segunda-feira, 15 de abril de 2013

Tempos modernos


Eu não poderia suportar um trabalho rotineiro e sistemático sem a possibilidade de usar a criatividade, nem que ao menos uma vez ao dia. Sem poder trocar idéias com meus clientes e ser estimulado pelos seus problemas, sem captar a essência das suas expectativas.

A culpa do trabalho teatral não é do ser humano que trabalha, mas dos que o avaliam. O dramaturgo Thomas Bernhard e Sigmund Freud resumem como é e como deveria ser trabalhar:

"A maior parte dos trabalhadores e operários julga hoje que basta vestir o uniforme azul, sem fazer seja o que for e faz do trabalho um teatro. Ostenta seu traje enfaticamente durante todo o dia, correndo com ele sem cessar de um lado para o outro e chegando mesmo muitas vezes a suar, mas esse suor é falso, proveniente de trabalho simulado, não real. Mesmo o povo, há muito tempo, já chegou à conclusão de que o trabalho simulado é mais rentável que o realmente feito, ainda que nem de longe seja mais saudável, pelo contrário, só finge trabalho em vez de efetivamente o executar. Vemos os Estados à beira da ruína. Na verdade, hoje só há no mundo atores que do trabalho fazem teatro... não há trabalhadores. Tudo é fingido como no teatro e nada é realmente feito." (Thomas Bernhard)

"Não posso conceber uma vida sem trabalho verdadeiramente agradável; para mim, viver através da imaginação e trabalhar significam a mesma coisa; nada mais me contenta. Seria a receita da felicidade, se não fosse o pensamento horrível de que a produtividade depende totalmente de uma disposição aleatória; que poderemos empreender no transcorrer do dia ou período em que as ideias se recusam a fluir e as palavras não querem alinhar-se? (...) Todo o trabalho sistemático é incompatível com os meus dons e as minhas tendências. Todos os meus estímulos resultam das impressões que recebo quando estou em contato com os meus doentes." (Sigmund Freud)

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