segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Só mesmo criando a "Esquerda Conservadora"

Em primeiro lugar, principalmente para os jovens de hoje, convém recapitular as definições ideológicas de direita e esquerda. Longe de uma explicação definitiva, os resumos abaixo servem apenas para dar uma idéia (mais acadêmica e histórica e menos sociológica) das definições desses dois termos muito utilizados na política. Muito utilizados como retórica, mas nos dias de hoje, menos como ideologia.

História: O termo surgiu durante a Revolução Francesa (Monarquia Constitucional), em referência à disposição dos assentos no parlamento; o grupo que ocupava os assentos da esquerda apoiavam as mudanças radicais da Revolução, incluindo a criação de uma república ou o parlamentarismo da Inglaterra e a secularização do Estado.
Esquerda: O termo esquerdista passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas. O termo também é utilizado para descrever a social democracia e o liberalismo social (diferente do liberalismo econômico, considerado atualmente de direita).

Direita: O termo refere-se geralmente ao conservadorismo e ao liberalismo econômico de livre mercado. Muitos libertários e liberais, porém, recusam esse tipo de enquadramento. A partir do século XX, o termo extrema-direita passou também a ser utilizado para o fascismo, bem como para grupos ultranacionalistas.

Mais por uma questão de simpatia humanística e menos ideológica, optei pela esquerda, mais conscientemente há 20 anos. De de lá para cá, confesso que passei por alguns questionamentos e fases de dúvidas, mas ultimamente tenho dificuldade de me equilibrar no arame da realidade. Até a fraternidade que era um ponto comum entre as duas divisões (ao menos em tese), hoje se mostra desrespeitada na liberdade e na igualdade, as outras duas extensões que compõem o tripé de sustentação da democracia. Na verdade há 8 anos não sou mais nada. Nem esquerda, nem centro e nem direita. Sou humanista convicto. Danem-se esses rótulos com essas ideologias mortas.

Até os termos "elite" e "classe dominante" que eram termos muito utilizados pela esquerda fundamentalista como exemplos de desequilíbrio social, hoje, paradoxalmente, ganharam definições diferentes. Na política, um deputado que recebe R$ 140 mil por mês entre salário e inúmeros outros benefícios, pertence ou não à uma elite ou classe dominante? Qual o poder que tem um empresário honesto diante dos pedágios e propinas praticamente institucionalizados no Brasil? Certo... existem empresários corruptos e corruptores, mas não são eles que fazem leis e as aprovam, muito menos as licitações (conteúdo dessas últimas, talvez).


Enquanto os que se dizem socialistas, comunistas ou de esquerda não apresentarem um projeto que vise a adequação de seus vencimentos e ganhos indiretos à realidade de um país que se diz um feroz combatente da desigualdade social; enquanto houver notícias de que alguns do legislativo, executivo e judiciário continuam recebendo propinas, pedágios e favorecimentos políticos; e enquanto os que se denominam de esquerda continuarem aceitando a existência dessas falcatruas em prol de uma ideologia deturpada e lutando pela impunidade de seus "cumpanheiros" a esquerda continuará entubada na UTI, mantida viva apenas por "aparelhamentos".


Que tal criarem uma nova corrente ideológica para combater essa esquerda esfacelada de hoje: A ESQUERDA CONSERVADORA. Aquela onde ao menos encontrava-se um bocadinho de coerência teórica.



Estou fora... meu negócio hoje é humanismo, mas a partir do momento em que algum partido registrar esse nome e começar a atuar, arrumo outro nome.

Leia também: Você é direita ou esquerda?

-o-


Um comentário:

Os três que são um disse...

Nem esquerda nem direita podem resolver mais o problema... Sempre tive também uma tendência em apoiar a esquerda porque essa, em tese, seria a classe política que defenderia os direitos dos menos favorecidos socialmente...
O que vemos atualmente é uma inversão se valores, os partidos agora se preocupam mais em se manter no poder do que exatamente trabalhar pela população e pelo desenvolvimento do ser humano... Aqui em Minas Geraes já nem sabemos mais quem é de direita ou esquerda pois vemos partidos, antes com projetos políticos antagônicos, fazerem alianças.. Falar nisso os projetos de governo dos partidos já não tem mais tanta diferença assim.. A meu ver sua concepções da realidade são muito "pequenas" e simplificadoras para a complexidade dos problemas contemporaneos..
Me lembro aqui de uma citação de Krishnamurti no filme Zeitgeist: Addendun:
Veremos o quão importante é trazer para a mente humana uma revolução radical. Essa crise é uma crise na consciência. Uma crise que não pode mais aceitar as velhas normas,
os velhos padrões, as antigas tradições. E, considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflito, brutalidade destrutiva,
agressão, e assim por diante…
O Homem ainda é o mesmo de antes.
Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. E ele construiu uma sociedade nestes termos."

A política atual está a serviço do Estatus Quo. Seu foco não resolver os problema, mas manter o sistema funcionando..

Ainda bem que existem iniciativas como este blog que coloca os assuntos em discussão.. Parabéns!!

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