segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sincronicidade

A sincronicidade(1) que culmina num relacionamento não é garantia de algo duradouro ou eterno. É um sinal de que há semelhanças significativas em fatos que ocorreram num curto espaço de tempo e podem ser claramente associados. Para mim, há uma intervenção cósmica que resulta nesses eventos, unindo nossas energias com outras mais sutis e ainda desconhecidas. Mas mesmo com essa espécie de empurrão cósmico, é a razão e o coração que juntos definem nossas escolhas. E quando falamos em escolhas é sempre bom lembrar o outro lado da moeda na frase do filósofo francês Henri Bergson: "Escolher é excluir."

Acredito que todas as pessoas com as quais nos relacionamos entrem em nossas vidas para nos ajudar a despertar nossos potenciais latentes, capacidades que esperam novos estímulos para poderem desabrochar. É evidente que se houver amor e ambas estiverem abertas para um relacionamento, a sincronicidade será a grande facilitadora e deverá ser lembrada de tempos em tempos para que a tolerância preencha os vazios e as diferenças, uma da outra.

Lembro-me de um casal de celebridades que se separou de forma civilizada depois de 15 anos juntos. Um repórter perguntou ao artista porquê eles não eram felizes. Ele respondeu: "E quem disse que não fomos felizes? Foram 15 anos de relacionamento nos quais tivemos muitas alegrias e levarei boas recordações, mas acabou." A resposta parece fria (promocional?) e paradoxal ao conceito que a maioria das pessoas tem sobre o amor. Mas independentemente da sinceridade ou da representação, há algo de muito coerente nessa resposta. Nossas vidas são feitas de encontros e viveres, como bem definiu Victor Hugo com sua visão espiritualista: "A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace."

Momentos bons são vividos e também proporcionados. Momentos que podem ser descritos em prosa ou em verso; romance, história, ficção ou realidade, não importa. O que importa é que foram momentos bem vividos.
A lua cheia iluminava a mata como um sol prateado e projetava sombras difusas sobre a terra umedecida pelo orvalho da noite. Estávamos abraçados e mudos na sacada daquele chalé de madeira rústica da pequena pousada encravada na serra. Sabíamos que qualquer palavra, por mais inspirada que fosse, quebraria a magia da noite. Perguntávamos para nós mesmos se tudo aquilo seria fruto do acaso ou da sincronicidade, mas no fundo não queríamos respostas. Nosso lado racional só faria quebrar a perfeição daquele momento.
"Há momentos... e você chega a esses momentos em que, de repente, o tempo pára e acontece a eternidade." (Dostoievski)


(1)Sincronicidade ou "coincidência significativa" como define Carl Jung, é uma sequência de eventos com significados semelhantes que estão ligados, e esta ligação é percebida (insight) durante ou após um desses acontecimentos sequenciais.

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