Bem feito! Esta é uma frase que normalmente se diz quando alguém recebe o que "mereceu", segundo o julgamento de quem fala. Como esta frase já está arraigada no vocabulário da sociedade, menciona-se automaticamente quando se vê alguém levando o que chamamos de "troco". É a lei da ação e reação, muitos dizem. Mas esta lei existe apenas para aqueles que não gostamos? Ou será que a partir do momento que dissermos "bem feito", não estaremos também sujeitos à ela? Só os nossos inimigos e desafetos agem e recebem de volta as consequências de suas ações?
A mente humana é complexa e foi muito pouco desvendada pela ciência. Equipamentos especiais conseguem revelar as regiões de atividades mais intensas do cérebro diante de estímulos externos (fatos) e internos (pensamento), podendo até prever reações diante de alguns estímulos já conhecidos, catalogados e estudados, mas não consegue prever muitos de seus efeitos colaterais. Chamo de efeitos colaterais os resultantes do processamento silencioso do nosso inconsciente em relação às nossas atitudes e às frases que mencionamos. Enquanto a nossa razão sabe muito bem o significado desse "bem feito" que falamos, como será que o inconsciente o "entende" e o processa?
Sim, tem um pouco a ver com a lei da atração abordada em "O Segredo", mas será que basta resolver este problema simplesmente negando o que se falou, substituindo a frase por palavras positivas ou de arrependimento no nível da razão? Será que o inconsciente não assume o sentido literal do "bem feito" e o cataloga como exemplo de um "bem que foi feito" e nos leva a atrair esse "bem"?
É óbvio que esses recursos racionais de recusarmos o pensamento de vingança ou praticarmos o Ho'oponopono(*) nos ajudam, mas com isto estaremos definitivamente livres dessa reação inconsciente? Na verdade não há perdão falado sem perdão sinceramente sentido. O falado pode nos ajudar a pensar, mas só uma profunda reflexão poderá nos fazer sentir.
A melhor receita para isto é a de Dalai Lama em sua definição profunda sobre o verdadeiro sentido da palavra compaixão. Só estaremos livres desse sentimento de mágoa e vingança quando procurarmos entender o funcionamento do mecanismo evolutivo. Quando conseguirmos ser verdadeiramente empáticos com os nossos semelhantes que sofrem com os revezes da vida e entendermos que eles buscam a felicidade, assim como nós buscamos. E essa compaixão nada tem a ver com aquela comumente usada pelas religiões no sentido de "dó" ou "pena". É bem mais do que isto!
"Outras pessoas, assim como eu, buscam a felicidade, não o sofrimento e, mesmo sendo inimigos, têm o direito de superar esse sofrimento. E a partir da compreensão de que eles têm esse direito, desenvolve-se um sentimento de inquietação que é a verdadeira compaixão." (Dalai Lama)
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(*)Ho'oponopono: através desse sistema você pode se livrar das recordações que tocam repetidamente na sua mente (aquela conversa mental interna incessante - principalmente depois de situações estressantes e desagradáveis) e encontrar a Paz. Sem os pensamentos se repetindo, sem crenças limitadoras, sem condicionamentos, sem as lembranças dolorosas, um espaço vazio se abre dentro de você. O Ho’oponopono lhe permite soltar estas recordações dolorosas, que são a causa de tudo que é tipo de desequilíbrios e doenças. Na medida em que a memória é limpa, pensamentos de origem Divina e Inspiração ocupam o vazio dentro de você. A única coisa que devemos fazer é limpar; limpar todas as recordações, com quatro simples frases que abrangem tudo: "Sinto muito, Me perdoe, Te amo e Sou grato" Leia mais em www.hooponopono.ws
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domingo, 26 de maio de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Arrependimentos e frustrações
"É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças." (Giacomo Leopardi)
Se você se arrependeu coisas que fez ou deixou de fazer na vida, não adianta vir com aquela historinha de tentar apagar apenas porque as frases de autoajuda mandam a gente fazer. Você não vai conseguir! A memória é como um disco rígido de computador: você pensa que apagou, mas sempre aparece alguém com um programinha que restaura o que foi apagado e a recuperação do arquivo pode ser mais dura que o próprio momento que o gerou. E se formatar o HD, vai também apagar o bom que poderia ser resgatado. O descarte seletivo ainda é a melhor forma de evitar o duplo arrependimento.
Pode haver arrependimento de se ter escolhido ou de não se ter escolhido. É importante saber diferenciar o tipo de frustração. A frustração por não ter escolhido é a mais irreal e ilusória de todas, pois, jamais saberemos o que teria acontecido se tivéssemos feito a escolha e se a fizermos num segundo momento, ela poderá ser ainda mais frustrante que a primeira com o agravante do fator "tempo", caso a decisão não permita uma terceira escolha ou retorno à primeira.
Já a frustração pós-escolha está ligada mais fortemente às nossas expectativas e a fatos REAIS já experimentados, portanto, mais fácil de ser reavaliada por meio de perguntas bem objetivas: "será que eu estava sendo realista com aquilo que esperava?"; "se esperassem o mesmo de mim, será que eu conseguiria preencher as expectativas da(s) outra(s) parte(s)?"; "já que não posso os reajustar valores da outra parte, se eu reajustar os meus à ela, sentirei-me agredido(a)?"
Fácil? Não... não é nada fácil nem simples, mas uma coisa é certa: deixar rolar não ajudará nada. Como disse Confúcio: "Ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso."
Se você se arrependeu coisas que fez ou deixou de fazer na vida, não adianta vir com aquela historinha de tentar apagar apenas porque as frases de autoajuda mandam a gente fazer. Você não vai conseguir! A memória é como um disco rígido de computador: você pensa que apagou, mas sempre aparece alguém com um programinha que restaura o que foi apagado e a recuperação do arquivo pode ser mais dura que o próprio momento que o gerou. E se formatar o HD, vai também apagar o bom que poderia ser resgatado. O descarte seletivo ainda é a melhor forma de evitar o duplo arrependimento.
Pode haver arrependimento de se ter escolhido ou de não se ter escolhido. É importante saber diferenciar o tipo de frustração. A frustração por não ter escolhido é a mais irreal e ilusória de todas, pois, jamais saberemos o que teria acontecido se tivéssemos feito a escolha e se a fizermos num segundo momento, ela poderá ser ainda mais frustrante que a primeira com o agravante do fator "tempo", caso a decisão não permita uma terceira escolha ou retorno à primeira.
Já a frustração pós-escolha está ligada mais fortemente às nossas expectativas e a fatos REAIS já experimentados, portanto, mais fácil de ser reavaliada por meio de perguntas bem objetivas: "será que eu estava sendo realista com aquilo que esperava?"; "se esperassem o mesmo de mim, será que eu conseguiria preencher as expectativas da(s) outra(s) parte(s)?"; "já que não posso os reajustar valores da outra parte, se eu reajustar os meus à ela, sentirei-me agredido(a)?"
Fácil? Não... não é nada fácil nem simples, mas uma coisa é certa: deixar rolar não ajudará nada. Como disse Confúcio: "Ser ofendido não tem importância nenhuma, a não ser que nos continuemos a lembrar disso."
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