terça-feira, 1 de setembro de 2015

Marcelo Odebrecht: É pior ser dedo-duro ou miolo mole?

Pelo silêncio e camaradagem dos deputados em suas perguntas foi fácil concluir que a influência da construtora em eleições é enorme. O financiamento de campanha é o calcanhar de aquiles dos parlamentares e mesmo que no futuro ele não saia das empresas privadas, o caixa dois sempre existirá, pois, os coeficientes para eleger vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidente sempre serão os mesmos e só mudarão as variáveis das receitas. Sempre existirá um "declarado" bem inferior ao "não declarado" para a Justiça Eleitoral. No fundo todos eles cedem às tentações e se vendem, variando apenas o preço. Em 2014, o grupo Odebrecht doou R$ 918 mil a deputados da CPI.

Mas deixando essa turma venal de lado, vamos ao mais patético. Não importa se Marcelo Odebrecht vai ou não aderir à delação premiada. Se ele acha que ser dedo-duro é pior do que ser ladrão do dinheiro público de centenas de milhões de brasileiros que, se usado para o bem, estaria salvando vidas nas portas e nos corredores dos hospitais o problema dele. O cara que se mostrou tão preocupado com sua imagem perante a seus filhos e gerações futuras, esqueceu-se de que, independentemente do que ele pensa ser pior ou melhor, seu caráter já foi definido pela Polícia Federal, pelo juiz Sérgio Moro, por grande parte dos cidadãos brasileiros e já foi registrado na história. O texto abaixo já definiu sua qualificação:
"Por meio de acordos de cooperação internacional, em especial com autoridades da Suíça, os investigadores da força-tarefa que apuram os tentáculos do propinoduto na Petrobras conseguiram mapear a atuação direta da Odebrecht em 56 atos de corrupção e 136 lavagens de dinheiro. De acordo com os investigadores, a empreiteira atuou na movimentação de 389 milhões de reais em corrupção e de 1,063 bilhão de reais com a lavagem de dinheiro. Em um esquema mais sofisticado do que a simples atuação em cartel, a empreiteira distribuía propina a partir de repasses a contas de empresas offshore e, dessas, enviava novamente o dinheiro sujo para contas bancárias secretas de agentes que ocupavam cargos-chaves na Petrobras, como os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco."
Incluir dedo-duro nessa capivara não fará a menor diferença e será muito mais difícil explicar a seus filhos e futuras gerações de que o dinheiro das propinas que deu para a Petrobrás visando garantir [segundo ele] a saúde de sua construtora e de seus sócios, foi indiretamente responsável pela morte de milhares de brasileiros por falta de saúde pública, pelo crescimento da criminalidade, pela deterioração da educação no país e pela quebra da maior estatal brasileira.

Miolo mole SIM... dedo-duro, NUNCA!

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