Bolsonaro definitivamente não é e nunca foi meu candidato e só não explico detalhadamente aqui para não atrair mensagens de ódio e em respeito a alguns amigos partidários, mas postarei uma reflexão.
Tortura nunca mais, certíssimo! Foi uma fase triste e infeliz do passado recente, assim como todas agressões praticadas no período do governo militar. Independentemente dos números de um lado e de outro, pois, afinal não se mede violência num razonete de débito e crédito, são fatos que pertencem ao passado, e hoje, mesmo sabendo que ainda há abusos em delegacias, nas ruas e nos redutos do crime organizado, temos uma Constituição que, mesmo imperfeita e muitas vezes capciosamente mal interpretada, prevê punição severa para esses tipos de crimes.
Na idade moderna, reis torturaram e mataram em nome da monarquia, a igreja e as religiões em nome de deus. Na contemporânea o nazismo dizimou milhões, o comunismo outros tantos. Aos poucos, nações e religiões (com algumas exceções) vêm se retratando e pedindo desculpas por esse passado tenebroso e falam sobre ele com vergonha e um certo desconforto.
No entanto, após 600 anos de massacres, em pleno século XXI, ainda vemos pessoas abraçadas em suas convicções apontando seus dedos uns para os outros, ignorando de forma seletiva as crueldades promovidas por suas ideologias e religiões.
Enquanto a ideia de violência justificada existir, enquanto as ideologias e religiões por meio de seus adeptos não reconhecerem publicamente os erros do passado e não se desvencilharem de suas convicções, continuaremos a ser o que sempre fomos: cegos, hipócritas e desumanos.
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sábado, 4 de agosto de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
STF: QUANTO MAIS RELUTA, MAIS SE DESMORALIZA
Considerando que não estamos falando de ignorantes em matéria de leis, a defesa de criminosos pelo STF não é um simples ato falho, mas uma fragorosa demonstração de rabo preso com figuras poderosas e importantes da república. E não precisa ser conhecedor do ofício do direito. Até uma criança pode perceber o pavor desse Supremo que um dia foi chamado de covarde por Lula naquele famoso diálogo com Dilma.
Se antes estava acovardado, hoje o STF ganhou coragem para ser explicitamente impertinente e irresponsável. Suas decisões polêmicas sossegam o PT, MDB e PSDB, mas despertam a revolta de um povo cada vez mais apartidário e menos crédulo na lisura das instituições que deveriam protegê-lo da bandidagem política.
Se estivéssemos mais atentos aos sinais de alerta de alguns juristas que conhecem os bastidores do STF, poderíamos estender melhor como funciona a cabeça dos ministros. Um desses sinais estão “no livro 'Código da Vida', de Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF no governo Sarney” (https://goo.gl/EyFdLu):
Não sou ninguém para dar conselhos aos inatingíveis de caráter ilibado da corte máxima brasileira, mas se eu pudesse falar ao pé do ouvido de algum deles eu diria:
Melhor acovardarem-se de novo!
Veja o que Gilmar Mendes achava da Lava Jato antes de seus "amigos" serem envolvidos. Faça hoje a mesma pergunta que o jornalista fez naquela época. Certamente o discurso será bem diferente.
Se antes estava acovardado, hoje o STF ganhou coragem para ser explicitamente impertinente e irresponsável. Suas decisões polêmicas sossegam o PT, MDB e PSDB, mas despertam a revolta de um povo cada vez mais apartidário e menos crédulo na lisura das instituições que deveriam protegê-lo da bandidagem política.
Se estivéssemos mais atentos aos sinais de alerta de alguns juristas que conhecem os bastidores do STF, poderíamos estender melhor como funciona a cabeça dos ministros. Um desses sinais estão “no livro 'Código da Vida', de Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça responsável pela nomeação de Celso de Mello para o STF no governo Sarney” (https://goo.gl/EyFdLu):
Saulo Ramos: — Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?
Celso de Mello: — Sim.
Saulo Ramos: — E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?
Celso de Mello: — Exatamente. O senhor entendeu?
Saulo Ramos: — Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”Na verdade o STF caminha decidido, estimulando uma convulsão social sem precedentes. Não é preciso ser um gênio para perceber que uma parte dos ministros está comprometida com Lula - seja por fidelidade ou por medo de uma eventual delação - e a outra, liderada por Gilmar Mendes, tentando aproveitar-se de forma dissimulada dos benefícios concedidos a Lula e sua trupe para favorecer seus apaniguados do PSDB e MDB.
Não sou ninguém para dar conselhos aos inatingíveis de caráter ilibado da corte máxima brasileira, mas se eu pudesse falar ao pé do ouvido de algum deles eu diria:
Melhor acovardarem-se de novo!
Veja o que Gilmar Mendes achava da Lava Jato antes de seus "amigos" serem envolvidos. Faça hoje a mesma pergunta que o jornalista fez naquela época. Certamente o discurso será bem diferente.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
A INTERVENÇÃO E OS HUMANISTAS DE ARAQUE
Eu ia começar meu texto dizendo que me divirto lendo comentários dos "especialistas" sobre a intervenção no Rio, mas o assunto é tão triste que dizer isto seria zombar da desgraça alheia. Não queria estar na pele dos que moram no Rio ou em outros estados assolados pela violência descontrolada promovida pela bandidagem.
Não sou conhecedor e muito menos especialista da área de segurança pública, mas procuro ler opiniões e notícias pra tentar entender um pouco. Ler opiniões e notícias para entender significa não torcer o nariz logo de cara para títulos de matérias ou autores e, principalmente, tentar livrar-se de convicções. Afinal isso envolve a violência e o sofrimento de pessoas inocentes.
O que mais me impressiona nessas leituras é, sem dúvida, o posicionamento dos ditos militantes partidários humanistas, defensores das minorias. Nunca sei se eles estão se referindo aos menos favorecidos, aos excluídos ou aos interesses de sua própria minoria de militantes.
Se um dia um desses militantes estiver diante de uma situação em que a polícia for chamada para salvar seu filho refém de uma arma apontada dentro de sua casa, qual será a primeira coisa que ele fará quando os policiais chegarem? Pedirá primeiro as fichas de seus prontuários pra avaliar? Exigirá que só atuem após ele aprovar a estratégia que eles utilizarão? O que ele dirá primeiro? "Não maltrate o bandido" ou "Salvem meu filho"?
É óbvio que não sou a favor da violência desmedida e reconheço que a situação do Rio não é assim tão fácil de decidir o que fazer. Mas afirmar de bate-pronto que a medida não pode ser tomada por motivos que já sabemos serem partidários-ideológicos ou eleitoreiros - e é fácil antecipar a opinião de alguns já manjados - é menosprezar o sofrimento alheio. Bem pior do que não fazer nada.
Na minha opinião, a situação atual do Rio exige o "salvem meu filho".
Tudo bem... exige também o "orai e vigiai."
Não sou conhecedor e muito menos especialista da área de segurança pública, mas procuro ler opiniões e notícias pra tentar entender um pouco. Ler opiniões e notícias para entender significa não torcer o nariz logo de cara para títulos de matérias ou autores e, principalmente, tentar livrar-se de convicções. Afinal isso envolve a violência e o sofrimento de pessoas inocentes.
O que mais me impressiona nessas leituras é, sem dúvida, o posicionamento dos ditos militantes partidários humanistas, defensores das minorias. Nunca sei se eles estão se referindo aos menos favorecidos, aos excluídos ou aos interesses de sua própria minoria de militantes.
Se um dia um desses militantes estiver diante de uma situação em que a polícia for chamada para salvar seu filho refém de uma arma apontada dentro de sua casa, qual será a primeira coisa que ele fará quando os policiais chegarem? Pedirá primeiro as fichas de seus prontuários pra avaliar? Exigirá que só atuem após ele aprovar a estratégia que eles utilizarão? O que ele dirá primeiro? "Não maltrate o bandido" ou "Salvem meu filho"?
É óbvio que não sou a favor da violência desmedida e reconheço que a situação do Rio não é assim tão fácil de decidir o que fazer. Mas afirmar de bate-pronto que a medida não pode ser tomada por motivos que já sabemos serem partidários-ideológicos ou eleitoreiros - e é fácil antecipar a opinião de alguns já manjados - é menosprezar o sofrimento alheio. Bem pior do que não fazer nada.
Na minha opinião, a situação atual do Rio exige o "salvem meu filho".
Tudo bem... exige também o "orai e vigiai."
domingo, 18 de fevereiro de 2018
VIVER DE QUATRO - III
Vivemos hoje num país violento, concorda? Sou amante da paz, mas se não concordar comigo eu te arrebento! Este é o Brasil dos paradoxos, onde as pessoas não fazem mais questão de levar algum tempo pra se contradizerem. É pá pum! Incoerências diretas já!
Estou longe de ser uma Madre Tereza de Calcutá ou um Mahatma Gandhi que dizia "olho por olho e o mundo acabará cego", mas essa violência já me cansou. Não... não é só a violência das ruas, do tráfico e da bandidagem. Bolsonaristas, petistas, governistas, indecisos... ninguém usa mais aqueles argumentos pensados, raciocinados e construídos para terem um mínimo de nexo. Tudo é resolvido na base da intimidação. Ou você aceita os argumentos frágeis da tropa de choque ou leva porrada, é bloqueado e vira desafeto.
Não há mais causas em comum e se existem elas são secundárias. O importante é o herói que vai comandar a solução dos problemas, não importando o método que será usado. O "eu não falei?" é mais importante que o resultado, que o bem comum. Vemos os arautos da verdade única importando-se mais com o ataque automático às boas e possíveis soluções apresentadas por seus opositores do que com as aflições dos que dependem delas.
Os políticos? Ah, eles adoram esse tipo de comportamento de seus defensores e riem deles nos bastidores enquanto contam seu (nosso) dinheiro. Muito, mas muito dinheiro mesmo! Quanto mais militantes ignorantes e atávicos melhor. Pobre que se exploda, como dizia aquele personagem do Chico Anísio, o Justo Veríssimo.
Fico imaginando como as coisas rolarão neste ano de eleições. Os que continuarem vivos elegerão o próximo presidente e viverão felizes por mais 4 anos, junto aos outros 51% que votaram nele.
Na verdade o brasileiro ainda vive de quatro.
E de quatro em quatro anos.
Estou longe de ser uma Madre Tereza de Calcutá ou um Mahatma Gandhi que dizia "olho por olho e o mundo acabará cego", mas essa violência já me cansou. Não... não é só a violência das ruas, do tráfico e da bandidagem. Bolsonaristas, petistas, governistas, indecisos... ninguém usa mais aqueles argumentos pensados, raciocinados e construídos para terem um mínimo de nexo. Tudo é resolvido na base da intimidação. Ou você aceita os argumentos frágeis da tropa de choque ou leva porrada, é bloqueado e vira desafeto.
Não há mais causas em comum e se existem elas são secundárias. O importante é o herói que vai comandar a solução dos problemas, não importando o método que será usado. O "eu não falei?" é mais importante que o resultado, que o bem comum. Vemos os arautos da verdade única importando-se mais com o ataque automático às boas e possíveis soluções apresentadas por seus opositores do que com as aflições dos que dependem delas.
Os políticos? Ah, eles adoram esse tipo de comportamento de seus defensores e riem deles nos bastidores enquanto contam seu (nosso) dinheiro. Muito, mas muito dinheiro mesmo! Quanto mais militantes ignorantes e atávicos melhor. Pobre que se exploda, como dizia aquele personagem do Chico Anísio, o Justo Veríssimo.
Fico imaginando como as coisas rolarão neste ano de eleições. Os que continuarem vivos elegerão o próximo presidente e viverão felizes por mais 4 anos, junto aos outros 51% que votaram nele.
Na verdade o brasileiro ainda vive de quatro.
E de quatro em quatro anos.
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