sábado, 3 de dezembro de 2011

Desbanalização do ego - Parte 2

Continuando com o tema EGO do primeiro post Desbanalização do ego - Parte 1 , algumas religiões e filosofias aconselham a "perda do ego" como forma de evolução espiritual, mas existe uma grande diferença entre esse ego da espiritualidade (vaidade, soberba, luxúria etc) e o do sistema da personalidade proposto por Freud.

Como a palavra ego vem do latim (alemão "ich") é literalmente traduzida como "eu", há uma confusão entre o sistema da personalidade de Freud e do o que Jung chamou de "self", muito mais adequado para representar a essência do ser humano porque abrange o consciente e o inconsciente, enquanto o ego e superego se referem apenas à mente consciente atuando sobre a inconsciente (id).

Avaliando essa redução da interferência do ego sob o ponto de vista freudiano, simplesmente reduzir a reflexão e o julgamento (ego) que estabelece o equilíbrio entre os desejos imediatos (id) e os limites impostos pelos nossos conceitos morais (superego), seria dar vazão direta às manifestações do inconsciente. No entanto, se incluirmos a essência do ser que foi ignorada por Freud (mas considerada por Jung - self), com a evolução espiritual e consequente aproximação do ser à sua essência divina (individuação), haverá uma redução natural da ação do ego em virtude da diminuição dos desejos (id).

Já na visão oriental (mais espiritualista), segundo Osho, ego nada mais é do que a nossa imagem refletida nos outros (o que pensam de nós), ou seja, a nossa vaidade resultante dos estímulos cumulativos de outras pessoas, processo que começa na infância. O ego na visão oriental está mais relacionado à divisão "PERSONA" (máscaras) e "SELF (EU maior, essência ou divino) de Carl Jung. A integração harmônica entre os dois tendendo à essência ele chama de individuação.

Mas como eu disse, não pretendo ir a fundo mesmo porque não tenho formação na área e pretendo apenas transmitir minha visão espiritualista sobre o ego, prendendo-me aos conceitos orientais. A idéia é entrelaçar os conceitos mais racionais de Freud (personalidade) com os mais sutis de Jung (espiritualidade).

Ao contrário do que os mais radicais dizem, não acho adequado o termo "eliminar o ego" ou pior, "matar o ego". Isto porque este processo de libertação precisa ser consciente para que seja gradativamente assimilado pela nossa essência. É importante entendermos o porquê da existência e da utilidade do ego para que possamos agir positivamente no abandono gradativo de suas influências que tiram a nossa visão do TODO (egocentrismo/egoísmo/soberba), até o ponto em que os nossos desejos se harmonizarem com o nosso Eu Maior.

E para este abandono gradativo não basta a ação racional (ego de Freud), mas também a interiorização por meio da meditação para a percepção de nós mesmos sem influência expressiva dos nossos pensamentos. É o que chamamos de integração como TODO.

Para entender melhor, sugiro lerem "O Milagre de estar atento"

(Continua...)

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