terça-feira, 24 de novembro de 2015

STF: Beco sem saída

A Operação Lava Jato avança, a despeito das manobras e pedaladas jurídicas do Supremo. Vamos supor que o STF esteja bem intencionado e que haja uma preocupação com o caos político-partidário no país, o que também resultaria num caos político-social com desdobramentos imprevisíveis e inimagináveis. Mas a pergunta é: há como evitar esse caos utilizando o bom senso jurídico? Não, não há. Mesmo que o STF esteja bem intencionado, não existirá modo suave para uma higienização político partidária no país considerando os níveis atingidos pela corrupção.

Não estamos falando de um deslize ou de um problema pontual que atinge determinados partidos. Pela própria postura da oposição (oposição?), nota-se que a corrupção é generalizada e não adianta colocar panos quentes. Já estamos naquele ponto onde se discute qual partido é menos corrupto ou que utilizou menos caixa dois, nome que se dá ao "desvio aceitável" para minimizar a podridão. Em resumo, de uma forma ou de outra, todos têm o rabo preso.

Segundo alguns jornais, Eduardo Cunha tem listas de gastos de deputados. "Cada deputado tem direito a até R$45 mil mensais livres de impostos para gastos com passagens, moradia, gasolina, aluguel de carros e de escritórios ou mesmo almoços e jantares. Já houve caso de cobrança de despesa com um regabofe em motel." (Elio Gaspari); Todos os partidos, de alguma forma ou de outra, receberam doações de empreiteiras envolvidas na Lava Jato, e por aí vai...

Não... não estou colocando todos num mesmo saco e existem exceções, mas não estamos tratando delas e sim da maioria, pois, somos governados por ela num regime (ainda) democrático. Vale no entanto ressaltar que esta minoria ainda não contaminada pode não estar acuada por ter rabo preso com a corrupção, mas por corporativismo ou medo.

Voltando então ao STF, tentar ir por caminhos mais suaves é tarefa hercúlea, senão impossível, além de que os ministros estão arriscando serem tratados como criminosos ou comparsas, pois, o povo não lê pensamentos nem interpreta intenções. Nem teria como... sua costumeira indolência está por um triz!

Como escreveu Victor Hugo: "Em tempo de revolução, cuidado com a primeira cabeça que rola. Ela abre o apetite ao povo."


Um comentário:

Antonio Batalha disse...

Estou a tentar visitar todos os amigos da verdade em poesia afim de lhes desejar um 2016 muito feliz cheio de grandes vitórias e muita saúde e Paz.
António.

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