terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Só o instante é definitivo

Muitas coisas que escrevo neste blog são insights de algo que li, seja uma frase de filósofo, poeta ou texto de jornal. Não posso agradar a todo mundo, mas posso convidar todos à reflexão. E refletir não significa aceitar o que está escrito, pois, já somos bem grandinhos para achar que existam verdades únicas. Nada do que escrevo resiste ao tempo, mas tudo que escrevo é definitivo no instante.

Muitas vezes poderei mexer com a sensibilidade de alguns, mas não mando recados pelo blog, podem estar certos disso. Se alguém estiver mais próximo da minha vida poderá entender melhor alguns desses instantes, sejam eles de dúvidas, de temores ou de certezas, mas é muito raro eu escrever sobre as minhas próprias aflições. Outros que nem me conhecem poderão sentir que o texto é para eles, mas será pura coincidência. Afinal, somos seres humanos com amigos, família, trabalho; convivemos na mesma sociedade e estamos sujeitos às mesmas ansiedades e questionamentos. Basta viver para nos sujeitarmos às recorrências da vida e muitas delas fortemente influenciadas pela moral do inconsciente coletivo.

Mario Quintana escreveu: "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente... e não a gente a ele!"

Sem pretender de maneira alguma contrariar Quintana, mas apenas fazendo um ajuste fino nesta brilhande frase para que eu possa usá-la, quando um texto ou poema nos toca profundamente podemos odiá-lo ou amá-lo, dependendo do momento que estamos vivendo; dependendo do que adotamos como verdade; dependendo da nossa ordem de valores; dependendo... dependendo... dependendo...

Quando educamos a nossa consciência (e isso normalmente acontece com a idade/vivência/tempo), podemos até continuar não ouvindo, mas mudamos a nossa forma de ler e de reagir à leitura. Nosso ego (conceito jungiano do self) "baixa a bola", pois, afinal, somos apenas ele (o texto) e nós. Como escreveu Nietzsche: "Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde"

E não pensem que só os que lêem estão sujeitos a esse processo de reflexão. Quem mais ganha é quem escreve. Como eu disse no início, NADA do que escrevemos resiste ao tempo; TUDO que escrevemos é definitivo apenas no instante.

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Um comentário:

Nana Ervilha disse...

bonito, bonito. eterno desafio, esse de viver o momento.

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