sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Viver de quatro

Existe uma cultura arraigada no pensamento do eleitor brasileiro que precisa mudar: a de que só mudaremos o país se votarmos certo. Sem dúvida, essa é uma grande verdade, mas não é a única e nem a principal. Imagine se para tudo que quiséssemos de bom na vida ou problema que precisássemos resolver tivéssemos de esperar quatro longos anos! Não estou bem no emprego? Daqui a quatro anos tentarei outro melhor. Meu filho está andando em má companhia? Daqui a quatro anos conversarei com ele.

Lógico que para os exemplos dados, não esperaremos todo esse tempo. Mas a pergunta é: por que imaginamos que nossas ações políticas para um país melhor só podem ser tomadas de quatro em quatro anos, diferente do que fazemos em nossas vidas?

Poderíamos tentar explicar de várias maneiras o lado inconsciente dessa cultura. Pelo fato do voto ser obrigatório e haver o sentimento de que, após essa obrigação chata, poderemos ficar livres dela durante quatro anos? Porque o pensamento brasileiro é futebolístico e liga eleição com períodos iguais aos da Copa do Mundo? Porque a derrota do nosso candidato só pode ser "vingada" nas próximas eleições? Ou porque sua vitória nos dá quatro anos de férias políticas merecidas?

Imaginem se a cada 48 meses de nossas vidas vivêssemos apenas seis? Se ficássemos os outros 42 navegando ao sabor dos ventos? Morreríamos aos 100 e teríamos vivido apenas 25!

Mas, no entanto, é o que a grande maioria dos eleitores faz. Parece que uma eleição - de prefeito à presidente - encerra a nossa responsabilidade política. Roubos, falcatruas, desvios de verbas públicas, cuecas endinheiradas... tudo acontece às nossas vistas e, além de seus autores ficarem impunes, acabam sendo incentivados pelo INJUSTIFICÁVEL sentimento de IMPOTÊNCIA ou postura de PASSIVIDADE que toma conta de nós.

Pior ainda do que essa passividade é a concordância dos que elegeram esses candidatos ou votaram em seus partidos. Esses, além de incentivarem ainda assinam embaixo e os defendem, como se dinheiro público pertencesse apenas aos eleitores que votaram nos candidatos que perderam. Para esses irracionais, seu candidato é um Robin Hood da política que rouba, mas que esses roubos justificam a sobrevivência de sua ideologia partidária. Que ideologia? A ideologia dos espertalhões, dos ladrões do erário com causa PRÓPRIA? Como pode existir um ser humano com tamanha BURRICE a ponto de imaginar que um país inteiro possa ser justo e igual apenas pela metade? Como será que esse eleitor se sentiria se soubesse que é alvo de gozações e desprezo dos próprios políticos desonestos que ele elege e protege?

Temos quatro anos pela frente e precisamos acompanhar atentamente a política, não trocando a nossa dignidade e a de nossos irmãos por um punhado de ilusões e mentiras, esperando as próximas eleições.

Acompanhe seus políticos, cobre, reivindique, elogie, não importa: ACOMPANHE, mas com isenção. O Brasil não pertence a partidos políticos. Eles só nos representam. Representam TODOS OS SERES HUMANOS BRASILEIROS.











Um comentário:

4.5 disse...

MUITO BOM MESMO!! DEUS TE ABENÇOE POR TAMANHA PROFUNDIDADE E VERDADE EM SEU COMENTÁRIO!!! EXEMPLO A SER SEGUIDO!!

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