domingo, 28 de julho de 2013

O conservadorismo dos religiosos, dos agnósticos e dos ateus.

Falam do conservadorismo da igreja em determinados assuntos, mas qual religião não é conservadora se pensarmos que TODAS se mantém fiéis às suas escrituras dos séculos ou milênios passados? Qual não mantém a imagem de um Deus sentado num trono com o dedo em riste apontado para os pecadores? Que só perdoa quando Lhe é dirigido um pedido de perdão, mesmo que não seja sincero? Como se aceita que um Deus, exemplo de tolerância e bondade, fraterno e piedoso, fechando o Mar Morto sobre os egípcios, matando todos os cavalarianos do seu exército? Por que nunca foi crime matar os "inimigos de Israel"? Por que se usa até hoje a frase "temer a Deus" ao invés da "respeitar a Deus"?" Metáforas e parábolas permitem adequações para os novos tempos. Não se conserva o espírito conservando palavras e interpretações milenares como prova de respeito. A maior prova de respeito a Deus é fazer com que Ele ou o seu significado sejam claramente entendidos. Ao contrário do que muitos pensam, as religiões não são universalmente monoteístas, mas monoteístas apenas dentro de suas próprias religiões, com seu próprio Deus.

Portanto, os humanos ainda são politeístas, como os antigos egípcios antes de Amenófis IV ou Aquenaton. A grande prova disso é que as palavras tolerância, fraternidade e humanismo, embora tenham significados únicos e sejam pregadas por TODAS as religiões, assumem significados diferentes quando são pregadas pela concorrência. Em resumo, paradoxalmente, só o meu Deus é o verdadeiro, só a minha religião tem a verdade; só minha religião pode ser fraterna e humanista. E assim caminha a humanidade, cada vez mais egoísta, mais dividida em castas religiosas e menos universalista.

Não sou católico, sou agnóstico. Ao contrário do que muitos pensam, agnóstico não é sinônimo de ateu. O agnóstico acredita numa energia ou força maior, amórfica e despersonificada. No entanto, mesmo agnóstico, entendi perfeitamente a mensagem do Papa Francisco e a recebi com alegria. Não me preocupa o fato de representar a Igreja Católica, mas sim o que ele quis dizer. Se ele "vendeu" a imagem da Igreja, pouco me importa porque continuarei agnóstico e sem religião. Mas tenho que reconhecer que ele discursou para 110 milhões de brasileiros, 57% da população. Como ignorar a importância desses milhões? Como ignorar a influência de palavras encorajadoras, fraternas e humanistas para mais da metade da população brasileira? Como ignorar a convocação de jovens para derrubarem barreiras de intolerância e ódio e "construírem mundo novo" ou que os jovens "muitas vezes se desiludem com notícias que falam da corrupção...". Pede para que "nunca desanimem, nunca percam a confiança. Não deixem que se apague a esperança, a realidade pode mudar. O homem podem mudar. Procurem ser vocês os primeiros a procurar o bem”.

Eu ouvi o coração do Francisco. Um homem que representa uma religião ainda muito conservadora, mas que tenta fazer o seu papel, inclusive o de melhorar a imagem da própria igreja por meio de exemplos pessoais e ações político-administrativas que buscam deixá-la mais coerente com aquilo que prega. Falta muito, sei que falta. Mas já é um começo e iremos acompanhar.

Vá com Deus, irmão Franciscano, e obrigado! Que venham líderes de TODAS as outras religiões pregando amor e fraternidade em linguagem ecumênica, sem deslizes. Que não aceitem fazer parte de tramas políticas e que não se deixem ser usados, mantendo-se firmes em seu propósito de levar um pouco mais de espiritualidade para um mundo cada vez mais egoísta e materialista. A Casa do PAE não só tem várias moradas, como vários caminhos do bem. Como disse Mahatma Gandhi, "as verdades diferentes na aparência são como inúmeras folhas que parecem diferentes e estão na mesma árvore."

E para as religiões, a frase do escritor e poeta irlandês Jonathan Swift:
"Nós temos religiões suficientes para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros."

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