sábado, 2 de abril de 2016

STF: AS MÁSCARAS ESTÃO CAINDO, MAS A FICHA AINDA NÃO CAIU.

Antes do mensalão, o STF era uma espécie de olimpo dos deuses da justiça. Lembro-me muito bem de que a frase "o Supremo Tribunal Federal decidiu" gerava reações do povão, tipo "oh!", "nossa!", "puxa!", "voce viu?", além de outras manifestações de espanto. Mas isso mudou com a publicidade das reuniões do STF e com os vídeos gravados que ficam no Youtube. Hoje o povo pode refletir antes do "oh!", "nossa!", "puxa!", "voce viu?" compulsivos. Hoje o povo acompanha, discute e raciocina.

Sim... nós continuamos os mesmos mortais leigos do ofício do direito, mas em matéria de JUSTIÇA SENTIDA o povo ainda é senhor e nenhum discurso no "juridiquês arcaico" poderá eliminar esse sentimento. Afinal, as constituições e as leis foram originadas dessa JUSTIÇA SENTIDA, registrada desde os tempos da Grécia Antiga:
"Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente." (Sócrates)
"O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito." (Epicuro)
"A base da sociedade é a justiça; o julgamento constitui a ordem da sociedade: ora o julgamento é a aplicação da justiça." (Aristóteles)
"Apenas o tempo revela o homem justo; basta um dia para pôr a nu um pérfido." (Sófocles)
"Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer ações injustas, mas porque teme sofrê-las." (Platão)
Reforça as frases desses filósofos gregos a reflexão contemporânea de Camilo Castelo Branco: "A lógica das multidões é [ou deve ser] a dos jurados."

A consciência de que vivemos numa democracia aliada ao acesso à informação e ao direito de livre expressão nos permitem criticar não só o supremo, mas também todos aqueles os quais pagamos seus vultuosos salários e privilégios, mordomias não acessíveis ao cidadão comum que molha sua camisa para ganhar o pão de cada dia e pagar impostos extorsivos. E se esses impostos já não retornam ao povo em forma de saúde, segurança, educação, investimentos e geração de empregos, privar o povo da verdadeira justiça nos tribunais é levá-lo ao limite máximo de sua tolerância.

Mas por mais incrível que possa parecer, já em pleno século XXI, a ficha ainda não caiu nos cérebros de suas excelências ministros e ministras do Supremo. Para eles ainda continuamos vagando na escuridão da nossa ignorância, irremediavelmente entregues aos seus desígnios, inertes e submissos às suas decisões, restando-nos apenas o direito de abaixarmos as nossas cabeças e nos resignarmos. Ledo engano!

Todos sabemos que os senhores ministros e senhoras ministras têm se reunido para decidir o destino do Brasil e só os desatentos não percebem as mudanças ocorridas em suas decisões, particularmente as de alguns ministros que antes eram assertivos, mas que hoje colocam panos quentes por acreditarem que têm a missão - como se tivéssemos lhes dado esse direito - de salvar-nos da nossa própria Constituição.

Até uma criança razoavelmente bem informada consegue ver a vaidade dos ministros transbordando-se em ira contra o juiz Sérgio Moro, tentando puxar para si a autoridade moral que desejariam ter. Não têm e nunca terão se continuarem nessa tentativa idiota de medir forças com ele e consequentemente com a maioria esmagadora da população brasileira. Medir quais forças? A força da justiça contra a do injustificável? Luta inglória!

Se muitos de vocês se admiraram com o movimento espontâneo das ruas a favor do impeachment, não fazem a mínima ideia do que acontecerá neste país se melarem a Operação Lava Jato ou a tirarem do MP, PF e de Sérgio Moro. Multipliquem por cem, por mil o número de indignados que sairão às ruas. Revolução francesa será fichinha.

Tentem...


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