domingo, 14 de julho de 2013

A vitória nas urnas em 2014 será inglória

Nascimento do novo homem pós-guerra - Salvador Dali
Caiu a ficha? Não, a ficha ainda não caiu para os políticos que estão no poder e muito menos para os candidatos de 2014. Os milhões que saíram às ruas desestabilizaram o governo, contaminaram outros cidadãos menos informados da política e se não houvesse uma resposta, pequena que fosse (e foi), este movimento continuaria crescendo assustadoramente aos olhos da nação e do mundo. Não, não é exagero e só considera exagero os acomodados e os políticos que, em pânico, rezaram e rezam para que o brasileiro volte àquela sua condição de esquecido e omisso escrita em quase todas as passagens da história do Brasil, desde os tempos do império. Os andarilhos sem rosto e de causas genéricas voltaram pra casa, mas continuam mobilizados nas redes sociais. Como bem disseram dois professores de ética e direito constitucional numa entrevista na Globo News, a partir dessa primeira manifestação, se esses milhões se irritarem de novo, em algumas horas estarão nas ruas outra vez. E como os políticos já queimaram boa parte da munição estocada (arquivamento da PEC-37, proibição de parentes como suplentes e enterro do plebiscito), desta vez o pânico entre eles será ainda maior.

Dentro desse quadro de crescimento das minorias conscientes, quem ganhar em 2014 levará a taça, mas não a garantia de quatro anos de sossego. Mesmo que o(a) candidato(a) ganhe com 70% dos votos, essa minoria apartidária em franco desenvolvimento continuará aumentando suas fileiras, não só nesses 70 como nos outros 30%. O povo (demo) de minoria consciente é que garantirá a estabilidade do governo (kracia). A democracia desses novos tempos será o governo da maioria quantitativa que vota, garantido por essa minoria qualitativa crescente que sai às ruas. Os discursos de palanque poderão até continuar decisivos numa eleição, mas serão ineficazes durante os quatro anos de governo dos eleitos.

O momento é propício para candidatos ficha-limpa e que representem o desejo de renovação dos eleitores, mas esses candidatos até agora, a pouco mais de um ano das eleições, ainda não apareceram. A chance desses políticos que até agora foram apresentados como candidatos convencerem essa minoria qualitativa é muito pequena porque todos eles, de um jeito ou de outro, estão marcados, seja pela ficha suja ou pelos processos que têm, mesmo que ainda não julgados. Os políticos, além de deverem muito em seus atuais mandatos, estão longe de oferecer novas esperanças para 2014. O que estão nos oferecendo é a mesmice travestida de novo.

E aproveitando esse quadro renascentista de contrapartida surreal, coloco algumas pulgas atrás das orelhas desses políticos e analistas que se mantém dentro de suas linhas políticas tradicionalmente históricas:
E se essa minoria qualitativa crescente e apartidária resolver sair às ruas no transcorrer da campanha eleitoral?
Ein?


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