segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A moral dos ressentidos - Nietzsche

O dualismo é falho por não contemplar os estágios intermediários do crescimento intelectual, das adaptações e da mobilidade dos conceitos adquiridos ao longo do tempo com a vivência pessoal e intransferível. É a chamada ordem de valores de cada um, transitória e dinâmica.

É lógico que determinados "bens" e determinados "maus" permanecem a vida inteira conosco e nem sequer são reavaliados, seja  por convicção, medo, religiosidade, preconceito e outros repelentes da reflexão.

Mas se existe uma regra ou uma lei para classificar o bem e o mal? Quem os separa? O bom, o mau ou o contido?

Para refletir e, quem sabe, reavaliar. Por que ter medo de pensar?


A MORAL DOS RESSENTIDOS

"O homem do ressentimento traveste sua impotência em bondade, a baixeza temerosa em humildade, a submissão aos que odeia em obediência, a covardia em paciência, o não poder vingar-se em não querer vingar-se e até perdoar, sua própria miséria em aprendizagem para a beatitude, o desejo de represália em triunfo da justiça divina sobre os ímpios. O reino de Deus aparece como produto do ódio e da vingança dos fracos. Incapaz de enfrentar o que o cerca, o homem do ressentimento inventa, para seu consolo, o outro mundo. Assim também procede o "filisteu da cultura’, que só pode afirmar-se através da negação do que considera seu oposto: a própria cultura. Ou então, o homem da ciência, que a si mesmo opõe um outro: o pesquisador, que pretende comportar-se de maneira impessoal, desinteressada e neutra diante do mundo, para chegar a abordá-lo com objetividade. E ainda o filósofo que, na elaboração de suas idéias, acredita poder desvinculá-las da própria vida, não se reconhecendo como advogado de seus preconceitos." ("Para além de Bem e Mal")

Nenhum comentário:

Posts mais populares