sexta-feira, 18 de março de 2011

Paz intervencionista

Numa entrevista concedida ao jornalista Murilo Antunes Alves, dois dias antes de sua morte, na Rádio Record, em julho de 1948, Monteiro Lobato, numa frase polêmica, disse que a paz no mundo só existiria no dia em que cada país tivesse sua bomba atômica.

Como sou humanista e pacifista convicto, acho a frase infeliz no aspetco de sua CONCRETIZAÇÃO. Seria melhor e mais fraterno escolhermos o desarmamento de todos os povos. Mas a frase nos leva a perguntar: Se a Líbia tivesse bomba atômica, a ONU teria proposto a intervenção militar? Mesmo havendo outros interesses como petróleo, democracia e liberdade entre outros?

Pelas polêmicas e parciais decisões já tomadas pela ONU/OTAN, se a Líbia tivesse a bomba, certamente a intervenção militar não estaria entre as resoluções que foram tomadas. Por que a falta de liberdade de expressão na China é tratada com tanta tolerância pela ONU e pelas "corajosas" tropas da OTAN? Seria por causa de seu exército com milhões de soldados? Porque aceitou a entrada do capitalismo? Óbvio que não... é medo de seu potencial bélico e atômico.

É lógico que não sou a favor (e ninguém é) de deixar aquele louco do Mouammar Kadhafi praticar genocídio, mas, por outro lado, um país só se reergue com a força moral de seu povo. Se a luta e a vitória não se realizarem no seio da própria sociedade, ou seja, se o desejo de liberdade e escolha daquele povo diluir-se no sentimento de domínio e desrespeito à sua soberania, a situação poderá tornar-se pior do que estava antes, sob o efeito da ditadura de Kadhafi.

A ONU nasceu do sentimento humanista pós-guerra (1945), com a finalidade de deter as guerras e favorecer o diálogo entre os povos, mas transformou-se num instrumento de pressão para manter o domínio político e econômico de alguns. Nem caberia aqui ficar citando exemplos como o do Iraque e do Haiti, ou pior... fazendo discursos ideológicos antiamericanistas. A ONU perdeu sua autoridade moral e hoje não passa de um clubinho de poderosos com carteirinhas VIP.

Quem garante que a intervenção militar invasiva poupará mais vidas e promoverá mais estabilidade do que a luta interna e natural pela liberdade?

-o-

Obs: O que escrevi sobre a bomba atômica e bombardeios são conjecturas. Sou absolutamente contra a violência em creio no diálogo exaustivo antes de qualquer medida militar. O desequilíbrio do poderio bélico entre países tem criado situações inconcebíveis de subjugamento.



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