sábado, 15 de outubro de 2011

É impossível não julgar

O que nos incomoda é o julgamento ou a condenação? Alguém reclama quando é absolvido, seja por um tribunal, pela sociedade ou por uma só pessoa? Não... ninguém reclama dizendo: Você me absolveu! Julgamento é um processo que avalia os prós e contras para determinar uma escolha. No entanto, como o ser humano é especialista em unificar significados para defender seu ego, unificou as palavras CONDENAÇÃO e JULGAMENTO, sendo que uma (Julgamento) é um processo e a outra (condenação) é um veredicto. Quando se diz, “você me julgou”, na verdade se quis dizer "você me condenou".

O julgamento faz parte do ser humano e não há nada de errado em julgar, desde que seja um processo interno; desde que não se rotule o objeto do julgamento; que não nos fechemos para uma reavaliação constante. Um processo sem veredicto, dinâmico e inconclusivo, utilizado apenas para escolhas momentâneas e não definitivas.

A verdade, a mentira; o bem, o mal; o certo e o errado fazem parte do dualismo móvel que modela a nossa essência. Nas religiões e nos dogmas, por exemplo, o dualismo é estático porque necessita impor verdades, pois, aceitar o dinamismo da evolução e mudar seria transformar verdades-leis em contradições diante de seus seguidores. As religiões com as suas verdades transformaram a humanidade numa confraria de seres inflexíveis e intolerantes.

O problema não está em julgar, mas em declarar publicamente o veredicto, seja ele de absolvição ou condenação. O problema está em rotular e influenciar pessoas. O problema está em não julgar a si mesmo com a mesma assertividade e eficácia com que se julga o outro.

Julgar não é condenar e absolver não é perdoar. Julgamos quando precisamos decidir; perdoamos quando compreendemos.



2 comentários:

Marcia disse...

Acredito que esta é a chave para a paz, externa e principalmente interna. Somos nossos juizes, nos condenamos e nos punimos com auto torturas dignas dos piores algozes e perdemos talvez o verdadeiro intento do senso de julgamento, que é simplesmente nos guiar.

Perfeito o artigo.

parabens e obrigada

Marcia Avila

Pura Reflexão disse...

Valeu minha espanholita do coração. O título foi você quem deu! :o)

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