segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ser humanista não é termer a Deus

Postei hoje algumas frases de Artur da Távola e no final fiz um comentário, dizendo que ele foi o último humanista político que o Brasil teve. Notem que escrevi humanista político e não político humanista, uma sutil, mas importante diferença. Alguns poderão até apontar falhas políticas em Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros (seu verdadeiro nome), dizer que perdeu eleição para prefeito do Rio, que era Tucano e seja lá o que for. Fico à vontade para escrever porque sou apartidário e poderia estar citando - sem obviamente compará-los - Darcy Ribeiro ou qualquer outro ser mais sensível que tenha passado pela política. A presença do ser sensível e humanizado no meio político é uma necessidade energética e não física.

Exagerei, está certo! Existem ainda alguns poucos humanistas na política, mas as raríssimas exceções de hoje não são suficientes para influenciar positivamente o inconsciente coletivo político. Veja bem... não me refiro à coerência ou retidão moral, mas à sensibilidade humanista, ou a que privilegia o ser humano por influência real do sentimento.

A política se profissionalizou tanto que se tornou insensível. Enquanto um médico necessita certa frieza para desempenhar bem sua profissão e salvar vidas, grande parte dos políticos adquiriu frieza para salvar sua própria pele e os interesses de seu partido. Nem me refiro aos que já entraram para roubar e ficar ricos, pois, desvio de caráter é nato e se "aperfeiçoa", mas não se adquire com o tempo. 

Adquirindo essa frieza talvez até inconsciente, o político não consegue ser empático (colocar-se no lugar do ser humano cidadão) e ficou surdo aos apelos populares. Considera-se um ser superior e já tive oportunidade de comprovar essa falta de humildade de muitos no Twitter. Pouquíssimos são capazes de falar de igual para igual. Melhora um pouco nos períodos eleitorais, mesmo assim, mais por uma questão de sobrevivência política do que por empatia. Afinal, deve ser terrível sentir-se, nem que por trinta segundos, no lugar do "povão" sem convênio particular marcando consulta numa fila do SUS ou deixando seus filhos em escolas públicas. Os parlamentos (nacional, estaduais e municipais) se transformaram em grandes condomínios fechados de muros altos, segurança na porta e com o Brasil real vivendo distante dos seus olhos.

Justiça seja feita... alguns, como o senador Paulo Paim, ainda conseguem ser empáticos com o cidadão. E por que eu cito Paulo Paim? Porque mesmo sendo do PT, ele consegue se posicionar abertamente contra algumas injustiças, criticando o governo quando necessário, sem no entanto, desprestigiá-lo. Não que não existam oposicionistas mais humanos, mas para estes, posicionar-se contra o governo é uma questão de ofício.

O humanista que precisamos na política é aquele que percebemos que é, sem que ele tenha que se fazer percebido. Que seja humanista durante seus quatro anos inteiros de mandato, coerente com suas posições, independentemente de interesses pessoais e políticos sazonais. Que olhe para a sua região sem deixar de olhar para o todo, atitude digna de um verdadeiro republicano.

Não precisamos de religiões, dogmas ou doutrinas pregando o humanismo por temor a Deus, mas sim por sintonia com os seus preceitos. Não precisamos de um Partido Humanista Brasileiro. Chega de partidos! Precisamos de mais seres políticos com sentimentos humanizados.

O humanismo deve estar presente e atuante em TODOS os partidos e ideologias, assim como um corpo precisa de um coração batendo para existir e sentindo para viver com dignidade.

-o-



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