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domingo, 7 de janeiro de 2018

SUCESSO TEM RECEITA? E O QUE É SUCESSO?

Outro dia escrevi dois pequenos textos sobre o tema sucesso.

1) "Não devemos nos sentir culpados por sermos FELIZES e outros não. FELICIDADE tem conceito subjetivo e razões efêmeras, portanto, sentir-nos culpados pode nos dar um certo ar de superioridade e arrogância. Não devemos nos sentir culpados por sermos BEM SUCEDIDOS e outros não. SUCESSO tem conceito subjetivo e razões efêmeras, portanto, sentir-nos culpados pode nos dar um certo ar de superioridade e arrogância."
Bem... eu poderia começar discutindo o conceito de sucesso, mas o assunto é tão polêmico e filosófico que certamente me faria perder o foco. Vamos supor que ser bem sucedido seja você ter um trabalho que goste, poder pagar confortavelmente suas contas, ter direito ao lazer e poupar para usufruir de conforto e segurança na velhice.

Existe receita?

Os que planejaram e deu certo acham que sim; os que não planejaram talvez tenham se arrependido de não terem planejado e os que herdaram fortunas não necessariamente se preocuparam muito com isso.

É óbvio que planejar é muito importante, seja para quem está começando a vida, seja para quem acordou mais tarde pra essa necessidade ou até para quem herdou negócios ou fortuna. Com planejamento nem tudo pode ser resolvido, mas tudo pode ser melhorado.

O problema está nas pessoas que não consideram as particularidades da vida de cada um e criticam as que não planejaram ou não foram bem sucedidas como elas foram. Muitas delas tornam-se convencidas e intolerantes com os que erraram, esquecendo-se de que existem outros valores que não podem ser medidos pela sociedade dentro dos padrões - normalmente materiais - que ela estabelece.

O que é obstáculo para uma pessoa pode não ser para outra. Depende da ordem de valores de cada um. A pessoa obstinada simplesmente retira o obstáculo alheio ao seu objetivo e continua em frente. Só consegue enxergar o sucesso do seu projeto de vida e nada mais.

Mas ambas têm algo em comum, mesmo que os valores sejam antagônicos:

2) "Para sentirem-se bem, deixaram algo que achavam menos importante de lado."

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Boicote à felicidade

Há uma frase de Tolstoi que diz: "Se quiser ser feliz, seja!" A frase é simples, mas sabemos que na prática as coisas não são tão simples assim. O que Tolstoi sugere é que existem pessoas que passam a vida inteira desejando a felicidade, mas ficam perto do desejo e longe da ação. Sabemos que não existe felicidade plena, mas podemos ampliar nossos momentos de felicidade simplesmente não boicotando (consciente ou inconscientemente) as oportunidades que aparecem. E você me perguntaria: mas como terei certeza se o que aparecer será mesmo uma boa oportunidade?

O processo de identificação de uma oportunidade não é tão difícil. Difícil mesmo é ter a coragem de nos aproximarmos dela para olhá-la um pouco mais de perto e, se for o caso, abraçá-la. No entanto, são tantas as causas que fazem com que não tenhamos coragem que é difícil enumerá-las. São experiências passadas, mágoas, indecisão compulsiva e uma série de outras, mas há uma especialmente complexa: a do boicote inconsciente. Estranho este termo, não? Qual ser humano "normal" (entre aspas) poderia desejar, mesmo que inconscientemente, a infelicidade em detrimento da felicidade?

Na verdade essas pessoas não desejam a infelicidade, mas rejeitam a oportunidade de serem felizes quando esta vai privá-las de um outro bem ou prazer maior, mesmo que mórbido ou qualquer outro patológico. Como este prazer foge das convenções filosóficas ou sociais que definem felicidade, as pessoas o escondem dos outros e de si mesmas, mas mantém inconscientemente o desejo de senti-lo e o medo de perdê-lo. Desta forma, cada chance de felicidade é rejeitada, pois, é muito mais fácil ser exigente com aquilo que ameaça um prazer maior e que já existe (mesmo patológico e inconsciente) do que com um prazer ainda desejado (mesmo que conscientemente desejado).

Por se tratar de um boicote inconsciente, estas pessoas jamais admitirão tal fato, alegando defeitos e incompatibilidades, intensificando tanto suas justificativas ao ponto de desqualificarem a oportunidade e tudo aquilo que estiver ligado a ela. E quando questionada, dirá que encontrou outra oportunidade muito melhor de ser feliz. Isto porque nesta outra, poderá manter oculto seu principal prazer.

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terça-feira, 19 de março de 2013

Felicidade verdadeira sem humanismo? Impossível!


Viver requer doses de amor, poesia e realidade. Como poderemos ser felizes vivendo apenas de amor e poesia? A realidade incomoda você? Ver pessoas amontoadas em macas pelos corredores dos hospitais, jovens drogados nas ruas, pessoas implorando por comida e um copo d'água são cenas que fazem você infeliz? Melhor permanecer em seu condomínio de muros altos ouvindo Bach? Para você é possível ser feliz fechando os olhos para a realidade?

Não... não estou pedindo para que não sejam positivos e não tenham esperanças de um mundo melhor. Não estou pedindo para que deixem de ler poesia, escutem boa música, curtam frases bonitas, que amem seus amores e seus entes queridos. Não estou pedindo para que não digam boas palavras para os que precisam ouvi-las. Só não podemos deixar que a natureza assuma nossas responsabilidades de cidadãos do mundo. Ela nem pode fazer isto porque ela apenas responde aos estímulos do ser humano incentivado pelo seu livre-arbítrio.

Sim, você é responsável. Responsável por suas escolhas. Não somos responsáveis apenas por aqueles que cativamos. "Todos somos responsáveis de tudo, perante todos", como escreveu Dostoievski.

"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti." (John Donne)