domingo, 22 de maio de 2016

Cultura às avessas

Estou postando um excelente comentário feito pelo amigo e jornalista Carlos Karnas sobre essa discussão do MinC e dos artistas que defendem a permanência da pasta. Volto em seguida para concluir com uma sugestão.
"As medidas e os sinais de austeridade do governo provisório, para saneamento do monumental rombo e incompetência do governo petista de Dilma, começam a balançar muito rapidamente. Michel Temer cedeu, ao rever e anunciar o retorno do Ministério da Cultura. Pior: reativa o ministério - que seria secretaria governamental - e continuará sendo criticado e obstaculizado pelos mesmos que fizeram pressão. A estrutura desse ministério continuará a pesar de alguma maneira no orçamento da união, talvez com algum desempenho social diferente. Não se sabe."
"A cultura, com características regionais tão diversificadas quanto o tamanho do país, sempre mereceu melhor atenção por meio de instituições oficiais e particulares no âmbito dos estados e municípios. A união não foi boa gestora da política cultural, nem administrativamente nem conceitualmente. Foi perdulária, pela má seletividade das ações culturais e cabide de emprego pesado para a a sociedade. Há inúmeros museus fechados no Brasil pela falta de verbas federais. Inúmeras fundações e instituições no universo da cultura estão sucateadas, à míngua. Pesquisas de todas as grandezas e relevantes no universo da cultura estão emperradas. A estrutura ministerial gasta mais na sua própria manutenção do que na destinação de verbas às ações culturais e sociais. Poucos (e sempre os mesmos) são os beneficiados por meio das leis de incentivo e com seus espetáculos altamente duvidosos. São esses que temem abstinência do dinheiro público para os seus espetáculos que a sociedade carente jamais irá assistir."
"A classe artística, especialmente, aprecia encenação, o espetáculo que lhe satisfaz. No conceito da cultura, ela está a agir mais por conta própria, não por conta de conceitos e de interesses sociais mais amplos. Está muito restrita ao cinema, teatro e dança. A complexidade da atividade cultural é maior. O manto de glamour fica para espetáculos artísticos pontuais e efêmeros, enquanto que são desprezadas estruturas, trabalhos, pesquisas, estudos reconhecidamente sedimentados. A cultura nem sempre supre interesses coletivos. Custa caro, com retorno subjetivo e sem necessidade de prestação de contas."
"Parece que os ativistas da cultura agem puramente por interesse próprio e se omitem diante da enorme falcatrua em que estão metidos. São eles responsáveis pela manutenção do que é aberração. Serão eles, agora, que irão gritar por melhorias das demais políticas públicas essenciais, para o bem estar e justiça social? É o que penso neste momento, já que cultura sendo ministério ou secretaria, continuará sempre dependente de ações e das representatividades regionais mais sérias. Tomara que com resultados para a sociedade, que paga por estrutura oficial que não lhe dá retorno."
(Carlos Karnas

Minha sugestão para esse corporativismo pouco representativo é começar a tornar público - de forma mais explícita do que hoje - todos esses projetos patrocinados pela Lei Rouanet e todos os outros produzidos com verbas governamentais de incentivo à cultura. Hoje pela lei da transparência isto de certa maneira já existe se consultarmos, mas os agraciados não são obrigados a mencionar com destaque o benefício em suas peças publicitárias que divulgam seus eventos. Só entram os patrocinadores beneficiados com a renúncia fiscal e não há descontos nos ingressos, o que deveria existir, pois, somos nós que abrimos mão dos impostos que geram esses benefícios.

Nas peças publicitárias de divulgação dos shows, peças teatrais, filmes, seja lá qual for o produto cultural que tenha sido beneficiado, deveria constar de forma clara e em destaque, que estão sendo patrocinadas por verba pública, direta ou indiretamente por meio de renúncia fiscal.

Com isto nós saberíamos por exemplo, que o show do aniversário de 70 anos de Erasmo Carlos (1,3 milhão), o filme “O Vilão da República” de José Dirceu (1,5 milhão); funkeiro MC Guimê, apesar de faturar, segundo estimativas, R$ 300 mil por mês, foi autorizado a captar R$ 516 mil para a produção de um DVD; Detonautas Roque Clube, liderado por Tico Santa Cruz (1 milhão); Luan Santana (4 milhões); Cláudia Leitte (5,8 milhões), Marieta Severo que conseguiu nada menos que R$ 4,2 milhões pela Lei Rouanet sendo que só da Petrobras, ela recebeu R$ 400.000,00 em 2012, R$ 400.000,00 em 2013 e 2014 e R$ 400.000,00 em 2015. E o filme Aquarius, aquele dos protestos de vison, 13 dias antes do impeachment de Dilma, a Ancine autorizou a captação de R$ 2,9 milhões.

Para os que não sabem, "no primeiro governo Dilma, apenas 3% das propostas levaram 50% dos incentivos, um cenário que só contribui para a concentração cultural do país, enquanto pouco incentiva projetos menores." Conseguem entender agora essa defesa ferrenha de alguns artistas?  (Blog da Floresta)

O país mergulhado em dívidas de mais de 4,5 trilhões (interna e externa) diante do maior escândalo de corrupção que a história do mundo já conheceu, o povo sendo obrigado a pagar caro por isso nas próximas décadas com aumento e impostos, desemprego, sucateamento da saúde, aumento de crimes e esses "não brasileiros" preocupados com as suas boquinhas.

Cultura?

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