segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ladrão é Ladrão

Não sou arquiteto e não discuto sobre design, espaço e técnicas, mas quando vejo a minha casa torta, sei que ele não acompanhou a obra ou fez algo errado;

Não sou médico e não dicuto sobre diagnósticos e patologias, mas quando minha saúde não melhora após o tratamento, sei que ele ou os exames falharam;

Não sou mecânico e não discuto sobre defeitos apontados, mas quando meu carro não fica bom, sei que ele fez algo errado;

Não sou advogado nem juiz e não discuto leis ou (in)constitucionalidades, mas quando vejo ladrões do erário filmados, gravados e confessos absolvidos; quando vejo uma lista como esta abaixo de escândalos e desvios de políticos não concluídos... meu julgamento diz que a justiça é uma das MAIORES CULPADAS pela impunidade existente no país.

Vamos acompanhar o julgamento do MENSALÃO!


MONITOR DE ESCÂNDALOS NO CONGRESSO
  • Verba indenizatória secreta na Câmara e no Senado
  • Castelogate, o deputado Edmar Moreira e sua segurança privada
  • Agaciel Maia, diretor-geral do Senado, e sua mansão
  • Horas extras nas férias para funcionários e recorde de gastos na Câmara em 2009
  • Chico Alencar (PSOL-RJ) contrata correligionário
  • Diretor do Senado usava apartamento funcional para família
  • Sarney utiliza seguranças do Senado no Maranhão
  • Empresas terceirizadas abrigam parentes de diretores e funcionários do Senado
  • Tião Viana empresta celular à filha em viagem ao México
  • Diretores no Senado: eram 181
  • Assessora de Roseana Sarney também era diretora
  • Renan emprega sogra de assessor no Senado, filho na Câmara, tem funcionários fantasmas e aliado recebendo verba indenizatória em Alagoas
  • Filha de FHC trabalha de casa para senador
  • Diretora de comunicação do Senado em campanha
  • Deputado Alberto Fraga (DEM-DF) contrata empregada doméstica
  • Deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) contrata empregada doméstica
  • Deputado José Paulo Tóffano (PV-SP) contrata empregada doméstica
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os loucos por jatinhos
  • Gráfica do Senado imprime material de campanha
  • Funcionários do senador Adelmir Santana (DEM-DF) prestam serviço a vice-governador
  • Ministro Hélio Costa (PMDB, Comunicações) usa serviço de secretária paga pelo seu suplente no Senado, Wellington Salgado (PMDB-MG)
  • Terceirização irregular no Senado
  • Deputado Fábio Faria (PMN-RN) pagou viagens para Carnatal, inclusive para Adriane Galisteu
  • Ministros-deputados usam passagens da Câmara
  • Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara
  • Câmara e Senado perdoam todos os delitos da "farra aérea" e fingem cortar gastos
  • Viúva do senador Jefferson Péres (PDT-AM) recebe sobra de passagens em dinheiro
  • Ministros do Supremo Tribunal Federal entram na cota de passagens da Câmara
  • Senador Gerson Camata (PMDB-ES) acusado de uso de caixa dois
  • Delegado Protógenes Queiroz voou com passagens do PSOL
  • Membros do Conselho de Ética usaram passagens e ajudam financiadores de suas campanhas
  • Fernando Gabeira (PV-RJ) deu passagens para família ir ao exterior e contratou mulher com verba indenizatória
  • Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, também usou passagens para "familiares e terceiros"
  • Ministro do TCU Augusto Nardes (ex-deputado) voa na cota do deputado Otávio Germano (PP-RS)
  • Câmara pagou 42 passagens para ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e família
  • Senado paga motorista de ministro Hélio Costa (Comunicações) em BH
  • Ciro Gomes (PSB-CE) reage à reportagem sobre passagens com xingamentos
  • Gabinetes da Câmara negociam bilhetes de deputados com agências
  • Senadores têm seguro saúde vitalício para a família
  • Senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) usou assessor do Senado para compras particulares
  • Ex-diretor de RH do Senado João Carlos Zoghbi usava empresas de fachada
  • Deputado Eugênio Rabelo (PP-CE) usa cota aérea com time de futebol
  • Deputados "clonam" prestação de contas
  • Deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) pagou com verba indenizatória advogado que atuou em sua defesa no TSE
  • 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara
  • Senador Magno Malta (PR-ES) passou quatro dias em Dubai com dinheiro do Senado
  • Senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Geraldo Mesquita (PMDB-AC), Paulo Paim (PT-RS) e Osmar Dias (PDT-PR) usaram cota para voos ao exterior
  • Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cedeu passagens a primo e a 2 assessores
  • Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deu passagem para namorada ir ao exterior
  • Senadores vivos 'ganham' ruas e avenidas em reduto eleitoral
  • Funcionário preso do Senado recebeu salário por 5 anos
  • Senado pagou 291 passagens para ex-senadores e até para dois senadores já mortos
  • Câmara paga piloto de avião de ministro Geddel Vieira Lima (PMDB, Integração)
  • Câmara paga 8 voos para investigado pela PF que é colaborador do empresário Fernando Sarney
  • STF abre processo contra deputado acusado de atentado violento ao pudor
  • Auxílio-moradia para comprar apto. E para quem não precisa: deputados Alexandre Silveira (PPS-MG) e Rita Camara (PMDB-ES) e senadores Gerson Camata (PMDB-ES), José Sarney (PMDB-AP), João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT)
  • Efraim Morais (DEM-PB): 52 funcionários fantasmas e carro oficial para uso particular
  • Servidor do PMDB no Senado que ganha R$ 15 mil mensais dá expediente em loja de móveis
  • Funcionário envolvido em operação da PF é indicado para comissão no Senado
  • José Sarney tem amigos, aliados e parentes contratados pelo Senado
  • Senado usa mais de mil atos secretos para criar cargos e aumentar benefícios
  • Senado indeniza empresa suspeita de irregularidade com R$700 mil
  • Deputados ignoram regras da Câmara para pagar alimentação
  • 350 funcionários do Senado têm salário maior que o de ministros do STF
  • Valdir Raupp (PMDB-RO) aprova concessão de rádio que tem como sócio seu assessor
  • Arthur Virgílio (PSDB-AM) mantém fantasma em seu gabinete
  • Neto de Sarney opera no Senado crédito consignado, que é alvo da PF
  • Fernando Collor (PTB-AL) usa verba indenizatória para vigiar Casa da Dinda e comprar quentinhas
  • Nova diretora de RH do Senado entrou no emprego em trem da alegria
  • Sarney oculta da Justiça casa de R$ 4 milhões e a usa para reunião com lobistas
  • Senado tem contas secretas
  • Ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) emprega mulher na Câmara
  • Senado ignora decisão do STF e mantém nepotismo
  • Fundação Sarney é suspeita de desviar verba de estatal
  • Sarney é acusado de ter conta bancária no exterior
  • Senadores inflam gabinetes com afilhados políticos
  • Fabricante de caças pagou viagem de deputados a Paris
  • Trem da alegria secreto efetivou 82 servidores do Senado sem concurso
  • Comissões do Senado empregam fantasmas
  • Senado usou quase R$ 1 milhão de verba de fundo sem licitação
  • Paulo Roberto (PTB-RS) e Eugênio Rabelo (PP-CE) são acusados de reter salários de assessores
  • Roseana Sarney (PMDB-MA) pagou secretária com verba indenizatória
  • Rosalba Ciarlini (DEM-RN) usou cota de passagens aéreas para turismo
  • Álvaro Dias (PSDB-PR) não declarou R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral
  • Sérgio Guerra (PSDB-PE) bancou viagem de filha à Nova York com dinheiro do Senado
  • Senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), investigado pelo Fisco, dá emprego a filha do secretário da Receita
  • Empreiteira pagou dois imóveis para família Sarney em SP
  • Senado gastou R$ 25 mil em acordo que ficou só no papel
  • Tião Viana (PT-AC) ocultou casa de R$ 600 mil da Justiça Eleitoral
  • Senado ignora sobrepreço em obra de prédio
  • Papaléo Paes (PSDB-AP) quis contratar mulher de Agaciel Maia para trabalhar em seu gabinete
  • Câmara perdoa 85% das faltas dos deputados
  • Senado gastou R$ 70 mil em curso de Ideli Salvatti (PT-SC) em 3 países
  • Ministro do PR usa emendas de orçamento para atrair deputados ao seu partido
  • Marco Maciel tinha funcionário presidiário recebendo salário
  • 98 servidores do Senado fizeram cursos no exterior em 2007 e 2008
  • Dos 3.413 funcionários efetivos do Senado, apenas 300 não recebem complementação salarial
  • José Sarney (PMDB-AP) e Michel Temer (PMDB-SP) mantém supersalários
  • Senado custeia despesas da Polícia Militar do Distrito Federal
  • Sem resultados, Parlasul gasta R$ 580 mil do Congresso Nacional em diárias
  • 828 servidores ignoram censo interno do Senado
  • Câmara cede imóvel funcional a Gastão Vieira, secretário de Roseana Sarney no Maranhão
  • Senado desrespeita Supremo e não remove senador cassado
  • Empresário do DF diz ter entregue propina aos deputados Michel Temer (PMDB-SP), Tadeu Filipelli (PMDB-DF), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Alves (PMDB-RN)
  • Senador Osvaldo Sobrinho (PTB-MT) gasta verba indenizatória com rádios próprias
  • Deputados usam verba para pagar custo de viagens a locais turísticos
  • Câmara pagou gastos de deputados com "festa de Natal"
  • Senado pagou rescisões superfaturadas para funcionários indicados politicamente

 Fonte: Blog do Fernando Rodrigues

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os antiéticos e os aéticos - Mario Sergio Cortella

Quem tem princípios e valores para decidir, avaliar e julgar está submetido ao campo da ética.

Existe alguém sem ética, posso falar que alguém não tem ética? Ou eu devo dizer que aquilo é antiético? Aquele que frauda o imposto, aquele que pratica corrupção, aquele que pára o carro em fila dupla praticou um ato não ético ou antiético? Posso eu dizer que alguém não tem ética? Não. Por quê? Porque, se você tem princípios e valores para decidir, avaliar e julgar, então você está submetido ao campo da ética.

Não existe "falta de ética". Essa expressão é equivocada, talvez o que se queira dizer é: "Isto é antiético", algo contrário a uma ética que esse grupo compartilha e aceita. Posso dizer que um bandido tem ética? Posso. Ele tem princípios e valores para decidir, avaliar, julgar. O que eu posso dizer é que a ética que ele tem é contrária à minha e à sua. Então, é antiético. Não confunda aético - isto é, aquele a quem não se aplica a questão da ética - com antiético.

As situações em que você tem de decidir “sim ou não" o colocam num conflito. Uma palavra que designa conflito ético é, como falamos antes, “dilema”. Dilema é quando você quer os dois, por isso é que seu prefixo é "di". Os dois podem ser escolhidos, mas apenas um é eticamente correto. Se você tem autonomia e liberdade, vive dilemas éticos. Não tem como não vivê-los. E você a eles vai sobreviver melhor quanto mais tiver claro quais são seus princípios e valores.

Existe algum tipo de ser humano que eu posso dizer que é aético? Sim, aquele que não puder decidir, avaliar, julgar. Por exemplo, o Imposto de Renda tem uma legislação que permite que seja seu dependente quem for incapaz: o menor até determinada idade, uma pessoa com muita idade, pessoas com algum tipo de deficiência.

A ética é o conjunto dos seus princípios e valores. Portanto, é muito mais do campo teórico. A moral é a prática, é o exercício das suas condutas. Eu tenho uma conduta no dia-a-dia, chama-se conduta moral. A ética são os princípios que orientam a minha conduta. Do ponto de vista teórico, ética e moral não são a mesma coisa. Estão conexas. Eu posso dizer que algo é imoral, mas não posso dizer que é aético. É imoral quando colide com determinados princípios que uma sociedade tem.

Um deputado que frauda o orçamento tem ética? Tem. Tanto ele tem uma ética, que, aquilo que a ele não pertence, pode ser tirado para ele. Aí, ele tem uma conduta moral, que é fraudar o orçamento. Um policial que aceita propina para não multar você, tem ética? Tem. E aquele que oferece a propina? Também tem. Toca o seu celular, é a sua esposa ou o seu esposo que está no consultório médico e precisa fazer uma pequena intervenção cirúrgica. A enfermeira acabou de fazer a ela a seguinte pergunta: “Com recibo ou sem recibo?" E ela está o consultando sobre a sua resposta. Você responderá a isso de acordo com os seus princípios e valores. Portanto, existem morais particulares, mas a ética é sempre de um grupo, sempre de uma estrutura maior, porque não existe razão para você ter princípios de conduta e valores se você vive só.

Eu, Cortella, fui criado em Londrina, no Paraná, até os 13 anos de idade, e meu pai, Antonio, era gerente de banco. Houve uma época em que o gerente morava na agência. Eu morei muitas vezes na agência do banco em Londrina, em Maringá, em Marialva. Até certa idade, meu lugar de brincar no banco era dentro do cofre. E houve uma época em que não havia transferência eletrônica e era tudo dinheiro vivo, portanto, o cofre era grande. Eu nunca esqueço a primeira vez em que eu entrei no cofre da agência, com seis anos de idade. Na hora em que eu fui entrar, meu pai chegou por trás de mim, pôs a mão no meu ombro e disse: "Filho, o que não é teu não é teu". Esse princípio ético orienta a minha existência.

Aliás, eu fui Secretário de Educação da cidade de São Paulo, movimentava um orçamento de quase três bilhões de reais anuais e, a cada passo que eu ia dar, a voz que ecoava: "O que não é teu não é teu". Quer ver um exemplo? Durante a minha gestão na secretaria, Pedro, o meu filho mais novo, tinha quatro, cinco anos de idade. Todos os dias, às sete da manhã, estava na porta do prédio onde residíamos o carro oficial me aguardando. Assim que eu saísse rua a fora, o carro, por segurança, mesmo comigo fora dele, tinha que me acompanhar. Às vezes eu saía com o Pedro, e o levava a pé para a escola, ele entrava às 7h15. E 15 minutos era o tempo que eu levava para subir os quatro quarteirões até a escola dele. E eu subia a avenida segurando o Pedro pela mão e o carro ia nos acompanhando bem devagarinho. A hora em que eu entregava o Pedro na escola, eu entrava dentro do carro.

Podia eu usar o carro oficial com o Pedro? Podia. Devia? Não. Por que não? Porque não era meu. E se não era meu, porque eu iria usar? Porque eu estava no serviço. Ah, mas o carro não estava subindo mesmo a avenida? Se ele já estava subindo, já estava gastando tempo, gastando a segurança, gastando o combustível, o que custava botar o Pedro dentro e subir? Não era ridículo eu andar a pé e aquele Opala de oito cilindros ir ao lado devagarzinho? Queria eu entrar? Às vezes. Às vezes, estava chovendo, frio. Queria, mas não devia, embora eu pudesse. Eu vivi ali um dilema ético.

Mas somente de acordo com os princípios e valores que eu tivesse para decidir, julgar e avaliar, iria conseguir com que a minha consciência ficasse em paz.

Do livro: "Qual a tua Obra?" de Mario Sergio Cortella












sábado, 9 de julho de 2011

Pizza assada na fogueira das vaidades

O Supremo vai julgar o mensalão. Pelo histórico de "sensibilidade" dos ministros, mais um caso escandaloso vai terminar em pizza, assada no calor dos holofotes e tostada na fogueira das vaidades. Uma verdadeira festa Julina, com direito à quadrilha e tudo. Prender não há quem prenda, mas vai ter prenda: a IMPUNIDADE.

Posso até prever as cenas das brigas entre ministros, citando as "rebimbocas das parafusetas" constitucionais, complicando e despejando pareceres no "jurisdicês" arcaico para que os leigos pasmem diante de tanta sabedoria jurídica.

Sabe quando os jornais fazem anúncios cifrados de uma licitação de cartas marcadas, mostrando antecipadamente quais serão os vencedores? Acho que não seria difícil prever os que votarão a favor da quadrilha e contra o país.

Vou repetir aqui texto que postei quando a Ficha Limpa foi julgada, pois, em se tratando de decisão que vai contra os anseios do povo, o nível de indignação é o mesmo.

SE CAIR A FICHA, QUE SEJA A DO SUPREMO


O homem é um ser pretensioso e que ama o poder. Essa pretensão não é de sua natureza como dizem, mas originada de sua vontade própria concedida pelo livre-arbítrio, este sim, parte da natureza humana. O significado da palavra natureza não permite que seja usada para definir essa estúpida característica de querer brincar de Deus. A palavra natureza perde o seu significado com a intervenção antrópica (do homem sobre ela), nesse desejo incontido do homem pelo poder.

Esse poder a qualquer custo, é uma invenção do ego humano para satisfazer suas vaidades, pois, tudo o que envolve a natureza visa o equilíbrio e o bem comum. O poder desmedido, egocêntrico e elitista desestabiliza e desequilibra a balança da justiça.  

Estão dizendo que o Supremo Tribunal rejeitará a lei do Ficha Limpa. O Ministro Eros Grau já sinalizou. É o império da interpretação constitucional; é o tecnicismo incentivando a corrupção e justificando a insensibilidade da decisão - na melhor das hipóteses - respaldado pela leiguice popular. Não poder escolher para Ministro do Supremo alguém que responda processos na justiça não ofende o constitucional "princípio da inocência"? Ou nesse caso, só para o Supremo, vale o "princípio da possibilidade de culpa"? Reputação ilibada é necessária para quem julga, mas não para quem faz e fiscaliza as mesmas leis que são julgadas?

Quando um leigo em termos jurídicos como eu, analisa um fato jurídico, baseia-se na lógica dos juristas. Ora, se foram 5 votos a 5, no mínimo, significa que a (in)constitucionalidade não é flagrante. Logo, a decisão pode levar em consideração alguns argumentos que envolvem a essência de toda Constituição que é a de proteger e promover justiça à maioria dos cidadãos. O que não pode haver é omissão por uma questão de vaidade daqueles que julgam.

Em determinados momentos da vida, o ser humano deveria ter alguns flashes de sua velhice, interrompendo a inércia de seu atavismo animal que, como o instinto de um bode montanhês, o impulsiona para o topo do morro buscando pastagens mais verdes para o seu ego. Nesses flashes, esse pretenso "todo poderoso" teria uma pequena noção do que lhe restará para o fim da vida além de um emaranhado de recordações e remorsos. Verá que o livro de sua vida é edição única, pois, como bem define Millôr Fernandes, "viver é desenhar sem borracha". E esse "deus de mentirinha" fará algumas perguntas para si mesmo: onde foi parar aquele poder que eu achava que tinha? O que estou deixando para os meus descendentes e para a humanidade? O que dirão os livros que serão escritos sobre mim, sem a minha intervenção?

Einstein, com toda a sua genialidade, escreveu antes de morrer: "... agora que envelheci, passei a olhar a morte como uma dívida antiga que é preciso, afinal, saldar. Contudo, instintivamente, faz-se quanto é possível para delongar esse acontecimento. Tal é o jogo que a natureza joga conosco. Podemos achar graça por assim ser, mas não conseguimos libertar-nos do instinto de sobrevivência a que todos estamos presos."

E será esse instinto de sobrevivência que fará, o antes "todo poderoso", rever os seus conceitos baseado naquilo que só a sua própria vida pode lhe ensinar. E nesse momento que virá, não existirão poderes terrenos, interpretações constitucionais ou quaisquer riquezas materiais no mundo suficientes para mudar ou "delongar esse acontecimento", como bem disse Einstein. Será a vez da verdade togada, da balança de aferição inquestionável e do "supremo" martelo da consciência.

Restarão apenas a realidade do passado e a dignidade do presente em sua ficha - limpa ou não - reivindicando o seu direito eterno de "habeas spiritus".

E quando chegar essa hora, que a sua consciência o tenha!

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