domingo, 17 de outubro de 2010

Vaidade: pecado ou incompreensão?



Muitos falam da vaidade, mas a grande maioria a considera um pecado por estar presente na Tábua das Leis de Deus. Sinceramente, toda vez que eu ouço ou leio alguém falar em "temor a Deus" me dá um arrepio. Que ninguém me venha com essa história de dizer que não é bem isso o que quis dizer. Temor é medo ou receio.

O que escrevo a seguir é a maneira como vejo e penso, e não se trata de nenhuma teoria, mesmo porque não teria essa capacidade. São coisas mesmo do sentimento, mas quando a gente trata de assuntos ainda não desvendados, vale o exercício da reflexão.


Nesse meu pequeno, pretensioso e talvez superficial resumo de séculos, quero apenas dizer que, independentemente explicações das religiões, das filosofias, dos dogmas, da psicologia ou da ciência, essa "Força Maior" originadora existe e interpenetra o TODO ORIGINADO, fazendo-nos "Sermos Todos Um". 

A vaidade está ligada ao ego; ao sentimento de propriedade (minha beleza, minha inteligência, minha sensibilidade...). Essa vaidade ou orgulho (que para mim são a mesma coisa) é explicada pela falsa impressão de que, se temos nosso próprio livre arbítrio, não somos todos um. Quando chamamos o ser humano de indivíduo, a maioria entende, no máximo, como sinônimo de "individual", mas de forma cartesiana (verificar, analisar e sintetizar), o adjetivo e o substantivo, etimológicamente, vêm do latim individuus (indivisível). Oras... quem disse que algo que é indivisível está necessariamente isolado e independente de um TODO, quando esse TODO também envolve energias sutis, ainda desconhecidas pela ciência? E quem disse que o indivisível não pode ser (ou estar) somado e interpenetrado (unido) por essas energias mais sutis?

Todas as divisões criadas pelo homem racional, nos separaram intelectualmente do UNO, transformando-nos em seres isolados e cada vez mais egocêntricos.

Queiram ou não, estamos interligados e o sutil não deixa de existir porque não o percebemos por meio dos cinco sentidos. Do Paganismo ao Cristianismo; do Hinduísmo ao Ocultismo;  Éter, Akasha, Quintessência, Espírito Santo ou qualquer um desses termos sem compará-los e não sendo herege com nenhum deles, tudo que se falou ou escreveu até hoje sobre essa energia nos leva a crer que ela é a base da existência e nos interliga com o Universo. Nosso corpo denso não pode ser negado por ser perceptível aos olhos, à visão e ao tato. No entanto, os mais céticos, embora não dêem nomes para essa energia, não podem negar sua existência, mesmo ainda não podendo ser comprovada por cálculos matemáticos.

A ciência dividiu e subdividiu a intuição e a filosofia sem autorização. Nem perguntaram para Tales de Mileto se ele aceitaria ficar na Filosofia Antiga ou se Platão no Pré-Socrástico. Se eram da linha pragmática, construcionista, existencialista... eles eram universalistas. Tenho certeza de que não aceitariam fatiar e nem subdividir as relações do ser humano com a vida e seu meio, sacrificando a ligação sutil que tinham com esse TODO. A filosofia de hoje perdeu o dom da concepção intuitiva, pois, está cercada de regras, preconceitos e limites racionalmente convencionados. É a dissecação do TODO.

Carl Jung em seu conceito de psicologia analítica, mais voltada à psiquê humana - e não entrarei aqui nos detalhes porque não tenho competência para isso - descrevia o Inconsciente Coletivo como materiais herdados da humanidade derivados de experiências pessoais. Na psiquê objetiva, ao abordar a paranormalidade, Jung se referiu à uma consciência maior, por nós desconhecida e que deveria também ser estudada pela psicologia.

Einstein, a quem ninguém pode negar genialidade científica, após passado seu período religioso no judaísmo, chamava a energia maior de "Força Cósmica, a Emanação de Energia Universal". Em seu livro "Meus Últimos Anos" (1950-Out of My Later Years) , escreveu: "A ciência sem a religião é coxa, a religião sem a ciência é cega". Essa religião na ciência que ele dizia ser importante era o lado do acreditar (fé) e o papel da ciência na religião era não torná-la cega e fanática.

E o que tudo isso tem a ver com a vaidade?

A conclusão é simples: Se resgatarmos esse conceito lógico de UNIDADE que foi perdido, entenderemos que tudo já foi criado, está pronto e pertence a todos. Somos apenas canais que acessam o que já existe. Já os bens, as qualidades físicas e o status, nem teremos para onde levar quando a vida ternária acabar e nos transferirmos para o estágio das energias mais sutis.


... vaidade e orgulho de que?



-o-

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