sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ceticismo ou teimosia?

Muitos se assustam e rejeitam a leitura de textos que falem sobre espiritualidade, mas há uma explicação muito simples para essas reações. As religiões exploraram tanto esse tema de uma forma tão incoerente que afastaram as pessoas mais racionais e pragmáticas da busca espiritual. Vários são os motivos que levaram essas pessoas a esse ceticismo, que vão das incoerências nas atitudes dos religiosos em relação aos seus discursos, aos interesses econômicos exacerbados de suas religiões. Do lado econômico, não me refiro à importância do dinheiro neste mundo terreno para que as religiões possam fazer o seu trabalho e manter suas estruturas, mas sim do foco excessivo nos bens de capital sem a devida aplicação proporcional na disseminação de seus princípios e na exploração financeira de seu seguidores.

As religiões não acompanharam a evolução cultural do ser humano e da sociedade em que ele vive com medo de perderem a "coerência" com seus princípios e, consequentemente, o poder sobre  suas "ovelhas". Quanto mais rígidos e reacionários os princípios de uma religião, maiores são as oportunidades de ações hipócritas de seus representantes, fazendo com que seja constante a procura dessas ovelhas por pastos onde a tolerância seja mais viçosa.

E o cético, por sua vez, nega a existência de seu lado mais sutil, movido pela sua rejeição a todo esse sistema que tenta monopolizar a verdade e, por conseguinte, o caminho para o desenvolvimento de sua espiritualidade latente. Se ao menos ele desse mais atenção à sua intuição e não a encobrisse com a racionalidade excessiva, com sua alma livre de preconceitos poderia experimentar outras sutilezas do corpo e da mente, ou seja, perceber-se mais do que se percebe.

Se não bastasse isto, o cético é tão racional que quando chega no fim da vida e se vê obrigado a mudar sua visão da existência humana, acaba descartando essa última oportunidade de reavaliar sua ordem de valores e conceitos por acreditar que sua fragilidade física com a proximidade da morte o está tornando mais sentimental e, portanto, sujeito às crises de nostalgia e arrependimentos.

Escreveu Albert Einstein: "(...) agora que envelheci, passei a olhar a morte como uma dívida antiga que é preciso, afinal, saldar. Contudo, instintivamente, faz-se quanto é possível para delongar esse acontecimento. Tal é o jogo que a natureza joga conosco. Podemos achar graça por assim ser, mas não conseguimos libertar-nos do instinto de sobrevivência a que todos estamos presos."

Esta necessidade de reavaliar conceitos não pode ser interpretada como esperança de vida após a morte ou alguma espécie de consolo. Independentemente da crença em algo superior (não necessariamente na figura de um deus sentado em seu trono, mas de uma energia "creadora" amórfica), por que não tentar descobrir essas sutilezas ainda inexplicáveis (e não mesmo) pela limitadíssima ciência dos homens nesse campo do sutil?

2 comentários:

Monge Aprendiz disse...

Reflexão muito coerente e sensata, parabéns pelo texto e pelo blog. Estou pensando em criar também um canal (blog) como este para discutir e principalmente me expressar sobre a espiritualidade, sinto essa necesssidade. Obrigado!

Pura Reflexão disse...

Caro Monge... aprendiz todos sempre seremos. Até Deus é um eterno aprendiz, experimentando sensações através de nós, seus filhos. Obrigado por comentar. Crie seu canal e siga o seu caminho! Abraços

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