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sexta-feira, 8 de julho de 2016

O STF E A OLIGARQUIA JURÍDICA OU "O GOVERNO DE POUCOS"

A decisão do presidente do Supremo de pedir para que a PF investigue e descubra quem confeccionou e pagou o boneco inflável Petralhowski, nada mais é do que uma confirmação daquilo que venho escrevendo há muito tempo neste blog: os ministros do STF confundem suas atribuições constitucionais de foro máximo com a pretensão inconstitucional de serem o poder máximo. Consideram-se acima das críticas e da liberdade de expressão. Oras... o Brasil então está nas mãos de uma oligarquia que interpreta a Constituição em benefício de sua própria classe, acreditando estar no topo da hierarquia constitucional dos três poderes?

Se o caso é esse, o problema passa a ser conceitual e não constitucional, pois, segundo Montesquieu, numa democracia os três poderes devem equilibrar-se entre a autonomia e a intervenção entre eles (Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) e, por analogia, todos devem representar as aspirações da maioria da população. Em relação à Constituição, muito embora seu "Preâmbulo" não tenha força de lei, junto aos "Princípios Fundamentais" ele representa o espírito ou a razão da existência da nossa Carta Magna, não admitindo interpretações antagônicas ou corporativistas.
Preâmbulo (destaques): 
"(...) Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."
Princípios Fundamentais (destaques): 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
  • II - a cidadania
  • III - a dignidade da pessoa humana;
  • V - o pluralismo político.
  • Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
  • I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
  • II - garantir o desenvolvimento nacional;
  • IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Em resumo, os poderes legislativo, executivo e judiciário devem representar as aspirações do povo que (direta ou indiretamente) os elegeu e lhes concedeu poderes - a título precário - limitados às suas funções constitucionais, não lhes cabendo portanto, legislar, executar ou julgar com a finalidade de atender interesses próprios ou de suas classes. 

Num século em que a tecnologia nos dá amplas condições de acesso à informação e nos conscientiza do nosso direito de livre expressão, é pura perda de tempo dessas "otoridades" tentarem colocar-se acima de suas atribuições e da própria Constituição. É bom que se lembrem de que o direito do cidadão não se limita apenas ao de votar de 4 em 4 anos, mas o de também acompanhar seus representantes - diretos ou indiretos - e até de insurgir-se contra seus eventuais abusos de poder.

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada." (Ayn Rand)


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Ainda não caiu a ficha do STF. Vamos dar uma porradinha?





























Sabe aquela "porradinha" que a gente dá pra ficha descer no orelhão? É o que está faltando para cair a ficha de suas excelências do STF. Eles ainda não entenderam (na verdade não querem) que alguns dispositivos que foram criados na constituição de 88 visavam garantir o livre exercício da política, protegendo o legislativo e o executivo contra eventuais abusos de poder considerando que o país acabava de sair de uma ditadura. Mas peraí... CRIMES NÃO! Crime é crime, seja nas ruas, no STF ou no Congresso; seja neste planeta ou em Plutão.

O caso de Paulo Bernardo é um caso típico de extrapolação ou tentativa de estender os benefícios constitucionais para cônjuges e parentes daqueles que gozam da prerrogativa de foro especial. Oras... se o próprio Paulo Bernardo divulgava o endereço do apartamento funcional da esposa - e me parece que inclusive o usava como endereço de correspondência profissional -, como citá-lo ou cumprir um mandado de prisão? Esperar que ele se divorcie da senadora e mude de endereço? Os senadores e os ministros do STF estão com pena dos filhos e da família dele? E das famílias dos trabalhadores e aposentados que emprestaram dinheiro por estarem endividados e foram saqueados? E das crianças e idosos que morrem nos corredores dos hospitais por falta de um serviço público minimamente humano? Deles vocês não têm pena, excelências?

Cássio Cunha Lima (PSDB) discursa defendendo bandidos, numa prova inequívoca de que quando o calo aperta o espírito de corpo reina absoluto entre a classe política. O Congresso aprova ação pedindo ao STF que anule as provas coletadas no apartamento da senadora. VERGONHA!

Já em relação ao STF (ahhh, o STF)  que há muito tempo tenta claramente obstruir as investigações da Lava Jato - seja por motivos políticos, de orgulho ou vaidade -, transcrevo aqui parte do meu último post sobre ele:
"Temos outro algoz implacável que se chama Supremo Tribunal Federal que, a princípio, deveria ser o último recurso contra as injustiças que sofremos. Mas não... hoje o STF é um braço forte do poder estabelecido e devemos essa constatação ao Mensalão. Sim, o mensalão despiu, pôs a nú a corte máxima do país e seus ministros. Graças a esse processo, pudemos saber quem é quem, quem foi de quem e quem se tornou de quem. Passamos a acompanhar os julgamentos e hoje, por mais que os ministros se esforcem para justificar suas injustiças enrolando a língua no mais casto jurisdiquês, sabemos quem é cada um deles e que apito tocam. Como escreveu o pensador Nicolae Iorga, 'A justiça pode caminhar sozinha; a injustiça precisa sempre de muletas, de argumentos.'"

"Os ministros do STF ainda não entenderam - ou se fazem de desentendidos - que a consciência da maioria mudou, que justiça é algo que se sente e esse sentimento não se desfaz com argumentações ininteligíveis ou palavras difíceis. O inconformismo com a injustiça não cede às interrogações geradas pelo abuso do tecnicismo e da empáfia. No mais claro português para contrastar com o palavreado erudito de suas excelências eu digo: Foda-se o argumento e viva o nosso sentimento!"
 E encerro com outro trecho do mesmo post:
"Políticos e ministros... encontrem uma forma constitucional para fazer o país se aprumar, crescer e se desvencilhar desse imbróglio em que todos nós o metemos. Sim... não nos excluímos do pecado original, mas são vocês que têm o poder que lhes concedemos a título precário. Se nós mudamos, vocês também têm que mudar. Não há escolha. Não há outra saída." 
A Justiça Federal e o juiz Sérgio Moro; o Ministério Público e Deltan Dallagnol; a Polícia Federal e Leandro Daiello, todos têm o nosso TOTAL apoio e não o perderão. Entendam isso de uma vez por todas!

E lembrem-se da frase de Martin Luther King: "É nosso dever moral, e obrigação, desobedecer a uma lei injusta."

DEDICO ESTE VÍDEO AO STF - MORRAM DE INVEJA OU SEJAM IGUAIS A MORO
(Capital Inicial homenageia o juiz Sérgio Moro presente no show)



Leia também: A ÚNICA SAÍDA

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