quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A felicidade, a possessividade e o masoquismo inconsciente

"Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos"

Essa brilhante frase da poeta americana Anais Nin revela segredos que envolvem a busca da felicidade. A subjetividade da palavra felicidade, foi, é e sempre servirá de inspiração para crônicas, poemas e até coleções inteiras de livros. Isto porque cada um que se sente feliz "acha" que conseguiu encontrar uma receita mágica para a felicidade e resolve dividi-la com todos ou, alguns mais oportunistas, vendê-la para todos. Há também aqueles que não são felizes, mas mesmo assim criam receitas baseadas naquilo que perseguem, mas ainda não encontraram.

Mas não pretendo abordar neste post qualquer uma dessas receitas milagrosas para encontrar a felicidade e sim refletir sobre um tipo específico de comportamento inconsciente: o do sofrimento conjugado com o prazer.

Embora sofrimento e felicidade sejam paradoxais, quando o prazer é doentio (patológico), o sofrimento será sempre subvalorizado e, diante de qualquer tentativa de avaliar antecipadamente o grau de infelicidade que ele proporcionará, essa tentativa de avaliação será boicotada pela mente doente, fixada nesse prazer maior. Como exemplo podemos citar o desejo material ou o relacionamento com pessoa amiga, parente ou amada. Distanciar-se disso é uma IDEIA tão dolorosa que supera qualquer iniciativa de se utilizar a razão.

No entanto, como a infelicidade é mais percebida que a felicidade, essas pessoas apresentam humores instáveis em virtude dessa busca constante por motivos que justifiquem a posse do bem desejado, mesmo que ele signifique sofrimento. É um masoquismo diferente, no qual não há prazer direto com o sofrimento, mas ignora-se essa relação indissociável entre ambos e reconhece-se apenas a relação direta entre a posse e a sua própria felicidade.

Carl Jung, embora não concordasse com os métodos de Schopenhauer para se alcançar a felicidade (Schopenhauer introduziu o pensamento budista na metafísica alemã) concordava com a tese do filósofo alemão de que a suprema felicidade só pode ser conquistada com a anulação do desejo, inclusive, o próprio desejo ardente pela felicidade. É o que chamamos de desprendimento e esse desprendimento não se alcança se desfazendo dos bens adquiridos ou perseguidos, mas desvinculando-os naturalmente da fórmula da felicidade.

Como disse o filósofo romano Epicleto, "A felicidade não consiste em adquirir nem em usufruir, mas sim em nada desejar. Consiste em ser livre."

E não podemos ser livres alimentando medos e desejos!








2 comentários:

Anderson Funes disse...

"Uma razão para que Deus tenha criado o tempo é para que houvesse um lugar para enterrar os fracassos do passado."
( Autor Desconhecido )

Pura Reflexão disse...

Isso mesmo, Anderson... o tempo, aquele que os sábios dizem que não existe. Eles também dizem que não existe o fracasso e nem o fracassado. E embora eu não seja sábio, também acredito. :o) Abs

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