sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

BBB- Um zoológico nada divertido

Não costumo escrever sobre programas de TV, mas sou obrigado a tirar o chapéu para este texto de Luiz Fernando Veríssimo sobre o Big Brother e Pedro Bial. Veríssimo foi extremamente feliz e cuidadoso para evitar que os vigilantes bate-prontos das minorias se arrepiassem e perdessem a oportunidade de refletir, não sobre valores morais, mas sobre os valores da vida e da audiência a qualquer preço. Respeito demais as opções sexuais de cada um e quem me conhece pessoalmente sabe disso. O texto passa longe do moralismo machista e preconceituoso, pegando direto na "veia" dos bons costumes e da ordem de valores, seja para gays, lésbicas, simpatizantes e travestis ou heterossexuais.

As considerações que fazem nas chamadas do BBB, forçam-nos-nos tristemente a olhar o mundo de ponta-cabeça, quando hoje, olhar a realidade do lado certo já nos deprime, tal a enxurrada de ações da política à justiça com total inversão de valores. Este outro mundo nada virtual sim, é realmente um "zoológico humano", mas que não tem nada de divertido.


BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de trás$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
Um abismo chama outro abismo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Melhores músicas de filmes de todos os tempos


Há uma infinidade de lindas músicas de cinema, mas escolhi 33 que me marcaram. Aos poucos incluirei vídeos.

Quem quiser colaborar com sugestões, deixe um comentário, mas não se esqueça do ano de produção, nome do filme e diretor.

Mas tem que ser de filmes clássicos e reconhecidos mundialmente, ok?





Atenção: a resolução dos vídeos é baixa para assistir no Youtube. Sendo assim, é melhor assistir no blog, pois a prioridade é para a música.


1931 Luzes da Cidade (Charles Chaplin)



1939 O Mágico de Oz (Victor Fleming)



1939 E o Vento Levou (Victor Fleming)



1942 Casablanca (Michael Curtiz)



1952 Cantando na Chuva (Stanley Donen)



1957 A Ponte do Rio Kwai (David Lean)



1959 Ben-Hur (William Wyler)



1960 Êxodus (Otto Preminger)



1960 Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder)



1962 Lawrence da Arábia (David Lean)



1965 O Dólar Furado (Giorgio Ferroni)



1981 Carruagens de Fogo (Hugh Hudson)



1982 ET - O Extraterrestre (Steven Spielberg)



1984 Amadeus (Milos Forman)



1988 Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore)



1992 Perfume de mulher 1992 (Martin Brest)



1993 A Lista de Schindler (Steven Spielberg)






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Justiça cega "pero no mucho"

Quero comentar apenas dois trechos da entrevista do futuro presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, quando fala sobre o Conselho Nacional de Justiça e reproduzo abaixo, parte da matéria do Estadão.

"A uma semana de sua posse como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, a maior corte do País, o desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori comparou práticas investigativas do Conselho Nacional de Justiça às da "ditadura".

"Vamos respeitar a lei, então não precisa mais de Legislativo", adverte. "Processo não precisa mais, já vai lá, avoca tudo, não tem defesa. Não é assim. O CNJ tem que observar o devido processo legal. Se o Legislativo criou um procedimento, se existe uma Constituição vamos respeitá-la. Sem que se siga esses procedimentos vai sim se tratar de uma ditadura, vai se voltar aos tempos da ditadura."

(...) "No mérito ela está certa, na forma não está agindo corretamente. Primeiro não podemos generalizar uma situação, bandidos de toga. Você lança uma denominação que traz reflexo em toda a classe e não é verdade, Os juízes trabalham muito, enxugam gelo, com prejuízo do convívio familiar. Eu não me senti ofendido porque não devo nada, absolutamente nada. Mas foi um ponto negativo para a classe, trouxe a opinião pública contra a magistratura e isso não é bom. Esse é o problema. Isso dificulta o trabalho. Eu concordo que existam pessoas que têm desvio de conduta, mas não digo que sejam bandidos de toga, como se fosse pessoal de alta bandidagem, alta corrupção. Um caso ou outro tem."

Em primeiro lugar, existem vários tipos de ditadura e a pior delas é a de um sistema jurídico estabelecido pela democracia, mas que dita sentenças por falta de julgamento, seja por omissão ou pela incapacidade de melhorar o sistema. Sim... quando um pobre coitado entra na justiça para ser ressarcido financeiramente ou de sua própria honra, está condenado a esperar a vida inteira e não são poucos os casos em que o acusador ou o suposto réu morrem muito antes de a justiça ser feita. Não bastasse a omissão da justiça, o próprio desembargador admite que em alguns casos - não importa se muitos ou poucos - as sentenças são dadas por alguns juízes corruptos, para as quais ele utiliza o lindo termo "desvio de conduta". Desvio de conduta porcaria nenhuma, senhor desembargador... é BANDIDAGEM MESMO! Matar e roubar também não são desvios de conduta? E porque os que matam e roubam são chamados de assassinos, bandidos e ladrões? Porque não prestaram concurso para juízes? Aliás, um juiz corrupto mereceria prisão perpétua em presídio de segurança máxima por crime hediondo.

Os juízes e o sistema devem ser auditados, investigados, corrigidos e punidos. E sabe por que? Porque os palhaços aqui que pagam seus salários querem que assim seja e esse é um direito constitucional do povo que sofre com uma carga tributária de quase 50% e vê boa parte retornar em forma de INEFICIÊNCIA e de INJUSTIÇAS. Nós também não queremos ninguém acima da lei e muito menos quem deveria, não nos premiar, mas nos CONCEDER justiça.

Esses juízes que se contrapõem às ações investigativas do CNJ estão perdendo uma grande oportunidade de fazerem história, imprimindo seus nomes nos livros como valentes heróis e não como covardes corporativistas.

Não adianta... as ações já foram veiculadas e o povo brasileiro está aguardando o final. Sair às ruas pedindo faxina no sistema judiciário é tão constitucional quando sair para pedir que políticos corruptos sejam varridos do governo e da história.

Matéria do Estadão: clique aqui

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A massacrante felicidade dos outros - Martha Medeiros

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco.

Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: "Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.

Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?

Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.

(Martha Medeiros)

Recomeçar - Carlos Drummond de Andrade


Não importa aonde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque você fechou as portas até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da sua melhora...
Pois é...
Agora é hora de reiniciar...
De pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas mais simples de novo...
Que tal um novo emprego?
Um corte de cabelo arrojado...
Diferente?
Um novo curso...
Ou aquele velho desejo de aprender a pintar...
Desenhar...
Dominar o computador...
Ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
Quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus, o esperando.
Está se sentindo sozinho?
Besteira...
Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
Nem nós mesmos nos suportamos...
Ficamos horríveis...
O mal humor vai comendo nosso fígado...
Até a boca fica amarga!
Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto...
Sonhe alto...
Queira o melhor do melhor...
Queira coisas boas para a vida...
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos...
Se pensamos pequeno...
Coisas pequenas teremos...
Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é o hoje o dia da faxina mental...
Joga fora tudo que te prende ao passado...
Ao mundinho de coisas tristes...
Fotos...
Peças de roupa, papel de bala...
Ingressos de cinema, bilhete de viagens...
E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados...
Jogue tudo fora...
Mas, principalmente, esvazie seu coração...
Fique pronto para a vida...
Para um novo amor...
Lembre-se: somos apaixonáveis...
Somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...
Afinal de contas...
Nós somos o "Amor".
"Sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura".


(Carlos Drummond de Andrade)


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sábado, 24 de dezembro de 2011

Nave Terra

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A queda das máscaras

Há uma frase do escritor inglês Arthur Conan Doyle que diz: "Nenhuma cadeia é mais forte que seu elo mais fraco".

É por este motivo que estamos assistindo o desmoronamento, um a um, dos três poderes no mundo. Nenhum tipo de corporativismo político-econômico consegue se sustentar por muito tempo, pois, quanto mais se amplia a corrente de privilegiados menos seletiva ela fica, enfraquecendo alguns de seus elos. Isto acontece por vários motivos, mas o principal deles é que os interesses pessoais acabam prevalecendo sobre os das próprias corporações.

Nas correntes externas, temos acompanhado as dos bancos europeus e do capitalismo, enfraquecidas por elos representados por alguns poucos países, bancos e organismos internacionais. Ações desesperadas estão revelando ao mundo suas reais intenções, muito mais para salvar particulares do que o sistema ao qual pertencem. Essas injeções bilionárias de dinheiro com a desculpa de salvar esse sistema confundem-se com o salvamento de alguns bancos e países em particular, ou mais especificamente de alguns banqueiros ou nações que se encontram no final dessa cadeia e que nunca aparecem de forma explícita.

Já o corporativismo brasileiro mais implacável hoje é o político e envolve os três poderes da nossa republiqueta tupiniquim. Aos poucos as corporações do executivo, legislativo e judiciário estão se enfraquecendo com os elos fracos denunciados pela natural falta de seletividade dos membros corruptos que ingressaram nessas três correntes. O desespero desses lesas-pátrias nesse fim de linha prenunciado é tão grande ao ponto de não notarem o quanto estão sendo ridículos, tentando desmentir o presenciado e vendendo a imagem de bonzinhos. Um desses exemplos foi o programa do horário político obrigatório do PTB de ontem, quando vimos Roberto Jefferson com aquela cara-de-pau reclamando sobre a corrupção institucionalizada, semanas depois do escândalo do ministro Wagner Rossi de seu partido e do caso do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em que o ex-deputado Jefferson foi acusado de influir na administração com indicações.

O outro exemplo foi do judiciário, com o ministro do STF Ricardo Lewandowski julgando em causa própria e apoiado depois pelo presidente Cezar Peluso, coincidentemente também incluído nas investigações da Corregedoria Nacional de Justiça. O caso do Supremo é pior, pois, estamos falando sobre a última instância da justiça que não admite ser investigada, nem pela corregedoria. O STF tem usado o argumento da tecnicista inconstitucionalidade para permitir que fichas sujas, mensaleiros e membros do próprio judiciário permaneçam impunes ou livres de investigação. O interessante é que o embasamento dessas decisões acaba se tornando inquestionável pela habilidade com que eles utilizam seu notório saber jurídico para decidir em causa própria ou a favor de alguns poderosos. O status de Ministro do Supremo, segundo eles, não admite contra-argumentações ou que sejam contrariados em suas decisões. Deuses do Olimpo?

Todos... todos eles se esquecem de que são APENAS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS como qualquer outro EMPREGADO, realidade agravada em relação aos funcionários de empresas pelo fato de o dinheiro ser nosso, ou seja, do povo brasileiro.

Os mais "eshpertos" dessas correntes perceberão que essa tendência das máscaras caindo é irreversível e que se forem menos arrogantes e teimosos poderão usufruir ainda um pouco mais das benesses que a nossa democrática e permissiva Constituição lhes concedeu. Mesmo corruptos ainda lhes resta a possibilidade de se notabilizarem como salvadores da pátria. Afinal, para nós nessas alturas do campeonato, qualquer exemplo de moralidade estará valendo, mesmo que hipócrita. Desde que promova o saneamento básico para tratar esse esgoto no qual se transformou a política brasileira.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Melhor a imprensa, mesmo imperfeita

UOL - 20/12/2011: "Na manhã desta terça-feira (20), mais de 50 militares entraram na sede da empresa acompanhados por funcionários do judiciário e por jornalistas de um programa da TV estatal argentina"

Quando uma determinação da justiça é cumprida em um país livre e democrático, não se deve questionar. Como diz o antigo bordão, "Decisão da justiça não se discute, cumpre-se!". Por outro lado existe o contraponto da frase de Clarice Lispector que diz: "os fatos são sonoros; o que importa são os silêncios por trás deles"

E nos fatos que envolvem política e militarismo, os "silêncios" importam mais ainda. Oras... se a decisão foi judicial, por que foram acionados militares e não a polícia para cumprimento/execução da decisão? Não tenho a menor idéia se na Argentina é diferente, mas mesmo que a lei permita ou até exija, é um procedimento no mínimo esdrúxulo dentro do conceito universal em relação às finalidades das Forças Armadas de um país.

E esse é um dos silêncios mencionados na frase de Lispector e que devem ser trazidos ao som e à luz da verdade. A tentativa insistente de regionalizar para a América Latina a manjada cartilha socialista tupiniquim cubana/chavista traz como estratégia primordial a de calar a imprensa. E embora explicar seja chover no molhado, recorro à outra frase da brilhante Clarice de que "o óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar" para justificar a redundância da explicação a seguir.

Nesses governos nos quais incluo o do Brasil do PT, existe o plano de se eternizarem no poder, utilizando essa justificativa furada e de intenções veladas de que somos povos ignorantes e precisamos ser tutelados ao invés de governados. Essa desculpa ideológica já utilizada pela Rússia no tempo da União Soviética, serve para convencer os fundamentalistas mais resistentes de que a tutela visa reduzir as diferenças sociais por meio da estatização, mas que na verdade, criará e corporativizará oligarquias políticas nos três poderes dessas republiquetas.

Já está mais do que provado que os chamados poderes centrais transformam-se em politburos (antiga URSS) e realmente removem as diferenças sociais, mas com uma fórmula mais aritmética do que matemática porque utilizam apenas as quatro operações: subtraem dos que já têm pouco e dividem com os que não têm nada; multiplicam seus poderes políticos e somam suas riquezas e privilégios. Resumem um país em apenas duas classes sociais: na dos miseráveis votantes e na dos privilegiados poderosos. E esses poderosos se reproduzem apenas entre eles mesmos, formando uma grande família. É o despotismo mascarado de democracia.

Voltando então à imprensa, para os poderosos ela precisa ser controlada por representar um grande risco a essas pretensões, já que as verdades - ou mentiras que busquem verdades - certamente denunciarão os esquemas previamente montados por esses tutores que se escondem sob o véu da magnanimidade e do humanismo dissimulados. Não é por acaso que Napoleão Bonaparte disse: "Tenho mais medo de três jornais do que de cem baionetas"

E a imprensa? É boazinha, humanista e magnânima? Definitivamente não! Assim como salvou países da ditadura e derrubou um presidente do país mais democrático do mundo (Nixon), também promoveu derrubada de governos democraticamente eleitos como o do Chile de Salvador Allende. No entanto, na época não havia diversidade nos veículos de comunicação e nem a Rede Mundial (Internet). Dos males aos que estamos expostos, a imprensa - desde que livre - nos é mais benéfica que prejudicial e nos dá o direito de escolher diversas linhas editoriais, diferente da chamada imprensa oficial que é governamental, narrativa, parcial e não investigativa.

Eu entendo ser necessária a regulamentação da imprensa para evitar o domínio dos grandes veículos de comunicação e dar oportunidade para os pequenos, da mesma forma como se deve evitar o monopólio de produtos e serviços. Temos apenas de ficar atentos para que a lei regulamentadora não funcione como pano de fundo para restringir a liberdade de imprensa e também evitar que fatoss como este da Argentina aconteçam também no Brasil.

Selecionei três matérias do Observatório da Imprensa com opiniões sobre a lei de regulamentação. São visões diferentes:



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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Felicidade

Quando a gente procura frases nesses sites de pensamentos, o tema filosófico campeão desde Thales de Mileto é o da felicidade. E o interessante é que todas as frases têm razão ou não, dependendo do dia que a gente lê.

No final de tudo, a gente acaba concordando com Drummond: "Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade"


QUANDO ESTAMOS...

... ESPERANÇOSOS:
  • "Todos os homens, sem exceção, procuram ser felizes. Embora por meios diferentes, tendem todos para este fim." (Pascal Blaise)
  • "Quase sempre a maior ou menor felicidade depende do grau de decisão de ser feliz." (Abrahan Lincoln)
  • "Não é a força mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade." (Nietzsche
... FINGINDO:
  • "A felicidade é sermos felizes; não é fingirmos perante os outros que o somos." (Jules Renard)
  • "Atormentamo-nos menos para ser felizes do que para mostrarmos que o somos." (La Rochefoucauld)
... COM INVEJA:
  • "Quantos homens consideramos felizes apenas porque os vemos passar." (Astolphe Custine)
  • "Não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia." (Sêneca)
  • "Se quiséssemos ser apenas felizes não seria difícil. Mas como queremos ser mais felizes que os outros isto se torna difícil, pois, achamos os outros mais felizes do que realmente são." (Montesquieu)
... SEM ESPERANÇAS:
  • "De todos aqueles que consideramos felizes, não há um que o seja." (Anaxágoras)
  • "A felicidade solitária não é felicidade." (Dostoievski)
  • "Queres ser feliz? Aprende primeiro a sofrer." (Ivan Turgueniev)
... EM PAZ:
  • "A felicidade não é fruto da paz, é a própria paz." (Alain)
  • "A felicidade não consiste em adquirir nem de usufruir, mas sim em nada desejar, consiste em ser livre." (Epicleto)
  • "A felicidade é para quem se basta." (Aristóteles)
  • "Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade." (Carlos Drummond)
  • "Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho." (Gandhi)
... DIANTE DE UMA ESCOLHA:
  • "Não há que ter vergonha de preferir a felicidade." (Albert Camus)
  • "Quando a felicidade se apresenta devemos abrir-lhe todas as portas porque jamais foi considerada inoportuna." (Schopenhauer)
... DIANTE DO PESSIMISTA:
  • "Quem não sabe ser feliz em nada pode contribuir para a felicidade." (André Gide)
  • "Quando se diz às pessoas que a felicidade é uma questão simples, querem-nos sempre mal." (Bertrand Russel)
... REAJUSTANDO VALORES:
  • "A verdadeira felicidade custa pouco; sendo cara, é porque a sua qualidade não presta." (François Chateaubriand)
  • "O homem não é feliz enquanto o seu estorço indeterminado não fixar a si mesmo os seus limites." (Goethe)
  • "Quanto mais se é feliz menos se presta atenção à felicidade." (Alberto Moravia)
... CONFORMADOS:
  • "Não existe felicidade perfeita." (Horácio)
  • "A felicidade consiste principalmente em nos conformarmos com a nossa sorte." (La Rochefoucauld)
... BUSCANDO ÂNIMO:
  • "Nunca se é tão feliz nem tão infeliz como se imagina." (La Rochefoucauld)
  • "Não é a nossa condição, mas a têmpera da nossa alma que nos torna felizes." (Voltaire)
  • "A felicidade está em conhecer os nossos limites e em apreciá-los." (Romain Rolland)
... SENSÍVEIS:
  • "Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons." (Carlos Drummond)
  • "A felicidade é uma flor que não se deve colher." (André Maurois)
  • "A felicidade é simplesmente uma questão de luz interior." (Henri Lacordaire)
... RACIONAIS:
  • "A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, em dormir sem medo e acordar sem angústia." (Françoise Sagan)
  • "A felicidade é como o vidro; tem, como ele, o brilho e a fragilidade." (Públio Siro)
  • "É preciso tentar ser feliz, nem que seja apenas para dar o exemplo." (Jacques Prévert)
  • "A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz." (Sigmund Freud)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nós idiotas




Querem saber quem são os idiotas? Segundo "ELES", basta resolver uma pequena expressão:





Precisa ser de algum partido de oposição para ficar enojado com essa roubalheira institucionalizada? Não... eu não sou de nenhum partido nem estou no meio daqueles otários úteis (ou fanáticos úteis da expressão matemática acima) e fiquem à vontade para ler meu blog inteirinho. Sou apenas um brasileiro de um desses dois brasis que estão aí. Sou do Brasil que trabalha e que paga impostos; do Brasil do empresário que quando tem prejuízo se ferra. Sou daquele Brasil onde as leis punem o batedor de carteira, o ladrão de roupa de varal e o de galinha. Enfim, sou do Brasil idealizado por aqueles que antes moravam nele, mas que foram "promovidos" por nós mesmos para o outro Brasil: o oligárquico.

A última novidade do Brasil Oligárquico: "Os réus do mensalão poderão ter suas penas prescritas antes mesmo da conclusão do julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o ministro Ricardo Lewandowski, o processo do escândalo de 2005 não tem prazo para ser finalizado. O ministro acrescenta que alguns dos réus podem não ser punidos, uma vez que o STF decidiu julgar todos juntos, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo."

"Entre os crimes que podem caducar por causa do tempo é o de formação de quadrilha, do qual são acusados, por exemplo, José Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério e Valdemar Costa Neto, caso sejam condenados com pena mínima. Lewandowski disse que dificilmente o julgamento será concluído em 2012. O mensalão tem 38 réus e está à espera do voto do ministro-relator, Joaquim Barbosa. Depois disso, o ministro Ricardo Lewandowski revisará o processo. Só então é que poderá ser marcado um julgamento no plenário do STF, de acordo com a Folha."

Pois é... no Brasil oligárquico eles podem roubar o nosso dinheiro e fazer conluios corporativistas amparados pelo tecnicismo da interpretação constitucional. É quando as corporações dos três poderes se unem, individual e coletivamente contra nós, os IDIOTAS. Individualmente quando aumentam seus próprios salários, criam benesses ou correm o risco de perderem seu status de privilegiados e de voltarem a pertencer à ralé. Coletivamente quando as corporações se unem para proteger os poderosos. E nessa união a (in)justiça nem disfarça sua submissão aos interesses dos poderosos. Afinal, são todos amigos desde criancinhas e precisam agradecer suas indicações.

Temos de suportar esses brasileiros oligárquicos tentando nos meter suas verdades-mentiras goela abaixo, mesmo que a gente tenha escutado gravações, lido jornais, visto extratos bancários e assistido videos. Nós, os idiotas votantes, não podemos ter opiniões próprias, pois, tão logo expressemos a nossa indignação, ELES mandam suas tropas de choque para nos intimidar. Lógico! Quem faria esse trabalho sujo não fosse os fanáticos-úteis? Existem dois tipos de fanáticos-úteis (ou otários-úteis): os que acreditam na ideologia morta de seu partido e os que almejam ter um visto permanente para o Brasil oligárquico em seu passaporte.

Precisamos dar um basta nesse teatro de palcos e coxias cheias, mas de platéias cada vez mais vazias. Precisamos mudar essa expressão que ELES usam para definir a classe de IDIOTAS. Idiotas são esses que não honram o cargo público que ocupam e todos aqueles que os defendem. Esses que não conseguem olhar para seus filhos sem sentir um certo incômodo.

Chega! 

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Só o instante é definitivo

Muitas coisas que escrevo neste blog são insights de algo que li, seja uma frase de filósofo, poeta ou texto de jornal. Não posso agradar a todo mundo, mas posso convidar todos à reflexão. E refletir não significa aceitar o que está escrito, pois, já somos bem grandinhos para achar que existam verdades únicas. Nada do que escrevo resiste ao tempo, mas tudo que escrevo é definitivo no instante.

Muitas vezes poderei mexer com a sensibilidade de alguns, mas não mando recados pelo blog, podem estar certos disso. Se alguém estiver mais próximo da minha vida poderá entender melhor alguns desses instantes, sejam eles de dúvidas, de temores ou de certezas, mas é muito raro eu escrever sobre as minhas próprias aflições. Outros que nem me conhecem poderão sentir que o texto é para eles, mas será pura coincidência. Afinal, somos seres humanos com amigos, família, trabalho; convivemos na mesma sociedade e estamos sujeitos às mesmas ansiedades e questionamentos. Basta viver para nos sujeitarmos às recorrências da vida e muitas delas fortemente influenciadas pela moral do inconsciente coletivo.

Mario Quintana escreveu: "Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente... e não a gente a ele!"

Sem pretender de maneira alguma contrariar Quintana, mas apenas fazendo um ajuste fino nesta brilhande frase para que eu possa usá-la, quando um texto ou poema nos toca profundamente podemos odiá-lo ou amá-lo, dependendo do momento que estamos vivendo; dependendo do que adotamos como verdade; dependendo da nossa ordem de valores; dependendo... dependendo... dependendo...

Quando educamos a nossa consciência (e isso normalmente acontece com a idade/vivência/tempo), podemos até continuar não ouvindo, mas mudamos a nossa forma de ler e de reagir à leitura. Nosso ego (conceito jungiano do self) "baixa a bola", pois, afinal, somos apenas ele (o texto) e nós. Como escreveu Nietzsche: "Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde"

E não pensem que só os que lêem estão sujeitos a esse processo de reflexão. Quem mais ganha é quem escreve. Como eu disse no início, NADA do que escrevemos resiste ao tempo; TUDO que escrevemos é definitivo apenas no instante.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Escolhas 1

Vemos a todo instante pessoas que têm o hábito de se lamentar da vida e da sorte. Disse Platão que "Deus não é culpado. A culpa é de quem escolhe". O poeta Pablo Neruda vai mais fundo e diz:
"Estamos sempre frente a escolhas e toda escolha tem um preço. As más escolhas normalmente cobram preços mais altos e muitas vezes as 'não escolhas' também. É bom ter sempre em mente que: 'Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das conseqüências.' (Pablo Neruda)"
Essas pessoas que culpam a vida, não percebem que além de cegas e surdas, são entediantes. Vivem reciclando seus círculos de amizades porque nenhum suporta essas ladainhas por muito tempo. Algumas dessas perseguidas por Deus - e principalmente por elas mesmas -, chegam a mudar de bairro ou até cidade por já terem explorado a comunidade inteira com suas reclamações repetitivas e sempre inconvenientes.

Sim... eu estou sendo duro, mas não há como reverter essas situações repetitivas sem um choque consciencial. Você que é assim, está perdendo tempo e atraindo cada vez mais "azares" para a sua vida, já percebeu isso? Olhe um pouco para o seu passado recente e tente perceber quantas pessoas já desistiram de ouvi-la e a evitam de todas as maneiras. São pessoas que também têm problemas e às vezes muito piores que os seus e mesmo assim conseguem lhe transmitir calma e confiança quando falam.

É óbvio que seu problema pode ser patológico e vai precisar de ajuda médica ou de um psicólogo, mas para isso, você precisará de um MÍNIMO de força de vontade para reconhecer essa necessidade de procurar ajuda. E quanto mais tempo demorar para tomar essa decisão, mais ficará dependente desse "coitadismo" e rejeitará qualquer tipo de ajuda, pois, essa condição de coitada vai se tornando uma necessidade e se fixando em seus corpos mais sutis. E, numa espécie de masoquismo inconsciente, rejeitará cada vez mais qualquer tipo de ajuda, pois, curar-se significará privar-se desse prazer mórbido.

Todos têm problemas e, mais uma vez repetindo a frase sábia da poetisa americana Anais Nin neste blog, "A vida não é como é; a vida é como somos".

Procure coisas mais positivas para ver, ler e ouvir. Mude costumes; mude seu cotidiano; saia da mesmice. Não se trata de olhar para o espelho e ficar repetindo que é feliz, ignorando suas rugas e olheiras. É conseguir imaginar o que você poderá ser feliz igual a muitos que olham a vida de forma diferente da sua. Você tem cérebro como eles e o poder da ação. A diferença está (somente) na atitude.

Levanta-te e anda!

Sugestão para leitura: Amor e afetividade, a religião interior de Carl Jung

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Frases & Pensamentos II







Quem é o maior culpado?

Abre-se hoje no país uma discussão filosófica que tenta definir o maior culpado pela corrupção: o corrupto ou o corruptor?

Que essa discussão se reserve aos filósofos, à polícia e aos tribunais. O povo não deve participar dessa divagação, a não ser pela necessidade de se informar, mas nunca na expectativa de que essa separação entre o joio e o estrume (afinal nenhum dos dois é trigo) possa contribuir efetivamente para estancar a hemorragia da moralidade pública que assola o país.

Para nós eleitores, o importante é desfazer o nó da corrupção, independentemente de qual das pontas do fio aparece na meada, seja a do mau empresário ou a do mau político. O importante é desfazer os nós assim que aparecerem e não será por meio de MAIS LEIS que esses nós deixarão de existir. O problema do país não está na lei, mas no seu cumprimento e no correto julgamento. Parafraseando Lao-Tsé: "Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões"

Somos povo e o povo não pode fiscalizar milhões de empresários. Os políticos são em menor número, somos nós que os escolhemos e representam a boca mais estreita desse funil por onde passa o NOSSO dinheiro que é a fonte principal que alimenta a corrupção.

Portanto, não devemos perder o foco dos holofotes e concentrá-los na POLÍTICA e nos POLÍTICOS LADRÕES, roubem eles em nome do partido, de uma ideologia ou deles próprios.

O resto é vã filosofia e coisa de gente dissimulada.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A felicidade, a possessividade e o masoquismo inconsciente

"Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos"

Essa brilhante frase da poeta americana Anais Nin revela segredos que envolvem a busca da felicidade. A subjetividade da palavra felicidade, foi, é e sempre servirá de inspiração para crônicas, poemas e até coleções inteiras de livros. Isto porque cada um que se sente feliz "acha" que conseguiu encontrar uma receita mágica para a felicidade e resolve dividi-la com todos ou, alguns mais oportunistas, vendê-la para todos. Há também aqueles que não são felizes, mas mesmo assim criam receitas baseadas naquilo que perseguem, mas ainda não encontraram.

Mas não pretendo abordar neste post qualquer uma dessas receitas milagrosas para encontrar a felicidade e sim refletir sobre um tipo específico de comportamento inconsciente: o do sofrimento conjugado com o prazer.

Embora sofrimento e felicidade sejam paradoxais, quando o prazer é doentio (patológico), o sofrimento será sempre subvalorizado e, diante de qualquer tentativa de avaliar antecipadamente o grau de infelicidade que ele proporcionará, essa tentativa de avaliação será boicotada pela mente doente, fixada nesse prazer maior. Como exemplo podemos citar o desejo material ou o relacionamento com pessoa amiga, parente ou amada. Distanciar-se disso é uma IDEIA tão dolorosa que supera qualquer iniciativa de se utilizar a razão.

No entanto, como a infelicidade é mais percebida que a felicidade, essas pessoas apresentam humores instáveis em virtude dessa busca constante por motivos que justifiquem a posse do bem desejado, mesmo que ele signifique sofrimento. É um masoquismo diferente, no qual não há prazer direto com o sofrimento, mas ignora-se essa relação indissociável entre ambos e reconhece-se apenas a relação direta entre a posse e a sua própria felicidade.

Carl Jung, embora não concordasse com os métodos de Schopenhauer para se alcançar a felicidade (Schopenhauer introduziu o pensamento budista na metafísica alemã) concordava com a tese do filósofo alemão de que a suprema felicidade só pode ser conquistada com a anulação do desejo, inclusive, o próprio desejo ardente pela felicidade. É o que chamamos de desprendimento e esse desprendimento não se alcança se desfazendo dos bens adquiridos ou perseguidos, mas desvinculando-os naturalmente da fórmula da felicidade.

Como disse o filósofo romano Epicleto, "A felicidade não consiste em adquirir nem em usufruir, mas sim em nada desejar. Consiste em ser livre."

E não podemos ser livres alimentando medos e desejos!








segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Seja Simplesmente Você Mesmo - Osho

Não existe nenhum lar, a menos que encontremos um dentro de nós mesmos.

Você vem para este mundo exatamente como um livro não escrito, cheio de páginas em branco.

Você tem que escrever o seu destino. Não há ninguém que esteja escrevendo o seu destino. E quem escreveria? E como? E para quê?

Você vem para este mundo apenas como uma potencialidade em aberto — uma potencialidade multidimensional.

Você tem que escrever o seu destino, tem que criar o seu destino. Você tem que se tornar você mesmo.

Você não nasceu com um “eu” pronto. Você nasceu apenas como uma semente — e também pode morrer assim como uma semente, mas também pode se tornar uma flor, pode se tornar uma árvore.

A vida se compõe de pequenas coisas. Então, se você passar a se interessar pelas chamadas grandes coisas, estará deixando a vida escapar.

A vida consiste em bebericar uma xícara de chá, fofocar com os amigos, sair pela manhã para fazer uma caminhada — sem qualquer destino em particular, só para caminhar, sem rumo, sem finalidade, podendo a qualquer instante dar meia-volta —, cozinhar para alguém que você ama, cozinhar para si mesmo — porque você ama seu corpo também —, lavar suas roupas, limpar o chão, regar o jardim… Essas coisas pequenas, bem pequenas… Dizer olá a um estranho, o que não seria absolutamente necessário, já que não há qualquer interesse sobre ele.

A pessoa que pode dizer olá a um estranho também pode dizer olá a uma flor, também pode dizer olá a uma árvore, também pode cantar uma canção para os passarinhos.

As pessoas o julgaram e você aceitou a opinião delas, sem questioná-las. Você está sofrendo por causa de todos os tipos de julgamento alheios e está despejando esses julgamentos sobre outras pessoas. Esse jogo passou dos limites, e toda a humanidade sofre em decorrência dele. Se você quiser se livrar dele, a primeira coisa é: não julgue a si mesmo. Aceite humildemente suas imperfeições, suas falhas, seus erros, suas fraquezas. Seja simplesmente você mesmo. Não é preciso fingir que você é de outro jeito.

Depois que se aceitar, você será capaz de aceitar os outros porque terá mais consciência de que eles estão sofrendo da mesma doença. E a sua aceitação os ajudará a aceitar a si mesmos. Se toda a humanidade chegar ao ponto em que todo mundo é aceito como é, quase noventa por cento do sofrimento simplesmente desaparecerá.

OSHO

Tomamos por bens coisas que não o são




REFLEXÕES SOBRE ALGUMAS REFLEXÕES DE SÊNECA

Vivemos tomando decisões sem pensar, obedecendo os impulsos dos nossos desejos instintivos e depois nos arrependemos. Nos momentos de crise interior, "tomamos por bens coisas que não o são", como disse o filósofo Sêneca, amando sonhos repentinos e mudando nossas vidas por desejarmos aquilo que idealizamos, mas ainda não conhecemos. Para isso, utilizamos mil artimanhas para reforçar o ego e não afetar a nossa auto-estima.

Também disse Sêneca, "Nossos anseios contradizem-se; contradizem-se as nossas decisões". Isto acontece porque não desejamos as coisas com profundidade, mas apenas para atender momentos de carência, seja por dinheiro, status ou paixão. Nós até as idealizamos com cuidado nos momentos de paz interior, mas basta uma oscilação em nossos humores e supervalorização dos nossos temores para subirmos à superfície e nadarmos desesperadamente em busca do primeiro rochedo que aparecer e nos agarrarmos nele.

E quando a maré subir e encobrir esse rochedo, nos lembraremos dos sonhos idealizados, mas não realizados. Nos lembraremos daquela praia que imaginamos, correndo na areia e molhando os pés. Com rios descendo das montanhas e desembocando no mar desses nossos sonhos.

"As coisas nos enganam; aprendamos a observá-las" (Sêneca)







Lúcio Aneu Sêneca (em latim: Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.) foi um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Sêneca, o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista. 


.o.



sábado, 3 de dezembro de 2011

Desbanalização do ego - Parte 2

Continuando com o tema EGO do primeiro post Desbanalização do ego - Parte 1 , algumas religiões e filosofias aconselham a "perda do ego" como forma de evolução espiritual, mas existe uma grande diferença entre esse ego da espiritualidade (vaidade, soberba, luxúria etc) e o do sistema da personalidade proposto por Freud.

Como a palavra ego vem do latim (alemão "ich") é literalmente traduzida como "eu", há uma confusão entre o sistema da personalidade de Freud e do o que Jung chamou de "self", muito mais adequado para representar a essência do ser humano porque abrange o consciente e o inconsciente, enquanto o ego e superego se referem apenas à mente consciente atuando sobre a inconsciente (id).

Avaliando essa redução da interferência do ego sob o ponto de vista freudiano, simplesmente reduzir a reflexão e o julgamento (ego) que estabelece o equilíbrio entre os desejos imediatos (id) e os limites impostos pelos nossos conceitos morais (superego), seria dar vazão direta às manifestações do inconsciente. No entanto, se incluirmos a essência do ser que foi ignorada por Freud (mas considerada por Jung - self), com a evolução espiritual e consequente aproximação do ser à sua essência divina (individuação), haverá uma redução natural da ação do ego em virtude da diminuição dos desejos (id).

Já na visão oriental (mais espiritualista), segundo Osho, ego nada mais é do que a nossa imagem refletida nos outros (o que pensam de nós), ou seja, a nossa vaidade resultante dos estímulos cumulativos de outras pessoas, processo que começa na infância. O ego na visão oriental está mais relacionado à divisão "PERSONA" (máscaras) e "SELF (EU maior, essência ou divino) de Carl Jung. A integração harmônica entre os dois tendendo à essência ele chama de individuação.

Mas como eu disse, não pretendo ir a fundo mesmo porque não tenho formação na área e pretendo apenas transmitir minha visão espiritualista sobre o ego, prendendo-me aos conceitos orientais. A idéia é entrelaçar os conceitos mais racionais de Freud (personalidade) com os mais sutis de Jung (espiritualidade).

Ao contrário do que os mais radicais dizem, não acho adequado o termo "eliminar o ego" ou pior, "matar o ego". Isto porque este processo de libertação precisa ser consciente para que seja gradativamente assimilado pela nossa essência. É importante entendermos o porquê da existência e da utilidade do ego para que possamos agir positivamente no abandono gradativo de suas influências que tiram a nossa visão do TODO (egocentrismo/egoísmo/soberba), até o ponto em que os nossos desejos se harmonizarem com o nosso Eu Maior.

E para este abandono gradativo não basta a ação racional (ego de Freud), mas também a interiorização por meio da meditação para a percepção de nós mesmos sem influência expressiva dos nossos pensamentos. É o que chamamos de integração como TODO.

Para entender melhor, sugiro lerem "O Milagre de estar atento"

(Continua...)

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