Dilma hoje no discurso de abertura tomou posições coerentes em relação aos conflitos da Síria e Palestina, defendendo a diplomacia e diálogo ao invés de intervenção militar, apoiada ou não pela ONU. Se o intervencionismo militar resolvesse alguma coisa, os problemas do Iraque estariam resolvidos há muito tempo, mas o que vimos foi um número de mortos superior ou, na melhor das hipóteses, igual ao de uma guerra civil. Sem contar as confusões políticas e religiosas que provocaram sentimento de revolta do povo diante da quebra de sua soberania. A cultura de cada povo tem seus aspectos próprios e por mais que sejamos empáticos jamais conseguiremos nos colocar no lugar deles e muito menos entender sua ordem de valores. Sem considerar que os interesses dessas intervenções geralmente nunca são os sentimentos humanistas alegados. Esses sentimentos nobres apenas camuflam interesses político-econômicos e sentimentos de vingança de alguns países que gozam de direito de veto na ONU.
No aspecto econômico, acho que Dilma também se posicionou corretamente sobre o alegado protecionismo reclamado pelos americanos quando no aumento das taxas de importação para alguns produtos com o objetivo de segurar a supervalorização do dólar. Essa supervalorização prejudicaria ainda nossos exportadores, aumentando o déficit brasileiro nesse fluxo comercial com os EUA. Exceto em alguns curtos períodos, a balança sempre pendeu mais para o lado americano. As decisões tomadas em relação ao aumento das taxas em 100 produtos importados dos EUA (provavelmente também em mais outros 100) provocaram a ira diplomática dos americanos, mas bem que eles fazem o mesmo e muitas vezes pior em suas práticas de mercantilismo, já tendo sido repreendidos e condenados pela OMC em várias ocasiões por prática de subsídios (álcool, laranja, empresa Boeing, entre outros), práticas essas muito piores do que aumentar impostos pontualmente, pois, aumenta artificialmente sua capacidade de concorrência no mercado internacional, independentemente da produtividade do setor.
Mas vamos agora às incoerências do discurso da presidente Dilma (é... presidentE mesmo - clique e leia "Presidente ou Presidenta?"). Só existe protecionismo econômico no mundo? E o protecionismo político ideológico? Por que a presidente, tão preocupada com direitos humanos e de soberania de países do hemisfério norte, esconde ou pior, considera normais os problemas das eleições do Paraguai, regimes ditatoriais na Venezuela, Bolívia e Cuba e falta de liberdade de imprensa na Argentina? Oras... cumplicidade entre países para defender interesses próprios só existe no hemisfério norte? E a cumplicidade comuno-bolivivariana da América Latina? Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço? Cadê a arauto da justiça, mas que só reclama da injustiça dos outros?
Dessa forma, os argumentos da presidente em seu discurso na ONU podem ter sido 70% certos e os outros 30% poderiam até conter omissões, mas jamais conflitantes com a igualdade cobrada na primeira parte de sua fala. Liberdades de mercado e de expressão andam juntas. Além do mais, enquanto o Brasil continuar deixando impunes políticos corruptos e pior, os tribunais estiverem sofrendo influência do legislativo e executivo para garantir a continuidade da impunidade, todo discurso bonito será considerado hipócrita. Por mais coerente que pareça ser.
Justiça parcial, é injustiça. E não podemos ser justos se não formos integralmente humanos.
...
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Inconsciente mórbido
INCONSCIENTE MÓRBIDO
O orgulho te impede reparar o estrago deixado
pela morte da esperança e desilusão consumada;
choras o novo e saúdas a volta do velho destino,
num mórbido alívio de ver a felicidade em fuga.
Retornas às velhas ilusões travestidas de esperança,
sem refazer teus valores, sem inovar teus desejos,
como se a felicidade tivesse de adaptar-se
às tuas irretocáveis verdades e doentias necessidades;
à tua incansável resistência às realidades vividas.
E deixas pelos retos caminhos que tortuosos fizeste,
as marcas desses [até por ti] previsíveis desenganos
e continuas vagando desconcertada pela vida,
pelas estradas desconcertadas que sempre deixaste.
(Petrus Falcin)
. - .
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A vingança da Criatura
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| THE REVENGE! |
Castigo de Deus!, dirão os religiosos; aqui se faz, aqui se paga!, dirão os céticos e agnósticos; raciocínio lógico!, dirão os racionais, cartesianos e pragmáticos. Tudo bem, cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas neste caso específico, mesmo sendo espiritualista, agnóstico e humanista, vou para o lado dos racionais.
Enquanto direita e esquerda se estapeiam com suas ideologias, os que realmente decidem a parada estão calados. Cansados dessa discussão - que já não é sobre o sexo dos anjos porque suas lideranças políticas já decidiram, em comum acordo com a Igreja, de que todos os anjos são assexuados - as Criaturas mostrarão que aprenderam de forma subliminar, a patifaria de como é que se faz "a coisa". Eles receberão os candidatos em período eleitoral com sorrisos de boas vindas, mas na hora do voto darão uma grande banana pra esses dissimulados e votarão nos candidatos que eles quiserem votar. E encontrando-os na rua dirão: "votei no senhor, dotô, mas que pena... parece que dessa vez num deu, né? Mas tenha fé que na próxima o dotô ganha!" E na despedida o eleitor - do outro - diz: "olha, mas na próxima tô com o dotô de novo, viu? Conte comigo! O dotô foi injustiçado, mais é bão!"
A partir do momento em que os políticos começarem a se ferrar é que perceberão que o getulismo, o ademarismo, o janismo e o lulismo morreram da insuficiência hepática do fígado dos outros. Que foram bons professores de arte dramática, mesmo sem querer. Terão de reduzir suas verbas de sapato-de-subir-morro e investirão mais em seus blogs, sites e nas redes sociais da internet, interagindo mais com seus possíveis eleitores que, mesmo à revelia desses aproveitadores sazonais, estarão mais cansados de todo esse teatro barato, além de bem mais informados. Serão convencidos com projetos e histórico de realizações.
Será a vingança da Criatura contra seu Criador, resultado da democratização do acesso à informação sem o ranço dos interesses velados. Resultado do julgamento do mensalão democraticamente mostrado de forma nua e crua, sem possibilidade de ser escondido, seja pela imprensa venal ou de chapa branca.
Duvida? Então pague pra ver!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Leia-se: " Não é isso que eu quero que você pense"
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| "Não é isso que você ta pensando!" |
O Brasil só suportou todos esses anos de mentiras políticas porque a população ainda não estava democratizada e "desmedada" o suficiente para gritar sua insatisfação diante dos descalabros que via e pressentia. Os brasileiros de bem ainda desconfiavam do seu direito de gritar pela retomada da posse de seu país. Boa parte dos antigos intelectuais de esquerda se recusava aceitar o desmoronamento de seus sonhos socialistas alimentados desde a época da ditadura militar. E os novos, educados pela história que não presenciaram e apenas leram ou ouviram contar, foram facilmente enganados por esses lesa-pátrias travestidos de socialistas que estão no poder querendo implantar sua oligarquia mequetrefe (termo da moda).
E agora vem o "chefe" - aquele mesmo que pediu desculpas ao país pelo mensalão - dizer que esse esquema sórdido nunca existiu e que tudo é imaginação e estratégia da oposição. Será que a quimioterapia e a radioterapia queimaram seletivamente algumas regiões do seu cérebro? Ou quando saiu dos seus 8 anos de (des)governo achou o Brasil já havia se transformado na sua tão sonhada Cuba ou Venezuela? Alguém precisa dar uma chacoalhada nele e dizer que os tempos da Alemanha nazista já se foram e aqui não há espaço para Goebbels tupiniquins. Que nos dias de hoje não serão auto-falantes em praças públicas ou ex-barbudos-falantes em palanque eleitoral que (des)informarão e lavarão os cérebros do povo.
O pavor é o maior inimigo do raciocínio e nem me refiro às equações complicadas, mas até mesmo às expressões aritméticas mais elementares. O PT está dando tiro no pé, um atrás do outro nesse período de julgamento do mensalão. Primeiro Lula pressiona Gilmar Mendes e depois diz que o julgamento do STF é uma ameaça à democracia. Depois vem Haddad dizendo que é degradante ter sua imagem associada à José Dirceu e Delúbio. E pior... escreveu isso e ainda registrou em cartório para se defender dos ataques da propaganda eleitoral de Serra.
Enfim, parafraseando Simone de Beauvoir, "É horrível assistir à agonia de uma esperança".
Horrível pra eles e para suas esperanças que, diga-se de antemão, não são as mesmas do povo mais esclarecido e consciente.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Brasil Carinhoso - Bom dia, dona Dilma!
Escrever algo para introduzir ou complementar este texto seria heresia.
BRASIL CARINHOSO
Bom dia, dona Dilma!
Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO.
Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor, senhora presidentA! É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.
Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza, reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para engordar sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano quinquenal engenhoso de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.
É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a plateia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.
Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura, bastante politizada, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do quanto pior, melhor. São discricionários, praticantes do bullying mais indecente da História do Brasil.
Em 1988 a Assembleia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a lei*. Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição, enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei, menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro quente, para não deixar dúvida d e que são mal-nascidos. Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza, publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação. Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual, empresarial, cultural e política do País. A Câmara Federal endoidou? O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma? Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!
Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes, é disto que o Brasil precisa. Para ontem. De ensino técnico, profissionalizante. Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do ensino médio incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal de um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe calcular juros. Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar o ferro de passar roupa. Não é capaz de fritar um ovo. O estudante e a estudantA brasileiros só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste. Nossos meninos e jovens leem (quando leem), mas não compreendem o que leram. Estamos na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque domino o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública mineira, por opção política e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus professores. A educação de Minas é uma vergonha, a senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque confirma o que estou informando.
Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel Brizola. Convide o senador Cristovam Buarque para um café-amigo, mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.
A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente. Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado, sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis, para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em instalações individuais para um máximo de quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa. De zero a dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula dá pra chegar num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende do ponto de vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser feita por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha mais, consome mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para as burras dos governos. Vale à pena investir mais em educação do que em caridade, pelo menos assim penso eu, materialista convicta.
Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela. Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade, apenas para a senhora saber com quem está falando.
Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida é para que não lhe falte discernimento, saúde nem coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada é o seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim, precisado de muito amadurecimento e aprendizado. O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio e a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo. Sou fazendeira e ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a sensatez. Deixe o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília, bem instalados e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o processo eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é os outros. A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidentA do Brasil, e não a presidentA de um partidinho de aluguel, qualquer.
Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro. Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos, sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo tendencioso, refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.
A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa, BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda institucional feita incessantemente pelo governo petista na última década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada, que entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis, se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e brasileira vão ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à delinquência e às drogas.
Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar da pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes ainda está na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a obrigação de votar e o direito de votar e ser votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social, alienada e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão, pronto para depositar um voto na urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar, est a foi a escolha de vocês.
A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista, burro-de-carga brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais. Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou niente? Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada de capital. Democracia é isto, minha cara. Transparência. Não ofende. Não dói.
Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE. Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim, francês e português. Por favor, corrija esta informação.
Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora nunca saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente para que alguém, ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.
Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda. R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem tem em casa uma criança de zero a seis anos, é uma esmolinha bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma? Carinho de presidentA da república do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma campanha institucional a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já produziu dois filhos. É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula, do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.
Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não. Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos desonestos, chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa ignara. Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos, excluídos? Os miseráveis são. Mas votam, como qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.
A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social. Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas, a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!
Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia para sustentar a máquina extraviada do governo petista.
Último lembrete: a pobreza é uma consequência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.
Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de protestar, sabe por quê? Porque, de cada delírio seu, quem paga a conta sou eu.
Atenciosamente,
Martha de Freitas Azevedo Pannunzio
Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012
domingo, 16 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Crítica, julgamento e veredicto - Ensaio II
Vivemos das nossas ilusões. Não enxergamos o que vemos, mas o que desejamos ver. E dessa visão seletiva nasce e borbulha a fonte do nosso julgamento. Ninguém consegue viver sem julgar; ninguém julga sem morrer um pouco.
O que nos incomoda é o julgamento ou a condenação? Alguém reclama quando é absolvido, seja por um tribunal, pela sociedade ou por uma só pessoa? Não... ninguém reclama dizendo: Você me absolveu! Julgamento é um processo que avalia os prós e contras para determinar uma escolha. No entanto, como o ser humano é especialista em unificar significados para defender seu ego, unificou as palavras CONDENAÇÃO e JULGAMENTO, sendo que uma (Julgamento) é um processo e outra (condenação), o veredicto. Quando se diz, “você me julgou”, na verdade se quis dizer "você me condenou".
O julgamento faz parte do ser humano e não há nada de errado em julgar, desde que seja um processo interno; desde que não se rotule o objeto do julgamento; que não nos fechemos para uma reavaliação constante. Um processo sem veredicto, dinâmico e inconclusivo, utilizado apenas para escolhas momentâneas e não definitivas.
A verdade, a mentira; o bem, o mal; o certo e o errado fazem parte do dualismo móvel que modela a nossa essência. Nas religiões e nos dogmas, por exemplo, o dualismo é estático porque necessita impor verdades, pois, aceitar o dinamismo da evolução e mudar seria transformar verdades-leis em contradições diante de seus seguidores. As religiões com as suas verdades transformaram a humanidade numa confraria de seres inflexíveis e intolerantes.
O problema não está em julgar, mas em declarar publicamente o veredicto, seja ele de absolvição ou condenação. O problema está em rotular e influenciar pessoas. O problema está em não julgar a si mesmo com a mesma assertividade e eficácia com que se julga o outro.
O filósofo Arthur Schopenhauer em "Aforismos para a Sabedoria de Vida", faz uma reflexão sobre a crítica e a auto-crítica, comparando o crítico com um cão que late na frente do espelho, sem entender que aquilo que vê é um reflexo da sua própria imagem.
Por outro lado, quase que inconscientemente, quem critica trabalha para sua própria melhoria, submetendo secretamente suas próprias omissões e ações aos parâmetros da sua consciência, embora motivado pela observação do comportamento alheio.
Este processo de crítica e auto-crítica, mesmo não sendo público, é a base evolutiva do ser humano. Latindo para a imagem do espelho, essa variação pensante de cão acaba guardando suas incoerências num determinado cantinho do inconsciente e, mais cedo ou mais tarde, as encontrará nas faxinas dos porões da alma.
Tarde demais?
Não! Só se faz faxina no momento certo. Depende da tolerância de cada um à poeira acumulada com o tempo.
Julgar não é condenar e absolver não é perdoar. Julgamos quando precisamos decidir; perdoamos quando compreendemos.
O que nos incomoda é o julgamento ou a condenação? Alguém reclama quando é absolvido, seja por um tribunal, pela sociedade ou por uma só pessoa? Não... ninguém reclama dizendo: Você me absolveu! Julgamento é um processo que avalia os prós e contras para determinar uma escolha. No entanto, como o ser humano é especialista em unificar significados para defender seu ego, unificou as palavras CONDENAÇÃO e JULGAMENTO, sendo que uma (Julgamento) é um processo e outra (condenação), o veredicto. Quando se diz, “você me julgou”, na verdade se quis dizer "você me condenou".
O julgamento faz parte do ser humano e não há nada de errado em julgar, desde que seja um processo interno; desde que não se rotule o objeto do julgamento; que não nos fechemos para uma reavaliação constante. Um processo sem veredicto, dinâmico e inconclusivo, utilizado apenas para escolhas momentâneas e não definitivas.
A verdade, a mentira; o bem, o mal; o certo e o errado fazem parte do dualismo móvel que modela a nossa essência. Nas religiões e nos dogmas, por exemplo, o dualismo é estático porque necessita impor verdades, pois, aceitar o dinamismo da evolução e mudar seria transformar verdades-leis em contradições diante de seus seguidores. As religiões com as suas verdades transformaram a humanidade numa confraria de seres inflexíveis e intolerantes.
O problema não está em julgar, mas em declarar publicamente o veredicto, seja ele de absolvição ou condenação. O problema está em rotular e influenciar pessoas. O problema está em não julgar a si mesmo com a mesma assertividade e eficácia com que se julga o outro.
O filósofo Arthur Schopenhauer em "Aforismos para a Sabedoria de Vida", faz uma reflexão sobre a crítica e a auto-crítica, comparando o crítico com um cão que late na frente do espelho, sem entender que aquilo que vê é um reflexo da sua própria imagem.
Por outro lado, quase que inconscientemente, quem critica trabalha para sua própria melhoria, submetendo secretamente suas próprias omissões e ações aos parâmetros da sua consciência, embora motivado pela observação do comportamento alheio.
Este processo de crítica e auto-crítica, mesmo não sendo público, é a base evolutiva do ser humano. Latindo para a imagem do espelho, essa variação pensante de cão acaba guardando suas incoerências num determinado cantinho do inconsciente e, mais cedo ou mais tarde, as encontrará nas faxinas dos porões da alma.
Tarde demais?
Não! Só se faz faxina no momento certo. Depende da tolerância de cada um à poeira acumulada com o tempo.
Julgar não é condenar e absolver não é perdoar. Julgamos quando precisamos decidir; perdoamos quando compreendemos.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Entre direita ou esquerda, siga reto.
Não gosto e jamais gostei da palavra patriota. Muita injustiça no mundo foi feita em nome do patriotismo, "qualidade" esta exaltada por ditadores para criar o ufanismo popular, ambiente conveniente para desviar a atenção das massas diante da necessidade estratégica dos governos opressivos de justificar ações que contrariam alguns dos mais importantes e elementares direitos do ser humano. Direitos estes que, principalmente, envolvem a liberdade e o direito de defesa dos contrários ao regime implantado. Albert Einstein dizia, com razão, que "o nacionalismo é uma doença infantil; o sarampo da humanidade."
E afinal, o que é direita e o que é esquerda?
História: O termo surgiu durante a Revolução Francesa (Monarquia Constitucional), em referência à disposição dos assentos no parlamento; o grupo que ocupava os assentos da esquerda apoiavam as mudanças radicais da Revolução, incluindo a criação de uma república ou o parlamentarismo da Inglaterra e a secularização do Estado.
Esquerda: O termo esquerdista passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas. O termo também é utilizado para descrever a social democracia e o liberalismo social (diferente do liberalismo econômico, considerado atualmente de direita).
Direita: O termo refere-se geralmente ao conservadorismo e ao liberalismo econômico de livre mercado. Muitos libertários e liberais, porém, recusam esse tipo de enquadramento. A partir do século XX, o termo extrema-direita passou também a ser utilizado para o fascismo, bem como para grupos ultranacionalistas.Rótulos... só rótulos! Já estou cansado também desses "esquerdistazinhos" de araque que repetem o tempo todo chavões e palavras de ordem da esquerda retrógrada, como se ainda estivéssemos ouvindo ecos de tempos remotos que ficaram ricocheteando no vale do tempo. Catequizadores fora de moda que decoraram bordões do empoeirado manual de práticas estalinistas e que até hoje vêem fantasmas aterrorizando seus castelos medievais ideológicos. Não percebem que já estamos mais politizados, cansados dessas idiotices ideológicas que tentam nos meter goela abaixo por imaginarem que estamos ainda trancados nas masmorras desses seus castelos, sem sinal de Internet e sem acesso à informação. É a pretensão de nos impor uma espécie de tutela inconscientemente consentida por meio de frases ultrapassadas, imaginando que essas besteiras se acomodarão silenciosamente em nossos subconscientes imaturos, transformando-nos em zumbis a serviço de uma esquerda retrógrada que já faz parte do mundo dos espíritos.
Estamos entrando na era do humanismo. Atrasados, mas estamos. O mundo está menor e os seres humanos encontram-se irreversivelmente mais próximos, além de cansados de tantas tentativas frustradas desses dominadores dissimulados que se escondem sob o pano vermelho-acinzentado de suas propostas pseudo-humanistas, prometendo-nos uma nação mais justa, igualitária e rica. Igualitária, mas só para os membros do politburo tupiniquim que desejam formar; justa, mas no sentido da estreiteza de suas ideias e pensamentos, e rica para que alguns privilegiados do regime possam roubar mais para seus partidos políticos e para si próprios.
Fanatismo e compulsão ao roubo são doenças, mas não virais. Podem ser facilmente prevenidas por meio da educação social e política. E para os portadores dessa patologia, a cura está no repouso absoluto até esvaziar suas mentes doentes para depois reeducá-las dentro de conceitos mais atuais e mais humanistas.
Se não conseguirem curar-se com esses remédios, tentem saltar no próprio abismo negro que criaram. Farão um grande bem para a humanidade.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Sonhos e ilusões
Quantas chances não perdemos na vida por desejarmos coisas que, no fundo, sabemos que não conseguiremos? Quantas chances não perdemos na vida por desistirmos de algumas coisas porque achávamos que não as conseguiríamos. Até onde deve ir a persistência antes de se tornar obstinação?
A verdade é que estamos sempre entre nossos sonhos e nossas reflexões; entre decisões e indecisões. Viver é sonhar; viver é tentar; viver é buscar; viver é alcançar; viver é desistir; viver é perder. Viver também é refletir, poetar, prosear e filosofar:
A verdade é que estamos sempre entre nossos sonhos e nossas reflexões; entre decisões e indecisões. Viver é sonhar; viver é tentar; viver é buscar; viver é alcançar; viver é desistir; viver é perder. Viver também é refletir, poetar, prosear e filosofar:
- "Não abandones as tuas ilusões. Sem elas podes continuar a existir, mas deixas de viver." (Mark Twain)
- "Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos." (Fernando Pessoa)
- "Ser rico é saber contentar-se com o que se tem" (Lao-Tsé)
A diferença entre sonho e ilusão está na linha do tempo. O sonho - realizado ou não - nunca deixa de ser sonho e a ilusão só pode ser definida após a frustração desse sonho. Portanto, não é certo dizer "isso que você quer é pura ilusão" porque nossos limites são estabelecidos pela intensidade dos nossos próprios desejos. E essa intensidade, por sua vez, é definida pela nossa ordem de valores. Daí a dificuldade de empatia e, consequentemente, de tentarmos estabelecer limites para outras pessoas. Antes de aconselhar sobre os limites dos sonhos de alguém, lembre-se do que escreveu Fernando Pessoa:
"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."
Sonhe e acorde; abstraia-se e volte a sonhar.
Pois, "somos do mesmo tecido de que são feitos os sonhos" (Shakespeare)
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Chega de imposto(res)!
O Brasil está próximo da marca de 1 trilhão de impostos arrecadados no ano, valor que será atingido 15 dias antes do ano passado. Quando falamos em impostos, não são todas as pessoas que entendem que esse monstruoso valor arrecadado deveria retornar em benefícios para a população que o paga. Quando vemos notícias de desvios do dinheiro público, muito mais do que roubo, esse crime representa MORTES em filas de hospitais, falta de escolas e de saneamento básico, e por aí vai.
O brasileiro é o segundo no mundo que mais precisa trabalhar no ano para pagar impostos, ou seja, tem que trabalhar 150 dias (5 meses ou quase meio ano) para começar a receber seu dinheiro limpo.
Na classificação dos cinco primeiros países, em primeiro está a Suécia (185 dias) e depois do Brasil vem França (149 dias),
Espanha (137 dias) e EUA (102 dias). O problema central não é a classificação ou quem trabalha mais, mas O QUE RETORNA PARA A POPULAÇÃO dos impostos pagos. Mesmo sem entender de economia e sem pensar muito, você pode responder o povo quem tem melhor retorno dos impostos e uma vida melhor: suecos, brasileiros, franceses, espanhóis ou americanos?
Não precisamos esperar que um parente ou amigo morra na fila de atendimento médico; que nossos filhos não consigam matricular-se numa escola pública ou notarmos que o nível de ensino é péssimo e que trabalhamos 185 dias para pagar impostos que não retornam para melhorar nossa condição de vida. Não precisamos que ROUBEM parte do que pagamos com o suor dos nossos rostos para enriquecer alguns políticos, partidos e empresários inescrupulosos.
O voto é uma das armas que temos para acabar com essa festa de falcatruas e roubos em nossa cidade, estado e país. A outra arma é o acompanhamento do trabalho de 4 anos dos políticos que elegemos, pois, votar bem é pouco.
Deste ano em diante, façamos diferente do que fizemos até hoje. Lembre-se: Você pode estar sendo, mesmo que inconscientemente, responsável por mortes em hospitais públicos, pelo péssimo nível da educação, pelo aumento da criminalidade e por aí vai. Isto não é força de expressão, mas a pura verdade.
E durma em paz com a sua consciência!
http://www.impostometro.com.br/
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Uma visão "indefinitiva" sobre a vida e a morte
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| O importante são as marcas que deixamos no caminho |
As religiões tentam em vão preparar suas ovelhas para esses momentos, mas seus dogmas se limitam a vender um pacote de esperanças no qual a fé nas palavras - normalmente mal interpretadas - de seus profetas é condição obrigatória. Nem vou entrar nos detalhes das contrapartidas exigidas por essas religiões de seus fiéis, na maioria dos casos, conflitantes com suas pregações e filosofias. Que as reflexões sobre esse tema sejam realisticamente encaradas por seus seguidores, sem no entanto deixar de lado a busca por suas próprias verdades.
Os ateus e agnósticos - com algumas variações entre eles - também têm seus problemas existenciais e dúvidas sobre o assunto, pois, da mesma forma como não se pode afirmar a existência de Deus, também não a sua inexistência. O que vemos são apenas argumentações e contra-argumentações nesse campo do desconhecido. O fato de negarem a existência de Deus não os livra dessa reflexão, mas apenas a posterga, pois, a negação e o ceticismo são, de um jeito ou de outro, uma forma de concentrar sua lógica em probabilidades. E probabilidades, mesmo que denotem uma visão mais científica não são certezas, mas apenas probabilidades.
Algumas filosofias pregam ser tudo uma ilusão, ou seja, que vivemos num mundo fenomênico em que nem a existência de fatos pode ser confirmada, apresentando-se cercada de incertezas e projeções da mente. Da pra "pirar" refletir sobre isto!
Em resumo, no fundo todos somos situacionalmente - mesmo que por alguns segundos - crentes, descrentes, ateus e agnósticos e, entre a vida e a morte, temos consciência apenas da vida e nos concentramos nela. Recheada ou não de ilusões e incertezas, quantos amigos e parentes já se foram e mantemos suas realizações e lembranças eternamente em nossos corações?
Não importa se existe um Deus com dedo em riste ou representado por uma energia amórfica; se existem santos, mestres, deuses ou figuras mitológicas. Existe uma vida ou um resto de vida ternária para ser vivida enquanto encarnados e ela será fruto de recordações para nossos filhos, cônjuges, parentes, amigos e até para inimigos, mesmo aqueles para os quais jamais percebemos que um dia o fomos.
Como escreveu Fernando Sabino:
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
No meio do caminho havia pedras
Nesse período de julgamento do mensalão, todos se voltam para o STF, acompanhando o julgamento e os votos dos ministros. Sinceramente, estou cansado dessa história de que nós, leigos em matéria de direito, não podemos emitir nossas opiniões sobre o assunto. Como se não bastasse a farta corrupção espalhada pelos quatro cantos deste país, temos agora que ficar em silêncio aguardando comportadamente o bater do martelo dos deuses do Olimpo para só então gritarmos: NOS FERRARAM MAIS UMA VEZ!
Médico também estudou, fez juramento, tem o título de doutor e um manual de ética, mas se eu disser pra ele onde está doendo, isto abreviará o tempo do diagnóstico e da cura. O ser humano e seu senso de justiça nasceram bem antes das leis, dos advogados, promotores e juízes. Um grande humanista chamado Mohandas Karamchand Gandhi - conhecido como Mahatma Gandhi - disse um dia: "Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo". Eu nunca escrevi palavrões aqui neste blog e podem procurar, mas como sempre existe a primeira vez, eu digo: ÀS FAVAS ESSES TECNOCRATAS DE MERDA!
Leis não foram feitas para a justiça técnica, mas para a JUSTIÇA HUMANA. E quando a sensibilidade da maioria de uma nação grita, dizendo que não está havendo JUSTIÇA HUMANA, acreditem: NÃO ESTÁ HAVENDO JUSTIÇA HUMANA. E continuando com o paralelo do médico, se a receita não faz a dor parar e não cura a doença, troca-se de médico. Mas no caso da justiça, se a dor da injustiça não pára de doer e o câncer da corrupção se alastra, como trocar nossos advogados, juízes e ministros do supremo? Votar em novos governantes? Não... não há ser humano que suporte uma dor dilacerante por 4, 8 ou 12 anos.
O ministro Gilmar Mendes, falando sobre impunidade e corregedorias disse uma vez: “Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se cuida de investigar os próprios pares. Jornalistas e jornaleiros dizem isso toda hora”. Oras, grande ministro, utilizo a mesma força de expressão para dizer agora: Até as pedras sabiam que o ministro Lewandowski daria uma no cravo e outra na ferradura. Que quando primeiro votou pela condenação de Marcos Valério, sócios e funcionário do Banco do Brasil, estava preparando o terreno para absolver o PRIMEIRO POLÍTICO dos réus do mensalão. Cantei a bola dois dias antes e: DITO E FEITO! Afinal, só empresários, funcionários e ladrões de galinha são condenados neste país. Coincidência Lewandowski guardar seu contraponto ao relator em nome do equilíbrio do julgamento, coincidentemente apenas para o réu político? E como serão os outros contrapontos de Lewandowski? Para outros empresários e funcionários também ou apenas para os próximos políticos da lista?
Daqui pra frente é só acompanhar aqueles que já conhecemos de outros carnavais. Thomaz Bastos tinha razão em sua profecia. A justiça brasileira está previsível demais. Se até as pedras sabem, que dirá nós, feitos de carne e sentimentos?
Como seria bom se no meio do caminho houvesse apenas uma pedra e não, cinco ou seis!
Médico também estudou, fez juramento, tem o título de doutor e um manual de ética, mas se eu disser pra ele onde está doendo, isto abreviará o tempo do diagnóstico e da cura. O ser humano e seu senso de justiça nasceram bem antes das leis, dos advogados, promotores e juízes. Um grande humanista chamado Mohandas Karamchand Gandhi - conhecido como Mahatma Gandhi - disse um dia: "Quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo". Eu nunca escrevi palavrões aqui neste blog e podem procurar, mas como sempre existe a primeira vez, eu digo: ÀS FAVAS ESSES TECNOCRATAS DE MERDA!
Leis não foram feitas para a justiça técnica, mas para a JUSTIÇA HUMANA. E quando a sensibilidade da maioria de uma nação grita, dizendo que não está havendo JUSTIÇA HUMANA, acreditem: NÃO ESTÁ HAVENDO JUSTIÇA HUMANA. E continuando com o paralelo do médico, se a receita não faz a dor parar e não cura a doença, troca-se de médico. Mas no caso da justiça, se a dor da injustiça não pára de doer e o câncer da corrupção se alastra, como trocar nossos advogados, juízes e ministros do supremo? Votar em novos governantes? Não... não há ser humano que suporte uma dor dilacerante por 4, 8 ou 12 anos.
O ministro Gilmar Mendes, falando sobre impunidade e corregedorias disse uma vez: “Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se cuida de investigar os próprios pares. Jornalistas e jornaleiros dizem isso toda hora”. Oras, grande ministro, utilizo a mesma força de expressão para dizer agora: Até as pedras sabiam que o ministro Lewandowski daria uma no cravo e outra na ferradura. Que quando primeiro votou pela condenação de Marcos Valério, sócios e funcionário do Banco do Brasil, estava preparando o terreno para absolver o PRIMEIRO POLÍTICO dos réus do mensalão. Cantei a bola dois dias antes e: DITO E FEITO! Afinal, só empresários, funcionários e ladrões de galinha são condenados neste país. Coincidência Lewandowski guardar seu contraponto ao relator em nome do equilíbrio do julgamento, coincidentemente apenas para o réu político? E como serão os outros contrapontos de Lewandowski? Para outros empresários e funcionários também ou apenas para os próximos políticos da lista?
Daqui pra frente é só acompanhar aqueles que já conhecemos de outros carnavais. Thomaz Bastos tinha razão em sua profecia. A justiça brasileira está previsível demais. Se até as pedras sabem, que dirá nós, feitos de carne e sentimentos?
Como seria bom se no meio do caminho houvesse apenas uma pedra e não, cinco ou seis!
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Thomaz Bastos, advogado, ex-ministro e profeta
Observa também a Folha: "Thomaz Bastos teve grande influência durante o primeiro mandato (2003-2006) de Luiz Inácio Lula da Silva, na indicação de nomes para o STF. Vários desses ministros hoje dão indicações de que podem votar pela condenação de mensaleiros. Thomaz Bastos diz não se arrepender de nenhuma indicação."
Ninguém acredita nesse papel de coadjuvante em que Thomaz Bastos se coloca em relação aos outros advogados. Ele, mesmo nos bastidores, com seu notório saber jurídico e status de ex-ministro, certamente comanda TODAS as ações dos defensores dos réus e não poderia ser diferente. No entanto essa previsão profetizada por Bastos em relação ao julgamento nos assusta, mesmo armados do velho ceticismo justificado pelo histórico da impunidade no Brasil.
Essas entrevistas e declarações proféticas de Thomaz Bastos, vão muito além do seu notório saber jurídico, chegando ao não tão notório conhecimento da máquina. Ele sabe "como as coisas funcionam".
Como as coisas funcionam? Oras... alguém pode me dizer como as coisas funcionam? Ou pelo menos como deveriam funcionar?
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