terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O problema não está só no Sarney

Pela quarta vez (1995, 2003, 2009 e 2011) o senador José Sarney é eleito presidente do senado. Não vou aqui citar acontecimentos, fazer acusações ou julgar ninguém. Meu objetivo é avaliar o pensamento e os métodos que reinam na política brasileira. Não me interessa saber se isso existe em outros países, pois, constatar a existência de similaridades não transforma absurdos em boas práticas e a banalização da falta de ética não apaga seus contrapontos éticos.


Vamos apenas refletir sobre os resultados da votação de hoje no Senado Federal:

  • Sarney = 70
  • Randolfe = 8
  • Brancos = 2
  • Nulo = 1

Embora os votos sejam secretos, podemos AFIRMAR que dos 22 (ou 23) senadores da oposição, na melhor das hipóteses, 14 ou 15 votaram em Sarney.

Nem adianta me estender muito nessa história, cabendo apenas algumas perguntas:
  1. Se Sarney é do PMDB e esse partido é de apoio ao governo, por que a oposição votou nele?
  2. Como aqueles que subiram à tribuna pedindo "fora Sarney" se justificariam perante seus eleitores?
  3. Teriam coragem de explicar a esses eleitores quais os acordos que fizeram com Sarney para apoiá-lo?
  4. Por que esses senadores da oposição, mesmo sabendo que não venceriam, não votaram em protesto?
  5. Não votaram por medo do poder de represálias do Presidente do Senado?
  6. Vão utilizar a mesma desculpa esfarrapada de sempre dizendo que "o eleitor não sabe como funciona a política"?
  7. Sem poder explicar para não furar suas estratégias maquiavélicas, como manter a confiança de seus eleitores?
  8. Para os senadores do PT e da base de apoio, Sarney representa o caráter e o pensamento do governo?
  9. Para os do PMDB, Sarney representa o pensamento do partido de Ulysses e Tancredo?
  10. Se Sarney morresse ou fosse cassado, existiria algum senador do PMDB apto a assumir a presidência do Senado?
  11. Dos 11 senadores que não votaram em Sarney, quais confessarão publicamente que não votaram nele?
São perguntas que ficarão, não no ar, mas no CyberSpace esperando respostas até o dia de São Nunca. No ar só ficará aquele famoso cheiro da Pizza Corporativa de sempre.

É o chamado ecumenismo político.


2 comentários:

Fabio Ribeiro disse...

Perfeito!! Sem mais palavras, não é necessário!

Vinícius de Oliveira disse...

Por essas e outras, muitas outras, que não acredito na política brasileira, na política internacional, na Política do homem.

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