domingo, 12 de fevereiro de 2012

Escolhas 2

O tema "escolha" é tão abrangente que precisamos organizá-lo antes de discorrer sobre ele. Nos primeiros anos de vida não temos quase nenhum direito à escolha, mas à medida que crescemos nos deparamos com escolhas a todo instante. A escolha é sempre um peso, seja no momento ou após a decisão, pois, como disse o filósofo Henri Bergson, "escolher é excluir" e não há exclusão sem arrependimento. Como jamais teremos certeza do que teria ocorrido se a escolha tivesse sido outra, seremos torturados pela eterna dúvida caso não nos posicionemos adequadamente em relação ao objetivo maior que temos em nossas vidas.

Utilizando uma linguagem metafórica para entender o significado de "objetivo maior", seria como decidir subir ao topo de uma montanha desconhecida para apreciar a paisagem lá de cima ou o percurso. Quando estamos na base da montanha não enxergamos o topo, não conhecemos o caminho e nem temos ideia de quantas horas vamos caminhar para chegar. Pegamos a trilha de subida mais evidente e vamos caminhando com segurança até a primeira encruzilhada, momento em que faremos nossa primeira escolha. Podemos ter escolhido o caminho mais longo, porém o mais belo, mas se o nosso desejo era o de chegar depressa no topo, ficaremos praguejando o tempo todo, nos privando de ouvir cantos de pássaros, ver árvores floridas e de sentir a brisa da montanha. Como escreveu Tolstoi, "Há quem passe pelo bosque e apenas veja lenha para fogueira".

Quando buscamos a melhoria da nossa essência (ou espiritualidade), as escolhas "erradas" devem ser entendidas como parte do aprendizado e não simplesmente aceitas com resignação, pois, resignar-se é reconhecer a existência de uma punição dada por ordem superior ou fruto do destino traçado. Não há punição, não há ordem superior que a determine e o nosso destino somos nós quem o traçamos. O único destino certo está na finitude da existência física. Há escolhas... tão somente e simplesmente escolhas... nossas escolhas. "Deus não é culpado. A culpa [se houver] é de quem escolhe." (Platão)

Tendemos a buscar, inconscientemente, os golpes de intensidades precisas do martelo que modela a nossa alma.

Leia Também: Do mal, muita coisa boa resultou (Carl Jung)
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