quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Somos governados por uma junta civil "constitucional"

A situação brasileira é grave, mas muitos ainda não se aperceberam disso. Não é difícil notar que alta cúpula dos três poderes já se reuniu e definiu o rito de retomada (do poder, lógico!), à despeito do que desejamos e até do que a lei explicita. Na verdade sempre fomos marionetes da chamada "democracia", variando apenas o número de cordéis da cruzeta que nos manipula. Enquanto houver poder pelo poder não existirá harmonia entre liberdade e justiça, por mais democrática que seja uma constituição. Sim, há um forte antagonismo nisso tudo. Um emaranhado de coerências e incoerências que se confundem, muitas vezes propositadamente. "O poder está podre!", todos gritam, entre eles os próprios podres desesperados tentando confundir incautos e ingênuos. E com isso esses podres conseguem fazer subir a média de 1 pra 5 numa escala de 10, todos do mesmo saco.

O corporativismo sempre nos incomoda, mas o pior deles é o dos três poderes, o ápice de todos os corporativismos. Isto acontece quando todos estão irremediavelmente comprometidos uns com os outros e resolvem unir-se usando a salvação das instituições e da democracia como pano de fundo, escondendo a podridão que rola nas coxias desse teatro de horrores.

O que nos salva desse teatro é a realidade escancarada pela liberdade de expressão e a determinação de alguns poucos que ainda resistem, não importando se o fazem por conveniência, sensibilidade ou por retidão moral, pois, afinal, o que nos interessa são as suas revelações.

A presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, foi a escolhida (ou forçada) por TODOS - podres e não podres - para resolver esse embróglio, já que a política já estava - e está - irreversivelmente judicializada. A indicação do ministro Fachin para a segunda turma era caçapa cantada, assim como o "sorteio" que o oficializou como "o boi das piranhas" também o foi. Um ser razoavelmente pensante jamais poderia acreditar nessa farsa montada em conluio.

Os presidentes eleito e a ser eleito no senado e na câmara, respectivamente, são a maior demonstração de que o país se livrou de uma quadrilha e foi entregue a outra. E não poderia ser diferente! Os que um dia apoiaram ladrões não poderiam ser muito diferentes deles. Mas ninguém pode negar que evoluímos. De quarenta ladrões passamos para setenta e poucos. Bem, isso meio por baixo.

Sobre a Lava Jato e a eventual tentativa de abafá-la, coisa que pode estar rolando na escuridão das coxias, como disse o jogador Garrincha para o técnico Feola na copa de 58: "Tá legal, seu Feola, mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?"

E os russos, nesse caso, somos nós. Mas livres de Stalin.


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