terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Justiça cega "pero no mucho"

Quero comentar apenas dois trechos da entrevista do futuro presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, quando fala sobre o Conselho Nacional de Justiça e reproduzo abaixo, parte da matéria do Estadão.

"A uma semana de sua posse como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, a maior corte do País, o desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori comparou práticas investigativas do Conselho Nacional de Justiça às da "ditadura".

"Vamos respeitar a lei, então não precisa mais de Legislativo", adverte. "Processo não precisa mais, já vai lá, avoca tudo, não tem defesa. Não é assim. O CNJ tem que observar o devido processo legal. Se o Legislativo criou um procedimento, se existe uma Constituição vamos respeitá-la. Sem que se siga esses procedimentos vai sim se tratar de uma ditadura, vai se voltar aos tempos da ditadura."

(...) "No mérito ela está certa, na forma não está agindo corretamente. Primeiro não podemos generalizar uma situação, bandidos de toga. Você lança uma denominação que traz reflexo em toda a classe e não é verdade, Os juízes trabalham muito, enxugam gelo, com prejuízo do convívio familiar. Eu não me senti ofendido porque não devo nada, absolutamente nada. Mas foi um ponto negativo para a classe, trouxe a opinião pública contra a magistratura e isso não é bom. Esse é o problema. Isso dificulta o trabalho. Eu concordo que existam pessoas que têm desvio de conduta, mas não digo que sejam bandidos de toga, como se fosse pessoal de alta bandidagem, alta corrupção. Um caso ou outro tem."

Em primeiro lugar, existem vários tipos de ditadura e a pior delas é a de um sistema jurídico estabelecido pela democracia, mas que dita sentenças por falta de julgamento, seja por omissão ou pela incapacidade de melhorar o sistema. Sim... quando um pobre coitado entra na justiça para ser ressarcido financeiramente ou de sua própria honra, está condenado a esperar a vida inteira e não são poucos os casos em que o acusador ou o suposto réu morrem muito antes de a justiça ser feita. Não bastasse a omissão da justiça, o próprio desembargador admite que em alguns casos - não importa se muitos ou poucos - as sentenças são dadas por alguns juízes corruptos, para as quais ele utiliza o lindo termo "desvio de conduta". Desvio de conduta porcaria nenhuma, senhor desembargador... é BANDIDAGEM MESMO! Matar e roubar também não são desvios de conduta? E porque os que matam e roubam são chamados de assassinos, bandidos e ladrões? Porque não prestaram concurso para juízes? Aliás, um juiz corrupto mereceria prisão perpétua em presídio de segurança máxima por crime hediondo.

Os juízes e o sistema devem ser auditados, investigados, corrigidos e punidos. E sabe por que? Porque os palhaços aqui que pagam seus salários querem que assim seja e esse é um direito constitucional do povo que sofre com uma carga tributária de quase 50% e vê boa parte retornar em forma de INEFICIÊNCIA e de INJUSTIÇAS. Nós também não queremos ninguém acima da lei e muito menos quem deveria, não nos premiar, mas nos CONCEDER justiça.

Esses juízes que se contrapõem às ações investigativas do CNJ estão perdendo uma grande oportunidade de fazerem história, imprimindo seus nomes nos livros como valentes heróis e não como covardes corporativistas.

Não adianta... as ações já foram veiculadas e o povo brasileiro está aguardando o final. Sair às ruas pedindo faxina no sistema judiciário é tão constitucional quando sair para pedir que políticos corruptos sejam varridos do governo e da história.

Matéria do Estadão: clique aqui

.o.

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