sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A mensagem subliminar de Isadora Faber

A menina Isadora Faber de Florianópolis está movimentando a mídia nacional com seu "Diário de Classe" da escola em que estuda, revelando as mazelas do ensino público e cobrando providências das autoridades políticas locais. Sua página no Facebook (veja aqui) já foi curtida 316 mil vezes e seu último post de ontem foi curtido 7 mil vezes e compartilhado por quase mil pessoas. Não vou escrever sobre sua página porque ela já está mais do que propagada no FaceBook, na Internet e na imprensa. Embora ela esteja famosa, imagino que sua vida de pré-adolescente e dos hábitos de sua família devem ter mudado radicalmente. Alguns governantes e membros do legislativo (exceto os da oposição) devem estar morrendo de ódio de Isadora porque políticos não suportam ver suas incompetências expostas publicamente. A diretora da escola também deve estar muito incomodada com isso tudo e eu até entendo, pois, os diretores das escolas públicas de hoje precisam ser mais políticos que administradores para salvar suas peles. A submissão das diretorias aos governantes é total. Outros poucos acham que ela quer aparecer, mas, desconsiderando os medrosos desse pequeno grupo, a outra parte é formada por invejosos que desdenham de sua fama.

A mensagem que eu chamo de subliminar é o fato de Isadora estar assumindo um papel que no passado foi de estudantes universitários da UNE, hoje transformados em pelegos do governo federal, comprados com dinheiro público e aliciados com projetos de sedes milionárias. Esforçando-me para ser mais realista e menos nostálgico, já defini essas mudanças em um outro post meu aqui neste mesmo blog:
"Na minha época os estudantes eram despojados e idealistas. Não trocavam suas convicções por nada deste mundo e não tinham medo. A adrenalina era droga permitida, sua produção era interna e não precisava de receita. Estudantes não se vendiam e se indignavam com roubos e com a desigualdade social. Sabiam se organizar e tinham sensibilidade para distinguir uma voz sincera de comando em meio à multidão. E quando o coração batia alto, era como se as palavras de Mahatma Gandhi ecoassem em seus ouvidos: "Quando a verdade fala em mim, sou invencível". Cassetetes e bombas de gás pareciam não fazer efeito. Eles não queriam doações, propinas, empregos ou quaisquer tipos de vantagens para suas entidades representativas. Queriam justiça social, seus direitos de cidadania e poder falar... apenas e tão somente isto. Não consideravam ter algo a perder porque a época era de SER e não de TER. Um ideal valia mais que computadores, carros e roupa de grife. A amizade entre eles era sincera e trair a confiança era pior que a morte. Eram seres mirrados e sem corpos "malhados". Não treinavam jiu-jitsu, caratê e nem frequentavam academias. Eram aquilo ali que todos viam, seja por dentro ou por fora, sem embrulho pra presente. Cabeludos, calças justas e camisetas pra fora. Era pegar ou largar, mas quem pegava sabia o que estava levando."

O que fez então a Isadora? Simplesmente ocupou o espaço deixado pelos idealistas medrosos ou que venderam seus ideais para os corruptos, pelos estudantes alienados e ignorantes da história política brasileira. Impulsionada pela química hormonal da pré-adolescência unida à explosão da internet e da liberdade de expressão, Isadora está mostrando o novo estilo de protesto de sua geração, conscientizando sem sair às ruas, em frente ao seu computador.

Essa é a mensagem subliminar que o blog da Isadora passa para os corruptos conservadores. Que as ações convencionais desses ladrões do dinheiro público e de seus comparsas (permissivos ou indiferentes) serão mais difíceis neste século XXI. E que mesmo mudando o "modus operandi", de um jeito ou de outro, eles serão flagrados por essa turminha porreta de novos cidadãos que está surgindo. Dentro de pouco tempo, os próximos diários desses jovens no FaceBook serão sobre segurança, saúde pública e corrupção. Aguardem!

E que os maus políticos se cuidem... bater nessas crianças índigo e de cristal que nasceram para mudar o planeta e hoje estão com 13 anos, além de revoltante é crime hediondo.

Saiam dessa, espertinhos!

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3 comentários:

Socorro Oliveira disse...

Adorei seu artigo penso como você e assino em baixo

Socorro Oliveira disse...

Adorei seu blog e esse artigo esta certa. um abraço

Ari disse...

Ze, a antiga UNE está ganhando uma face mais nova e isso me lembra muito uma frase muito usada nos seriados americanos "There is a point of no return" que é exatamente este novo movimento de Cidadania nas redes sociais

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