quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lições

Estamos próximos da aprovação da lei de acesso à informação, proposta pelo senador Walter Pinheiro. Todos têm o direito de conhecer a verdade dos fatos que marcaram esse período negro da história brasileira.

A vitória veio e não foi concedida, mas conquistada. Quantas histórias tristes fizeram a humanidade ser o que é, mesmo as que não envolveram diretamente nossos ancestrais mais próximos. Temos exemplos reais no mundo de hoje do quanto a intolerância fez e faz sofrer inocentes. Inocentes estes que já teriam começado a escrever uma nova história se o desejo de vingança não fosse alimentado em seus corações, desde pequenos e a todo instante. O instinto de sobrevivência gera reações movidas pelo ódio e pela mágoa, porém são sentimentos domáveis pela razão e não se configuram como influenciáveis por fatores genéticos. As maiores influências estão nos sentimentos transmitidos de pais para filhos como exemplos de injustiças a serem vingadas. Não seria a felicidade a maior das "vinganças" e o fruto da verdadeira justiça?

Que os corações sofridos não desenterrem mágoas e desejos de vingança. Até mesmo como uma homenagem aos que se foram, independentemente do lado em que tombaram no campo de batalha. A história não serve para nada além da reflexão consciente para evitar repetições, nas quais se incluem as marcas geradas pela ação do ódio. "O mundo está farto de ódio", disse uma vez Mahatma Gandhi.

Fiquemos com a reflexão consciente de Victor Hugo em "Os Miseráveis":

"Estudemos as coisas que já não existem. É necessário conhecê-las, ainda que não seja senão para as evitar. As contrafacções do passado tomam nomes falsos e gostam de chamar-se o futuro. Esta alma do outro mundo, o passado, é atreita a falsificar o seu passaporte. Precatemo-nos contra o laço, desconfiemos dela. O passado tem um rosto, que é a superstição, e uma máscara, que é a hipocrisia. Denunciemos-lhe o rosto e arranquemos-lhe a máscara."

Lembremo-nos da história, mas de TODA a história da humanidade. Uma fração não pode superar um inteiro.

Um comentário:

Nana Ervilha disse...

belo texto, só pra variar, zé.

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