segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bolsa Família: Influência eleitoral decadente

Para justificar a revolta de junho do ano passado contra o seu (des)governo, Dilma disse que muitos dos cidadãos que foram às ruas pertenciam à nova classe média, ou seja, dos que ascenderam nos governos dela e de Lula e queriam mais.

Muito embora declarações desse tipo façam parte da retórica petista, a presidente teve certa razão. Quem ganha as coisas na moleza, um dia ignorará o benfeitor e desejará mais. Distribuir Bolsa Família para tirar cidadãos da miséria é uma coisa, fazer isso com objetivos eleitoreiros é outra. A falta de seletividade para eleger os beneficiários do Bolsa Família acabou transformando muitos trabalhadores em ex-trabalhadores e pessoas saudáveis para o trabalho em pedintes.

Há dois anos eu e uma amiga artista plástica fomos convidados para ajudar num projeto de cursos profissionalizantes num bairro distante da cidade (omito o nome por ser irrelevante). Eu e minha amiga pretendíamos desenvolver um projeto abrangente, no qual incluiríamos alguns cursos que dependeriam de pouco investimento futuro para o aluno, facilitando assim seu início numa nova profissão. Ao conversar com um carpinteiro voluntário local, achamos estranho ele dizer que, mesmo disponibilizando sua carpintaria para que os moradores aprendessem uma profissão, a grande maioria dos alunos começava e não retornava mais. Foi quando descobrimos que 85% do bairro recebia Bolsa Família e por isso não se interessavam em trabalhar.

A distribuição indiscriminada e não seletiva do Bolsa Família transformará nosso país num bando de vagabundos contumazes. Lembro-me de que o Bolsa Escola - seu predecessor - exigia uma contrapartida dos pais, obrigando-os a comprovar frequência e aproveitamento de seus filhos nas escolas para que continuassem elegíveis ao benefício. No Bolsa Família, além de poder se estender proporcionalmente para toda a família, não há exigência de nenhuma contrapartida, bastando apresentar documentos pessoais e ficar esperando o depósito ou contracheque.

Não sou contra o Bolsa Família em sua essência, pois, quem seria contra tirar brasileiros da miséria parcial ou absoluta? Mas será que o Brasil tem quase 20 milhões de miseráveis e que esse número continua aumentando ao invés de diminuir? A miséria está crescendo num governo que alega estar acabando com ela?

Sobre a influência eleitoral do programa, recomendo ler a matéria "Peso do Bolsa Família é Maior em 2014" do Estadão. Num trecho, o cientista político Cesar Zucco da FGV diz:

"Elas indicam que os beneficiários do Bolsa Família votaram em candidatos do governo com probabilidade maior do que não beneficiários com características semelhantes, mas que este efeito havia caído entre a última eleição disputada por Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira em que Dilma foi a candidata do PT. "

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,peso-do-bolsa-familia-e-maior-em-2014-imp-,1575961

(JCG)
(Foto: site Prefeitura de Maceió)

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