quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sexo e dinheiro - Parte I

Quando a maioria das religiões e filosofias fazem abordagens sobre sexo e dinheiro, tudo acaba em regras de conduta com forte ranço moralista, como se a promiscuidade e a paixão pela riqueza fossem a única forma de desejar esses dois prazeres da vida. Meu objetivo não é abordar esses dois comportamentos obsessivos porque se tratam de desvios, mas tratar apenas dos desejos baseados numa ordem de valores com forte predominância dos instintos que, bem distante do que chamam de "pecado", está relacionada à predominância do atavismo sobre a razão e suas consequentes reflexões sobre a vida. Por se tratar de assunto complexo, vou dividir esse post em duas partes.

Em relação ao sexo, algumas pessoas enxergam no companheiro ou na companheira uma forma de satisfazer seus desejos sexuais, sendo que em inúmeros casos, o casamento ou união servem apenas para garantir a segurança do "arroz e feijão" sexual de cada dia, razão mais forte no passado quando havia menos liberdade, principalmente para as mulheres. Quando duas pessoas se unem para uma vida comum, raramente pensam na realidade de que o tesão ou a libido são regidos por fatores hormonais e não só pela vontade de ambos. Como raramente duas pessoas apresentam o mesmo ritmo sexual, esse desequilíbrio dos apetites associado à mesmice do dia-a-dia vai gerando incompreensões e baixa na autoestima da parte mais ativa. O problema não está apenas na mesmice e nas disfunções causadas pelo desequilíbrio hormonal. Se assim fosse, a solução estaria no tratamento com psicólogos, médicos ou na utilização de medicamentos que, embora sejam recursos importantes, são apenas paliativos. Nenhuma união permanece sólida assentada sobre terrenos instáveis e o sexo é uma areia movediça. 

Objetivos e interesses comuns como filhos, profissão, espiritualidade, uma boa dose de admiração um pelo outro e o próprio sexo alinhados harmonicamente são fatores indispensáveis para uma união estável. E do outro lado estão o desinteresse, a desconfiança, a traição, o medo, a insegurança e a competição como principais fatores de instabilidade num relacionamento. No caso de relacionamentos sem vínculos familiares como encontros e namoros, esses normalmente estão fundamentados no sexo e podem até durar, desde que as duas partes estabeleçam limites de envolvimento e preservem suas individualidades. São casos mais raros porque o amor carnal normalmente envolve instintos de possessividade e atitudes de incompreensão em relação aos problemas de cada um. Só um relacionamento superficial ou seja, menos profundo, poderá garantir a sua duração. Mas é importante estar ciente de que este modelo dificilmente suportará uma união harmônica e estável na velhice morando sob o mesmo teto, pois,  estaremos menos abertos para novidades, menos tolerantes e mais difíceis para aceitar mudanças.

Se as religiões e procurassem abordar o sexo de uma forma mais natural e menos moralizadora, os benefícios seriam maiores, agindo mais coerentemente para a preservação da instituição-família e desenvolvendo o ser humano no aspecto que eles chamam de espiritualidade. No entanto, permanecem apegados às tradições e histórias do passado que colocaram a concepção de Jesus como algo fantasioso e inumano para justificar as proibições constantes nos seus seculares estatutos, mais moralistas e doutrinadores do que esclarecedores.

Embora a vida não seja sexo, sexo é parte importante da vida, desde que apreciado com moderação. Moderação esta que nada tem a ver com moral, mas com a lógica do envelhecimento e de uma ordem de valores baseada nessa finitude da existência humana.

Leia também: OS VIOLINOS VELHOS TOCAM MÚSICA (Rubem Alves)

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