quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Maturidade é o mesmo que velhice?

Tenho acompanhado o mercado de trabalho e notado profundas mudanças na ordem de valores dos critérios gerenciais de muitas empresas de porte - multinacionais ou não - em relação aos seus empregados. Hoje é quase unânime a indiferença em relação à maturidade profissional e com o que chamávamos de "vestir acamisa". Sei também que às vezes havia uma certa super-valorização do empregado velho de casa, promovendo-o como prêmio por fazer bem o que fazia, sem a preocupação de prepará-lo adequadamente para assumir cargos de maior responsabilidade. O "vestir a camisa", por sua vez, também era mal interpretado e, em alguns casos, transformavam esse ato espontâneo em obrigação do empregado e não num processo gradativo como fazemos antes de comprar uma roupa: olhamos a vitrine, conversamos com o vendedor, experimentamos em frente ao espelho para só depois comprarmos. No entanto, excluindo-se as más interpretações e o estilo mais "fordeano" da diretoria da época, existia um orgulho enorme dos funcionários em trabalhar na empresa e até a família se engajava nessa frente, quase chegando a incorporar a marca no seu sobrenome.

Hoje a maioria das empresas, considera a motivação e o reconhecimentodos seus funcionários antigos, perda de tempo e dinheiro. Sentem-se aliviadas quando um deles pede demissão (menos se for trabalhar na concorrência) e quando conseguem manter a vaga em aberto, admitem "treinées" para ocupá-la. Candidatos com mais de 40 anos são considerados caros e sua maturidade profissional, sinônimo de velhice. São muitas vezes trocados por mauricinhos recém-formados e dão a esses jovens de gravata, paletó e fraldas um belo status, sempre bem inferior à sua falta de humildade. Com o ID atuante e o SUPEREGO ainda em formação passam a querer cada vez mais, não importando os meios com os quais atingirão seus objetivos.

Muitos desses insaciáveis monstros criados em cativeiro, logo-logo precisarão de mais alimento para suprir seus EGOS de dimensões paquidérmicas e começarão a notar que existe um mundo lá fora, cheio de oportunidades mais interessantes do que as que têm. Começam também a perceber que os funcionários mais antigos não são valorizados e que, em breve, serão tão antigos quanto eles e, conseqüentemente, também descartados. Então, sentem que podem usar a estrutura da própria organização para procurar um novo emprego. Numa concorrente, de preferência, pois, com a experiência que adquiriram, serão contratados a peso de ouro. Elá se vão os segredos e estratégias da antiga empresa para aconcorrência, junto com eles.

Já os antigos empregados, cada vez mais esquecidos e desprezados pela idade, acompanham esse banal entra-e-sai denominado "turn over" pelos papas do capitalismo selvagem, sempre na expectativa de saber qual será seu chefe no mês seguinte. Mesmo ainda sem saber, têm certeza de que ele terá pós-graduação, MBA e doutorado, conhecendo profundamente, em teoria, o funcionamento das grandes empresas. E que ao invés de rugas na testa terá um rosto cheio de espinhas.

-o-


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