domingo, 15 de julho de 2012

Amar é...

Dentre todos os sentimentos possíveis e imagináveis do ser humano, o amor, indiscutivelmente, encabeça a lista dos menos definíveis por palavras, frases ou coleções inteiras de livros. Entre o amor carnal e o incondicional há um degradê infinito de sentimentos e sensações intraduzíveis, assim como a palavra saudade não o é do português para outros idiomas. Só os que falam a língua portuguesa sabem que saudade é diferente do "I miss you" ou até do "sinto a sua falta" do mesmo português. Independentemente do conceito de cada um, o amor é um sentimento completo. Quando se ama, ama-se mesmo sem a presença do ser amado, enquanto a saudade só existe na ausência. A saudade pode ser encontrada dentro do amor, mas nem sempre se encontra amor dentro da saudade.

Amor pelos filhos, pela família, por um amigo ou por alguém que seja mais do que um amigo, todos eles são amores que exigem reciprocidade para existir. Alguns poderão dizer que amor de mãe é incondicional, mas eu digo que nenhum deles é, pois, todos eles precisam de uma contrapartida para existir. A indiferença de uma das partes desmorona qualquer uma dessas relações amorosas. E basta existir mesmo apenas uma condição, para que o amor não seja incondicional.

Sobre o amor incondicional, Mahatma Gandhi disse: "O amor nunca faz reclamações; dá sempre. O amor tolera; jamais se irrita e nunca exerce vingança". Leitor do Novo Testamento, Gandhi nessa frase diz o mesmo que S. Paulo (1 Cor 13, 4-7). Jesus Cristo sempre serviu de inspiração para o líder religioso hindu. Disse Gandhi também: “Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia.” Gandhi era um hinduista mais cristão do que muitos cristãos batizados. E este é o amor mais difícil de se alcançar porque não é racional. É não sentir ódio porque ele não existe no sentimento; é amar sem exigir o amor recíproco, por ter consciência de que somos todos irmãos. É reconhecer que todos somos iguais perante o Criador, independentemente do nome que se dê a Ele. Todos estamos encarnados para polir a pedra bruta da alma, nossa essência. E quando formos empáticos ao ponto de entender as limitações de cada um estaremos perto do amor verdadeiro. Assim como disse Dalai Lama:
"Outras pessoas, assim como eu, buscam a felicidade, não o sofrimento e, mesmo sendo inimigos, têm o direito de superar esse sofrimento. E a partir da compreensão de que eles têm esse direito, desenvolve-se um sentimento de inquietação que é a verdadeira compaixão."
Amores carnais são fáceis de se sentir e pela família, mais fácil ainda. São amores ligados ao físico e ao sentimento de posse. O grande desafio é o amor desinteressado, reta de chegada para o amor incondicional. Começa-se tentando olhar o interior das pessoas que amamos condicionalmente. Seres que, como nós, são dotados de essências que se integram no amor universal.


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