segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tente primeiro ser feliz sozinho

Há uma frase de Anaxágoras* que diz: "De todos aqueles que consideramos felizes, não há um que o seja". Alguns dirão que isto não é verdade porque conhecem muitas pessoas felizes. Esses que pensam assim e evitam refletir profundamente não percebem que estão ficando cada vez mais distantes da felicidade, independentemente da exata definição que se dê para ela. Vamos avaliar esse julgamento que fazemos da pessoa "feliz" sem nos preocuparmos em definir o significado da palavra felicidade, mas considerando apenas seu efeito principal que é o do FREQUENTE estado de alegria. E a reflexão deve começar exatamente pela nossa concepção de FREQUÊNCIA e de EMPATIA, sendo que esta última - diferente de simpatia - significa conseguir colocar-se no lugar de uma outra pessoa.

Ao considerarmos, por exemplo, duas pessoas (um casal) felizes porque quando os encontramos ambos estão "sempre" alegres, respeitosos e carinhosos um com o outro, essa felicidade que percebemos está muito mais ligada aos nossos desejos e às nossas frustrações do que à efetiva realidade que imaginamos existir na vida do casal. No caso de realmente serem felizes, devemos nos lembrar de que existe uma infinidade de atributos individuais que certamente favoreceram essa conquista, além da frequência com que os vemos e os locais em que os vemos. E será que, fôssemos nós o homem ou a mulher desse feliz casal, conseguiríamos atingir e manter a felicidade da mesma forma como eles conseguem? É mais ou menos o que o ex-presidente americano John Kennedy dizia: "São precisos dois para fazer a paz".

Certamente a felicidade de um casal tem muito a ver com o nível geral de tolerância que, longe de ser média aritmética, envolve uma complicada "equação egóica" que considera, principalmente, objetivos pessoais, tolerância individual e ordem de valores, sendo o amor e os objetivos comuns os elementos que comporão o amálgama dessa almejada felicidade. Estando no lugar dele ou dela, estaríamos dispostos a fazer a nossa parte? Só para responder esta pergunta já reduziríamos consideravelmente os níveis de fosfato e autocrítica dos nossos estoques pessoais!

Há também a felicidade relacionada ao sucesso profissional e ao do dinheiro (status e riqueza) que, em síntese, apresenta uma equação que não difere muito da que define o sucesso no casamento. Esses dois últimos sucessos também estão ligados às nossas frustrações, à ordem de valores, aos objetivos de vida e também à nossa capacidade de empatia. Vemos essas pessoas de sucesso no alto do pódio, mas desconhecemos, entre outras coisas,  as oportunidades que tiveram e as concessões e privações às quais esses supostos vencedores se submeteram. Você acha que sim, mas será que eles se consideram vencedores?

E para qualquer um desses casos de felicidade, a pergunta final é: "De todos aqueles que consideramos felizes, há [realmente] um que o seja?"

Como escreveu o gênio Carlos Drummond de Andrade, "Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade."

Antes de buscar estímulos externos, tente primeiro ser feliz com e por você mesmo!


( * )Da frase de Anaxágoras de Clazômenas (500 a.C. - 428 a.C.), filósofo grego do período pré-socrático. Nascido em Clazômenas, na Jônia, fundou a primeira escola filosófica de Atenas, contribuindo para a expansão do pensamento filosófico e científico que era desenvolvido nas cidades gregas da Ásia. Era protegido de Péricles que também era seu discípulo. Em 431 a.C. foi acusado de impiedade e partiu para Lâmpsaco, uma colônia de Mileto, também na Jónia, e lá fundou uma nova escola. (Fonte:Wikipedia)

Um comentário:

Karen Leão disse...

Amei o texto, pura reflexão. Agora é aplicar!

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