terça-feira, 27 de julho de 2010

Flores são flores

Antes de entrar no tema, vale uma observação sobre o termo "seguidor" lançado na Internet pelo Twitter. Na verdade prefiro chamar de amigo-seguidor, sem me preocupar com o significado mais profundo e literal da palavra amigo, mas sim com o filosófico, pois, a filosofia admite realidades e expectativas. Amigo-seguidor é um termo que exprime uma expectativa positiva controlada, sem cobranças e sem alimentar falsas esperanças. É uma espécie de desejo... de bom presságio.

Podemos seguir um guru ou um mestre; um admirador ou um admirado; um conhecido, uma celebridade, um amigo... e até um inimigo! E se o termo amigo-seguidor sair do coração, até um inimigo poderá ceder às boas intenções da palavra. :o)

Meu amigo-seguidor @RenatoFigueredo mandou uma mensagem muito bem intencionada dizendo "Todas as frases postadas aqui são de credito de @pensadoresfalam". Entendi perfeitamente o que ele quis dizer, inclusive as entrelinhas dos limitados 144 caracteres que uma tuitada carrega. Eu agradeço a sua preocupação com o crédito e com a ética, caro amigo Renato!

Na verdade, o avatar @PensadoresFalam representa apenas um florista virtual que colhe as flores que a natureza do ser humano fez brotar em forma de palavras e as distribui sem interesses velados. São flores tão profundamente bonitas, que os laços do arranjo e o nome do florista-entregador são o que menos importa. Suas nuances de cores e seus degradês desarranjados são entregues em endereços incertos, mas podem chegar para alguém num momento certo, valendo para uma vida inteira.

Frases ou pensamentos, assim como as flores, não representam verdades e muito menos verdades explícitas. A beleza exterior das flores, assim como o sentido literal do pensamento expresso em palavras, funcionam como pequenos atrativos para gerar grandes reflexões. Não podem se isolar de todo um contexto que envolve a intenção, o perfume, o momento, a necessidade, o desejo, a superação, a esperança e, principalmente, os desdobramentos de tudo isso em forma de felicidade.

Não se preocupem se alguém se esquecer de mencionar @pensadoresFalam nos RTs das frases. O importante é não esquecer de citar o nome dos jardins onde nasceram, cresceram, foram regadas e colhidas (os autores). Se mesmo assim alguém resolver adotá-las como suas, omitindo suas origens, fica por conta da consciência e do ego de cada um. Afinal, é o que menos importa. Flores nunca deixarão de ser flores.


-o-

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O segredo da feliz idade

Um médico saiu pra caminhar e viu uma velhinha sentada no banco de um parque. Aproximou-se e perguntou:
 
- Nota-se que a senhora tem um semblante tão feliz... qual o seu segredo?!"

E ela respondeu:

- Sou PROFESSORA, durmo às 3 da manhã corrigindo provas e planejando atividades, me levanto às 6 da manhã.


- Nos fins de semana não pratico nenhuma atividade física, não me divirto. Trabalho fazendo projetos, corrigindo mais provas, revisando exercícios ou atualizando meu blog!!! Todo final de semana, sábado, domingo e, se a segunda é feriado, também. Não tomo café, não almoço e nem janto direito porque não dá tempo."

E o doutor então exclamou:

- Mas isso é extraordinário! Quantos anos a senhora têm?

- 39, respondeu-lhe a velhinha.


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segunda-feira, 12 de julho de 2010

O mau exemplo está na realidade

Hoje o senador Christóvam Buarque leu um artigo da Folha de S.P. sobre maus exemplos em novelas e programas de televisão para os jovens. Realmente, há uma certa exploração do superficial, privilegiando ou criando certos rótulos que favorecem o poder aquisitivo e a beleza física, colocando-os como indicadores de sucesso e de felicidade. E o senador pergunta: Por que a cultura e o conhecimento não são mostrados como importantes exemplos entre as qualidades humanas, responsáveis pelo sucesso na vida?

Reconheço no senador Christóvam a figura de um batalhador pela educação. Mesmo que tal insistência seja pela identificação de um nicho do mercado eleitoral (embora neste país a educação dê muito menos votos que o assistencialismo e o empreguismo), a causa é nobre. Antes existissem mais políticos com essa "má intenção".

Se eu fosse relacionar os maus exemplos e classificá-los por ordem de importância, certamente as novelas não estariam entre os primeiros colocados. Motivo principal: O poder de influência da FICÇÃO comparado ao da REALIDADE.

Podemos até dizer que a ficção pode banalizar os bons valores ao longo do tempo, mas nunca será tão contundente quanto os maus exemplos que a população mais esclarecida presencia no dia-a-dia do mundo político e governamental. Não são os roteiros novelísticos com tramas diabólicas ou histórias de belos casais ricos e sem cultura, os grandes responsáveis pelas mudanças na ordem de valores do povo brasileiro. O telespectador não é tão bobo e inocente a ponto de, ao voltar para a sua realidade do dia-a-dia, não perceber que sua vida não pode ser reescrita e ajustada como um roteiro de novela.

O que ofende a ordem de valores da população decente e questiona o bom-senso básico adquirido na infância e na juventude, são os exemplos da REALIDADE mostrada nos telejornais, nos horários políticos e nas propagandas governamentais. São os exemplos de ROUBOS, de prática de NEPOTISMO, de utilização indevida do DINHEIRO PÚBLICO e, principalmente, de IMPUNIDADE. São também as propagandas oficiais que tentam nos convencer de que estamos na Terra Prometida ou bem próximos dela. São os VÍDEOS REAIS com meias e cuecas cheias de dinheiro público e seus  "manequins de carne e osso" declarando que se tratava de dinheiro para comprar panetones ou viabilizar ações sociais para a população carente.

O povo sabe diferenciar a REALIDADE da FICÇÃO e tem boa noção do certo e do errado. Tem muito bem definida sua ordem de valores principalmente para certas coisas, mesmo sem ter tido a oportunidade de uma educação ideal na infância ou na juventude. Parafraseando Rui Barbosa, o que o povo não sabe mais é se vale a pena ser honesto.

Como nos dois Twitts que escrevi ontem para o senador Christovam::

@Sen_Cristovam  "O mundo recompensa com mais frequência as aparências do mérito do que o próprio mérito" (La Rochefoucauld )

@Sen_Cristovam  "A novela imita a vida ou a vida, a novela? Escolha de eleitor também é assim. Escolhe pelo que parece e não pelo que é."

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sensibilidade

Às vezes o ser humano perde a sensibilidade. Ao contrário do que muitos pensam, ter sensibilidade não é se emocionar à toa (isso é desequilíbrio), sentir pena do miserável ou se entristecer com tragédias (estímulos mórbidos).

Sensibilidade está no paradoxo do "estado de atenção do inconsciente sensível", alheio ao ego e ligado na essência do ser. Nos faz "ver" além do óbvio, além do eu e da limitada visão do nascer e morrer.

Um dos melhores exercícios para ampliar a sensibilidade está na difícil arte da empatia, ou seja, na capacidade de nos colocarmos no lugar do semelhante (ou do diferente), antes de o julgarmos. De conseguir ver nas coisas aparentemente simples, a perfeição da vida.

Muitas vezes precisamos colocar a culpa em alguém para justificar a nossa cegueira e falta de sensibilidade, como na linda e inspirada frase da poeta Adélia Prado “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra.”

Ter sensibilidade é conseguir ver numa pedra, mais que uma pedra. Colocando-se no lugar dela, transcendendo o seu estado sólido e sentindo o intenso calor que um dia a transformou.

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