo e outros. Não acreditem muito esses juristas de fim de semana que se apoiam na tese objetiva do trânsito em julgado e na subjetiva do amplo direito de defesa para proteger seus cúmplices e apaniguados.

Sugiro que assistam ao vídeo que estou postando abaixo. Nele vocês verão que esse "Estado de Direito" de que eles tanto falam, no Brasil foi feito apenas para garantir a boa vida de bandidos e criminosos.


sábado, 9 de junho de 2018

SENSO CRÍTICO

Com a quantidade de informações que temos hoje, infelizmente ainda vejo algumas pessoas completamente entregues a opiniões alheias, sem o menor interesse de questioná-las ou submetê-las ao crivo da própria consciência.

Estive pensando sobre o que levaria essas pessoas a agirem desta forma e relacionei alguns dos prováveis motivos:


PREGUIÇA MENTAL: É muito mais fácil aceitar a lógica de pessoas consideradas inteligentes e adotar seus argumentos. Transformam-se em papagaios impensantes e rebatem os contra-argumentos de seus contestadores com as mesmas ladainhas. Um dos recursos mais utilizados é o de mandar um link com as respostas inteligentes de seus pais ou mães adotivos-de-ideias, lidas numa entrevista.

INTERESSES ESCUSOS: Esse tipo dispensa muitos comentários. Aconteça o que acontecer, seus olhos e pensamentos sempre estarão voltados de forma dissimulada para seus objetivos pessoais. Danem-se os argumentos. O pavio de sua tolerância varia em tamanho segundo a perspicácia do seu opositor. Tipo, "ele descobriu!. Bum!"

HERÓIS SOFISTAS: Os baba-ovos desses "rolandos leros" aceitam os nós que lhes dão no cérebro e, como não entendem nada do que estão ouvindo, rendem-se ao português correto, à fluência verbal e às pitadas de lógica que muitas vezes não se relacionam diretamente com o assunto. Mas que têm lógica têm! (Leandro Karnal e Reinaldo Azevedo, por exemplo)

BURRICE: Quer que explique?

HUMANISTAS PELA METADE: Enxergam as bondades das promessas de seus ídolos e ignoram as atrocidades que eles permitem. Tudo para um futuro melhor e nada para a cruel realidade do presente.

TEIMOSIA E FIDELIDADE: "Ele defende ainda por teimosia uma causa cuja fraqueza vê, mas chama a isso «fidelidade»." (Friedrich Nietzsche)

Existem variações quase infinitas em cada um desses perfis, mas a base está aí. Vocês podem sugerir outras nos comentários.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A PETROBRÁS DEVE TER VIDA PRÓPRIA?

Não vou entrar nessa discussão de números, mas de julho do ano passado pra cá o aumento médio foi de 30%, bem acima da inflação e o gás 20% só em 2017. Quero aproveitar um post que li para levantar outro problema que normalmente impede uma discussão mais isenta dos problemas brasileiros. O fato do PT ter vibrado com a saída de Parente não pode ser levado em conta ao avaliar o caso da política de combustíveis que foi adotada. Se todas as vezes que o PT e a esquerda vibrarem com uma notícia negativa de um governo que não seja o deles, toda decisão tomada por esse governo terá sido errada. Meirelles foi do governo Lula, mas se ele saísse nas mesmas condições que Parente saiu, isto seria comemorado com a mesma alegria pela esquerda. Não que não se possa discutir o lado ideológico de um problema econômico, mas acho que ele não pode ser superestimado. A discussão sobre o caso dos combustíveis é apenas um exemplo, porém há muitos outros. No caso específico de Pedro Parente, nem vou explorar sobre seu envolvimento no caso dos 2 bilhões para o JP Morgan que não foi explicado e limitar-me apenas à política adotada de de reajustar os combustíveis pela variação do dólar e do barril de petróleo.

Na minha opinião, uma empresa que detém o monopólio de produtos tão importantes na composição de preços e para determinados setores da economia, não pode resolver seus problemas ignorando o impacto econômico e social que suas decisões poderão provocar. Não se pode administrar uma empresa como a Petrobrás numa planilha de Excel, que foi o que Parente fez. Não vou dizer que ele deveria ter saído, mas faltou diálogo entre o governo e a Petrobrás.

No reino Unido e na França os impostos não são muito diferentes, mas há uma diferença básica e determinante em sua política de uso. Enquanto no Brasil eles servem para pagar royalties aos estados e aumentar a arrecadação do governo, nesses países os impostos flutuam justamente para evitar impactos no mercado, coisa que ouvi o governo falar apenas ontem. Oras... se Parente não tinha essa obrigação, muito embora eu pense que um presidente de uma empresa como a Petrobrás tenha que ter visão macroeconômica, falhou o governo em não prever que o problema aconteceria uma hora ou outra.

Por isso eu apoiei a reivindicação dos caminhoneiros autônomos. Não apoiei o caos ou a infiltração de sindicatos e partidos, lógico, mas considerei a greve legítima.

terça-feira, 29 de maio de 2018

COMBUSTÍVEIS: POLÍTICA SUICIDA


No Brasil as pessoas ligam greves e reivindicações ao esquerdismo ou petismo, não sendo tão incomum haver manifestações em países europeus contra aumento dos combustíveis, inclusive paralisações de caminhões. O tributo sobre combustíveis na França, Reino Unido e Alemanha é alto como no Brasil (50-55%), mas a grande diferença é que eles usam o imposto (diminuem ou aumentam) para amenizar impactos no mercado.

Aqui a Petrobrás decidiu resolver o problema dela (ou dos rombos do PT/PMDB como queiram) repassando as variações diretamente para o consumidor. Pedro Parente, considerado um gênio par alguns, simplesmente trabalhou com uma planilha de débito e crédito, aproveitando-se do monopólio (não existe nesse países) para ditar preços e políticas de aumento. Do ano passado pra cá, tivemos mais de 60% de aumento dos combustíveis, absorvidos diretamente pelo consumidor. Em três ocasiões os preços do petróleo variaram para menor, mas pergunte se essas reduções chegaram para os consumidores. Já os aumentos chegaram na velocidade de um raio.

Essa insegurança faz com que todos dessa cadeia incorporem essas variações de aumento em seus preços, provocando confusão e incertezas no mercado. O problema dessa síndrome da "esquerdopatia" é que os que se dizem direita vinculam protestos com política partidária ou ideológica, acreditando que ficando calados serão vistos como seres mais evoluídos que os outros da ralé esquerdista. No fundo, são otários da mesma forma.

Em resumo, nessa política suicida de Pedro Parente, ele simplesmente ignorou seus impactos sociais e econômicos.

Quem acompanha meu blog sabe muito bem o que eu penso do petismo e da esquerda, portanto dispenso ter de repetir.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

NÃO É SÓ PELOS 46 CENTAVOS DO DIESEL

Quando mencionei num post essa frase que nos remete ao início do movimento de 2013 foi uma comparação para que a gente pense de maneira menos superficial nessa greve dos caminhoneiros. Em 2013, o estopim foram os 20 centavos do passe livre, mas essa reivindicação tornou-se algo muito menor, mesmo porque a maioria da população mais esclarecida não aprovava essa ideia de passe livre por um simples motivo: não há nada que saia de graça sem que alguém pague por isso. Dinheiro não nasce em árvores. Em economia não há espaço para a poesia.

Chamaram Pedro Parente de gênio quando, de alguma forma, estancou a sangria da Petrobrás e melhorou sua imagem internacional com o equilíbrio financeiro da empresa. Gênio? O que o novo presidente da Petrobrás fez foi abrir uma planilha do Excel com as colunas de débito e crédito e providenciar seu equilíbrio, aproveitando-se do monopólio de mercado, para repassar as oscilações do mercado internacional ao cidadão (só os aumentos porque as reduções nunca vimos chegar) e da possibilidade de ditar o preço final dos combustíveis. Agora, fale a verdade... você não gostaria que a sua empresa pudesse fazer o mesmo? Em resumo, Pedro Parente simplesmente ignorou os impactos econômicos e sociais dessas decisões.

Da mesma forma, o preço do diesel nessa greve dos caminhoneiros está longe de ser o principal problema brasileiro, fazendo-nos refletir sobre termos sempre que engolir e pagar os prejuízos da incompetência, dos roubos e desvios de dinheiro público. Nos faz perceber que os sistemas de transporte do país e de escoamento da produção estão entregues aos lobbyes das montadoras, empresas de transporte e empreiteiras. Por que um país de topografia invejável como o Brasil não investe em ferrovias? Não é muito difícil de entender .

Enfim, essa greve não pode se limitar a reduzir os preços dos combustíveis e outros derivados do petróleo. Há um caminhão de reflexões sobre a miséria que recebemos de volta em saúde, saneamento básico, transportes, segurança e educação.

Não é pelos 46 centavos. É pelos 2 trilhões de impostos que pagamos e das centenas de bilhões que são mal empregados ou desaparecem no meio do caminho.

domingo, 27 de maio de 2018

ESSES CAMINHONEIROS NÃO SÃO BRASILEIROS. SÃO UNS CRÁPULAS!!

Por causa deles não pude ir à praia e ao clube de campo nesta semana. Meu vinho chileno e minha cerveja preferida não chegaram ao supermercado. Mas tudo bem... daqui a pouco tudo voltará ao normal porque a Globo entrou na parada. A cidade estará lotada no feriado prolongado e vamos faturar.

Além do mais a Copa da Rússia já está aí. Imaginem o risco daquela TV de 75 polegadas da Samsung que vou dividir em 24 vezes no cartão não chegar nas Casas Bahia? Perder a chance de ver Neymar bem de pertinho levantando a taça do hexa?

Afinal, somos um país,

- Com uma das maiores taxas de desemprego do mundo;
- Com o maior número de policiais mortos do mundo;
- Com uma das maiores taxas de homicídio do mundo;
- Com o maior tráfico e consumo de drogas do mundo;
- Com a maior corrupção do mundo;
- Com os maiores preços de combustíveis do mundo;
- Com um dos piores sistemas de ensino do mundo;
- Com um sistema de saúde que mata milhões por ano;
- Com o pior retorno dos impostos do mundo...

Esses caminhoneiros são um bando de irresponsáveis, não? Protestar e fechar estradas num país maravilhoso como o nosso! Isso só pode ser coisa do PT!

Mas felizmente tudo isso vai acabar quando Bolsonaro, Boulos, Manoela D'Ávila, Alckmin ou qualquer outro novo presidente for eleito.

Isso tudo me faz lembrar Juca Chaves:

Um pai, com dois filhos gêmeos, passando por dificuldades econômicas e sabendo que um deles era otimista e o outro pessimista, dá de presente para o pessimista uma bicicleta e para o otimista uma lata com esterco de cavalo.

Quando os dois filhos se encontram, o otimista pergunta:

– E aí o que você ganhou?

Responde o pessimista:

– Eu ganhei uma bicicleta, que desgraça! Minha namorada vai cair da bicicleta, meus amigos vão querer bater em mim. Que desgraça, que desgraça! E você o que ganhou?

E o otimista, com a latinha de esterco na mão:

– Eu ganhei um cavalo, que legal! Você 'viu ele' por aí?

E daí, meu povo? Vamos procurar o nosso cavalo?


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Aproveitem para ler o excelente artigo de Eduardo Giannetti sobre a greve em: https://goo.gl/Bp2iSA

quinta-feira, 12 de abril de 2018

OS BOBOS DA CORTE


Vou falar como leigo em direito, mas que tem procurado compreender o que é decidido pela corte, e assim como eu, milhões de brasileiros adotaram esse hábito. O ministro Marco Aurélio generaliza e diz que o povo quer vingança e fazer justiça com as próprias mãos. O ministro fala "povo", demonstrando que no pensamento dele existe uma distância estrelar entre eles e nós, meros ignorantes, fazendo lembrar a corte francesa na época da revolução quando se dirigia à plebe pagadora de impostos que tinha apenas a missão de trabalhar e sustentar a nobreza.

Não, ministro... vocês saíram do seio da pátria que hoje renegam. Somos hoje muito mais bem informados e politizados do que Vossas Excelências pensam e sabemos muito bem quando estamos sendo enrolados nesse jurisdiquês esnobe. O sentimento de justiça transcende às leis. O homem apenas tenta por meio de regras orientar a sociedade e impor limites, mas jamais conseguirá convencer os cidadãos quando algumas decisões afrontarem e ferirem esse sentimento de justiça.

Diga-me: em qual país democrático um cidadão comum pode antecipar quais serão as decisões individuais dos ministros dependendo do réu e da casta partidária a que ele pertence? Oras... se somos leigos, como poderíamos antecipar seus votos pensando com tecnicismo para entender a linha de pensamento jurídico de cada um de vocês? Portanto, já basta de nos considerarem meros leigos idiotizados pela mídia, pelo partidarismo e pelas ideologias.

Os EUA, país mais democrático do mundo, têm uma constituição de 230 anos com apenas 27 emendas e lá as leis funcionam. Isto me faz crer que a diferença está no caráter de quem julga. Não há outra explicação plausível.

"Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões."
(Lao-Tsé)

Já estamos cansados desse teatro de quinta categoria

quarta-feira, 28 de março de 2018

STF: QUANTO MAIS RELUTA, MAIS SE DESMORALIZA

Considerando que não estamos falando de ignorantes em matéria de leis, a defesa de criminosos pelo STF não é um simples ato falho, mas uma fragorosa demonstração de rabo preso com figuras poderosas e importantes da república. E não precisa ser conhecedor do ofício do direito. Até uma criança pode perceber o pavor desse Supremo que um dia foi chamado de covarde por Lula naquele famoso diálogo com Dilma.

Se antes estava acovardado, hoje o STF ganhou coragem para ser explicitamente impertinente e irresponsável. Suas decisões polêmicas sossegam o PT, MDB e PSDB, mas despertam a revolta de um povo cada vez mais apartidário e menos crédulo na lisura das instituições que deveriam protegê-lo da bandidagem política.

Se estivéssemos mais atentos aos sinais de alerta de alguns juristas que conhecem os bastidores do STF, poderíamos estender melhor como funciona a cabeça dos ministros. Um desses sinais estão “no livro 'Código da Vida', de Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF no governo Sarney” (https://goo.gl/EyFdLu):
Saulo Ramos: — Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?
Celso de Mello: — Sim. 
Saulo Ramos: — E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

Celso de Mello: — Exatamente. O senhor entendeu?
Saulo Ramos: — Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”
Na verdade o STF caminha decidido, estimulando uma convulsão social sem precedentes. Não é preciso ser um gênio para perceber que uma parte dos ministros está comprometida com Lula - seja por fidelidade ou por medo de uma eventual delação - e a outra, liderada por Gilmar Mendes, tentando aproveitar-se de forma dissimulada dos benefícios concedidos a Lula e sua trupe para favorecer seus apaniguados do PSDB e MDB.

Não sou ninguém para dar conselhos aos inatingíveis de caráter ilibado da corte máxima brasileira, mas se eu pudesse falar ao pé do ouvido de algum deles eu diria:

Melhor acovardarem-se de novo!



Veja o que Gilmar Mendes achava da Lava Jato antes de seus "amigos" serem envolvidos. Faça hoje a mesma pergunta que o jornalista fez naquela época. Certamente o discurso será bem diferente.

domingo, 25 de março de 2018

DESMORALIZAÇÃO SUPREMA


Constituição e leis nada mais são do que normas de condutas que foram elaboradas para orientar cidadãos com o objetivo de tornar a sociedade mais justa e igualitária. No entanto, o sentimento de justiça vem desde os tempos das cavernas, transcendendo à escrita e aos que tentam interpretá-la. Portanto, por mais que essa casta de toga tente nos enrolar sofismando em jurisdiquês e nos chamando de leigos, prevalece o velho e insubstituível sentimento de injustiça.

Só um imbecil não percebe que estamos sendo enganados, vilipendiados pelos que deveriam fazer cumprir as leis do país. Posso ser leigo também em medicina, mas sei muito bem quando médico ressuscita quem já estava morto ou salva um desenganado.

A pouca vergonha e a desfaçatez no julgamento desse habeas corpus do Lula ultrapassaram todos os limites da canalhice jurídica. Um teatro mambembe de roteiro pobre, claramente elaborado nos bastidores sombrios do STF, culminando com aquela melancólica e vergonhosa apresentação.

Esse desespero mal disfarçado dos ministros nos leva crer que há algo de podre - muito, mas muito podre - no reino da Banânia. E que o cheiro dessa podridão vai dos porões do castelo aos aposentos do rei e de sua corte.

É cabeça pra cegar lâminas e mais lâminas de guilhotina.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

ARMAR-SE PARA A PAZ

Armar o povo para reduzir a violência (?!) significa uma das três coisas ou as três: incompetência governamental, sistema de educação falido ou incentivo à indústria de armamentos. É a estupidez tentando vencer a ineficiência do Estado na proteção de seus cidadãos. Países como Alemanha, Austrália, Canadá, Áustria, Japão e outros que estão na lista dos 20 países menos violentos do mundo oferecem segurança sem esse tipo de incentivo idiota. Analise com calma as particularidades dos EUA, Israel e Rússia e verão que cada um tem um motivo diferente para adotar essa medida estúpida de armar a população.

Pior ainda é ouvir da direita radical que a esquerda se interessa em desarmar a população para dominá-la. Muito embora essa seja uma das estratégias do comunismo - ou de qualquer governo totalitário - dentre a imensa lista de restrições que impõe para dominar o povo, usar esse argumento para países democráticos é ficar na superfície das argumentações fáceis.

Nos EUA, por exemplo, a falência não é do sistema de ensino superior, óbvio, que envolve alta tecnologia em todas as áreas da ciência. O problema deles está na formação, na base da educação da criança e do jovem, envolvendo sistema de valores. Isto nada tem a ver com religião ou patriotismo! Tem a ver também com a indústria de armas que movimenta bilhões no país.

Aproveitando o tema belicista, sei que muitos irão me bombardear, mas é o que eu penso e venho pensando há muito tempo. Aliás, já me acostumei a lidar com alguns fanáticos espumantes das redes sociais. :)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

EU IRIA MAIS LONGE QUE O GENERAL HELENO

"Em meio à polêmica sobre o possível uso de mandados coletivos de busca e apreensão em operações das Forças Armadas no Rio de Janeiro, o ex-comandante brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti, general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira sugeriu, em entrevista ao UOL, que juízes sejam levados para as operações das forças de segurança durante a intervenção no Rio de Janeiro."

"Na opinião do general, os magistrados poderiam conceder ou negar mandados de busca e apreensão individuais ou coletivos no terreno e durante a ação. Segundo ele, esse tipo de medida foi adotada e funcionou bem em operações de forças de paz no Haiti." (UOL)

Sugiro:

a) Um representante do STF;
b) Um representante da OAB;
c) Um juiz de cada instância;
d) Um representante dos Direitos Humanos;
e) Um representante do MP;
f) Um representante do Senado;
g) Um representante da Câmara Federal;
h) Um representante da ALERJ;
i) Um representante da Câmara Municipal do Rio;

Ou mais alguns valentes que se predisponham a ir. Existem muitos deles, mas normalmente metendo o pau por trás de microfones, celulares e teclados.

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